Durante + de 50 anos de ministério, o pastor Rubens Pires do Amaral Osório reuniu grande quantidade de escritos para sermões, aulas em Escola Dominical e Seminários. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, aos 83 anos, mora hoje em Sorocaba - SP. com sua esposa M. Aparecida. Tem dois filhos e quatro netos.
sexta-feira, agosto 27, 2010
O pastor, hoje
sexta-feira, agosto 13, 2010
O pastor e o trabalho secular
"Sua consulta merece bastante atenção, pela relevância do assunto. Tenho me inspirado no exemplo e ensinos de Paulo como o grande pastor que foi. Sua consciência de vocação para ser missionário e pastor era profunda, veja At 20.24.
Ele também cita o ensino de Cristo em 1Co 9.14. E se deu inteiramente ao ministério.
Quando houve necessidade, "teceu tendas"; não para melhorar sua situação financeira, mas para "não ser pesado a ninguém" - 1Ts 2.9 e 2Ts 3.8 - e ao mesmo tempo realizar seu ministério - At 18.8. Seu ideal, porém, era dedicar-se só ao trabalho pastoral e missionário - 1Co 9.6; 1Tm 2.4.
Eu também tive a experiência de trabalhar fora, ao lado do trabalho pastoral. Foi quando, em meio a uma crise no meu Presbitério e Sínodo, não tinham condições de sustentar nenhum dos pastores e deram-nos liberdade para trabalhar fora. Eu e o Rev. Wilson Lício fomos dar aulas em escolas estaduais; outros dois foram ganhar o sustento de outra forma. Todos, para continuar no ministério.
Dei aulas de Educação Moral e Cívica e outras matérias durante 11 anos, e não perdia a oportunidade de falar do Evangelho, quando o assunto oferecia espaço para isso. Foi uma experiência também rica; era antes de tudo um pastor dando aulas; e fui bem sucedido. Somente após 11 anos, por insistência minha, o Presbitério me deu condições de ser só pastor. Foi em janeiro de 1982; então fui pastor em tempo integral, novamente, por mais 23 anos, até ser forçado a deixar o trabalho devido ao derrame cerebral que acometeu minha esposa. Sou cuidador dela até hoje.
Voltando ao seu caso:
Seu trabalho na Prefeitura pode, mesmo, ser visto como uma oportunidade de exercer boa influência na sociedade; seria excelente lugar para fazer isso. A Igreja de modo geral deve se preocupar em preparar os crentes para ocuparem cargos de mais importância e projeção social.
E quando essa oportunidade se oferece a um pastor, como é o seu caso?
É necessário ver o que é prioritário. Prejudicar a igreja não é justo. Se não houver um leigo cristão que faça esse trabalho na Prefeitura, veja se encontra - e a igreja aceita - um pastor auxiliar. Se não for possível, creio que a prioridade é atender a igreja. Através de leigos bem orientados, a igreja pode exercer influência salutar em toda a sociedade. E os pastores serão apenas pastores.
Impressiona-me o que Cristo disse em Lc 17.10. Qual de nós consegue fazer "tudo"? "Uma coisa faço" - escreveu Paulo em Fp 3.13. Ore, pense bem e tome a decisão prudente.
Podemos conversar mais. Que Deus o ajude. Fale-me sobre seu ministério e seu campo de trabalho.
Seu irmão,
Rubens Pires do Amaral Osório"
quarta-feira, junho 30, 2010
Cuida de Ti
quarta-feira, junho 16, 2010
Vocação Pastoral
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Vocação Pastoral
1Tm 1.1-12
Exordio - Floyd Grady, missionário, muito fiel às Escrituras e a Cristo, disse a jovens em um Congresso Nacional, em Salvador: "Jovem, se o Senhor o chamou para o ministério, por amor de Deus, venha! Mas se Deus não o chamou, por amor de Deus, não venha!" Dizia isso por causa da santidade do ministério da Palavra, dado só a quem Deus realmente chamou. Outros ministérios existem, dados por Deus, que também devem ser exercidos por quem Deus chamou.
Explicação - Timóteo, que Paulo chama de filho, era bem mais moço do que Paulo, de temperamento diferente do de Paulo, talvez tímido, precisava ser aconselhado, exortado e apoiado em seu ministério. Paulo faz muitas exortações a Timóteo, em suas cartas. No trecho lido, faz referência a coragem com que Timóteo devia enfrentar os falsos mestres que ensinavam "outra doutrina".
Paulo falava com autoridade e humildade, porque tinha consciência de ser apostolo e ministro da Palavra, não por mérito, mas porque Deus mesmo o havia chamado. Daí nosso tema: "Consciência e certeza da vocação de Deus".
1) Primeiro ponto a observar: o ser ministro da Palavra, era motivo para dar graças a Deus: "dou graças". Isto significa que ele não era apóstolo e pastor por mérito ou por ser capacitado, mas pela graça imerecida de Deus.
Essa consciência é essencial. Quando alguém pensa que é ministro porque tem estas e aquelas qualidades, começa a exibi-las, torna-se um "narciso", admirador de si mesmo. Pensa que é competente, que pode por si mesmo planejar e realizar a obra. Em geral se torna um fracasso; o tempo se encarrega de demonstrar isso.
Não é esse o pensamento de Paulo. Ele dava graças, por saber que, pela graça de Deus é que fora colocado ao lado dos apóstolos, no ministério da Palavra. Reconhecia que aquele que é chamado e enviado de Deus tem que fazer o que Deus quer, e não o que ele mesmo quer. Assim foi com Jeremias, a quem Deus disse: "...aonde quer que Eu te enviar, irás;e tudo quanto te mandar, dirás" (Jr 1.7). Esse consegue ter bem clara em sua mente o que Deus quer, porque mantém com Deus comunhão real, constante, e não ocasional.
2) Aquele que Deus chama é fortalecido por Deus: Deus lhe dá a capacidade para fazer até o que ele nunca imaginou. Foi assim com Abraão, foi assim com Moisés e com tantos outros: Deus lhes deu tarefas acima de suas capacidades, como também a Paulo: ser testemunha de Cristo junto aos gentios (At 22.21). Os fariseus nem consideravam os gentios como "o próximo", mas como pessoas desprezadas por Deus. Paulo, ex-fariseu, tinha que fazer esse trabalho: pregar especialmente aos gentios. Por isso ele precisava ser "fortalecido" ou "confortado" por Deus, como realmente foi. Em Atenas, falando a filósofos, Paulo não os agrediu por serem idólatras, mas falou-lhes de maneira sabia e mansa (At 17.22-31) e uns poucos creram, como está no v. 34.
3) Quando Paulo diz que Crista “o teve por fiel", está nos falando da necessidade de sermos em tudo fiéis a Deus: fidelidade na obediência aos mandamentos todos. Muitos, porém, tem quebrado os mandamentos. Adultério tem sido o pecado de muitos; amor ao dinheiro é o pecado de outros, a vaidade é o de muitos outros, e assim por diante. Um grande exemplo a ser seguido é o de João Batista: "importa que Ele cresça e que eu diminua". A vaidade não tomou conta dele. Vaidade e pruridos de intelectuais foram características de alguns que se desviaram, como esta nos vs. 6 e 7: "querendo ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem, nem o que afirmam". O resultado: acabam nem entendendo a lei, incapacitados para ensiná-la, embora não reconheçam isso.
Aquele que quer servir a Cristo, guarde-se da vaidade, do academismo e da "mania de ser doutor". Precisamos, sim, de doutores na Igreja, como está em 1Co 12.28, mas doutores que com humildade sirvam a Igreja e aos irmãos; que antes de tudo sejam pastores que amem os irmãos.
4) Quando Paulo diz "pondo-me no ministério", não diz: "pondo-me no pastorado de igrejas grandes e importantes". Deus o pôs no ministério para ser pastor de igrejas pequeninas, nascentes, para ser pastor de soldados que o guardavam nas prisões em Roma - Fp 1.12-13. Jamais foi pastor, nem pretendeu ser, de igrejas grandes como Jerusalém ou a de Antioquia; por isso mesmo foi um inigualável semeador de Igrejas por toda a Asia menor e a Europa, da Grécia até Roma. E entre todos, Paulo é o espelho em que devemos nos olhar para seguir os seus exemplos, e não qualquer pastor da atualidade, que exibe as centenas ou milhares dos membros de suas igrejas; pastores cujas igrejas crescem numericamente, mas não crescem espiritualmente, nem na visão larga que teve a Igreja Primitiva. Pastores e igrejas centralizadores que na realidade pouco contribuem para o crescimento da Igreja Invisível, formada exclusivamente dos convertidos, salvos e fiéis.
Conclusão - Vale a pena ser pastor chamado por Deus, pastor segundo o “coração de Deus"; não há atividade mais digna e dignificante. Precisamos de pastores para grandes igrejas, mas quer seja de grandes ou pequenas igrejas, precisam ser pastores verdadeiros, à semelhança de Cristo e de Paulo - 1Co 11.1. Não vale a pena ser pastor se não foi chamado inequivocamente por Deus; esse vai ser um criador de problemas e um fracasso.
Hoje damos graças a Deus pela formatura de Eliseu que se prepara para ser um pastor. Mas há aqui muitos irmãos e irmãs com diferentes e importantes ministérios. A mensagem de Paulo é para todos nós. Graças a Deus por isso.
(sermão proferido por ocasião da formatura de um seminarista)
terça-feira, dezembro 15, 2009
Escribas e Fariseus de hoje
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Visitas pastorais
A assistência pastoral tem que ser um ponto alto na vida da igreja. Quando Cristo fala do verdadeiro pastor, em João 10.1-5, Ele não fala apenas de Si mesmo, mas de todo verdadeiro pastor - conhece as ovelhas por nome, não por ter boa memória, mas porque convive com elas; se alguma se desgarra, vai buscá-la e, se necessário, a carrega nos ombros, ajuda-a a levar seu fardo.
Tudo isso significa amor a cada uma delas, amor altruísta e não interesseiro, implica em convivência com o rebanho.
Agora, trocando em miúdos, de modo bem objetivo:
1- A visita pastoral "de casa em casa" é imprescindível. "Em casa" há mais informalidade, mais intimidade sadia que alcança a família toda, sem se tornar banal.
2-O "expediente pastoral" no escritório da igreja é útil, pois também acontece que um membro da igreja prefira tratar de algum assunto que não convém tratar na presença de toda a família, mas não deve substituir a visita em casa, pois nesta o pastor alcança toda a família, inclusive evangelizando os que ainda não sejam crentes. É muito cômodo para o pastor ser visitado no escritório, mas não é o mais conveniente para a igreja, em vista de seu crescimento espiritutal e numérico.
Há problemas íntimos que tem que ser tratados em particular e com muita discrição. A ocasião e o local dessa conversa devem ser escolhidos. Não convém que seja a "portas fechadas". Bom será que a sala tenha uma janela de vidro transparente para não ser esconderijo, nem levantar suspeitas, como já tem acontecido.
3- A visita pastoral verdadeira não visa aumentar a estatística do "relatório pastoral", nem qualquer proveito próprio. Em Mt. 23.4, Cristo denuncia esse abuso que pode se dar de diferentes modos. Conheci um "pastor" -entre aspas mesmo - que tinha um emprego durante o dia, dava aulas à noite, e relatava que naquele ano fizera 300 visitas pastorais. Era evidente a impossibilidade de realmente fazer tal proeza...
quarta-feira, novembro 25, 2009
Jubilação ou Punição?
Sempre entendi a jubilação de pastores como uma honra concedida ao ministro que completasse 35 anos de ministério, ou chegasse aos 70 anos de idade. Honra como a emerência concedida ao presbítero ou ao pastor que servisse por longo tempo a uma igreja.
Por muitos anos o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil votava uma pequena verba para o jubilado, à guisa de modestíssima aposentadoria. Já vigorava a atual Constituição da Igreja. Poucos eram os pastores que continuavam ativos após a jubilação compulsória após os 70 anos. Depois disso a Previdência Social passou a admitir também a inscrição de pastores, concedendo-lhes a aposentadoria.
Mas, à medida que a média de vida do brasileiro sobe, porque melhora a qualidade de vida, cresce o número de jubilados no trabalho quase pleno, na assistência pastoral a igrejas. A experiência, o amor à Igreja que é o amor aos irmãos, cultivado durante 30, 40 ou 50 anos de ministério, compensam pelo menos em parte as deficiências físicas trazidas pela terceira idade.
Que bem faz ao jubilado saber que está sendo útil, ainda, na atividade pastoral, mesmo não exercendo plenamente a responsabilidade pastoral da igreja.
São muitos, atualmente, os pastores nessas condições. Boanerges Ribeiro foi assim até os 84 anos; ainda são assim pastores como Daniel Mariano da Silveira, Osias Mendes Ribeiro e outros, para só citar jubilados daqui da cidade de São Paulo.
Mas, que tristeza! Há aqueles que enxergam o pastor jubilado em atividade como um intruso, ocupando o lugar onde poderia estar outro, bem mais novo. Começa a ser visto como importuno, conservador demais, insistindo ainda em olhar como exemplares o apóstolo Paulo, Miguel Rizzo Jr., Avelino Boamorte, Boanerges Ribeiro, Felipe Landes, Erasmo Braga e outros, que só ambicionavam a honra de continuar servindo a Igreja dentro de suas possibilidades ainda existentes. Aqueles interpretam a Constituição da Igreja, artigo 49, como uma lei que decreta que o jubilado é um inválido e incapaz. O parágrafo 40 desse artigo precisa ser interpretado ou explicitado pelo Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Jubilação é isso – uma punição para quem ousou viver muito e insiste em ser útil? Ou é honorífica, como sempre se entendeu? Convém que a Igreja pense sobre isso.
quinta-feira, março 19, 2009
O Pastor e a Visitação
Visando o preparo dos pastores para uma visitação eficiente, o currículo de nossos seminários contem uma matéria importante: “Teologia Pastoral”, além de elementos de “Psicologia”.
A Constituição da Igreja Presbiteriana dá aos demais oficiais diáconos e presbíteros a incumbência de também visitar, participando de alguma forma do pastoreio do rebanho. Veja em Atos 20.28.
Será muito conveniente que o pastor instrua os oficiais da Igreja para tão importante serviço. Fazerem visitas juntos será, certamente, muito bom no aspecto de resultados . práticos e de treinamento dos oficiais da igreja.
Mas é fora de dúvida que muitas vezes convém que o pastor faça sozinho determinadas visitas, pelo cuidado especial que elas demandam, ou pela gravidade dos assuntos e ate o sigilo que convenha haver. Nem todos estão devidamente preparados para tratar com os membros das igrejas nessas ocasiões. Uma colocação menos prudente ou uma palavra menos cuidadosa pode ser um transtorno.
Duas coisas serão testadas nessas situações: a capacidade do pastor no encaminhamento de soluções dos problemas, e a confiança dos presbíteros no pastor. Estes estarão colaborando com o pastor, como ensina a Constituição da Igreja, fazendo junto com ele a visita, ou deixando-o só, conforme a conveniência, a juízo do próprio pastor, sem negligenciarem o seu dever de visitarem; orando pelo pastor, por todo o seu trabalho e pelo seu aperfeiçoamento.
Sobretudo, todo trabalho deve ser feito com temor e tremor, orientado pelo Espirito Santo, para que não seja feito "relaxadamente"
Havendo cooperação mutua, humildade tanto do docente como dos que aprendem com ele; havendo, tanto de uns como de outros, real interesse e amor pelo rebanho, o Reino de Deus ganhará muito na realização do ministério da visitação.
Presbíteros, confiem em seu pastor. Pastor, conquiste a confiança de seus irmãos, ovelhas, e colaboradores também.
quinta-feira, março 12, 2009
O Pastor e a Liturgia
Como presbítero docente, o pastor é indicado, na Constituição da igreja , como aquele que orienta e supervisiona a liturgia na igreja que pastoreia. Supervisionar não é apenas "dar um visto" na Ordem do Culto elaborada por algum membro da Igreja que vai dirigir o culto. É orientar sempre, corrigir e alterá-la quando necessária. Na verdade já é uma invenção moderna, em nossas igrejas, uma outra pessoa dirigir o culto e o pastor apenas pregar.
Essa função, de supervisionar, não deve ser confundida nem pelo pastor, nem pelos possíveis dirigentes, como um "engessamento" da Ordem do Culto; deve ser entendida como um necessário cuidado para que a ordem estabelecida nem se tome mecânica e rotineira, nem uma "colcha de retalhos" sem lógica e sem sequência natural, nem em "programa" cheio de "criatividade", mas sem unidade e vazio de conteúdo.
A orientação que o pastor dá deve também obedecer os "princípios de liturgia" constantes do "Manual Presbiteriano",calcados nos princípios bíblicos sobre o culto. Também deve ser entendida, e para isso ser explicada e discutida quando necessário. Mas, tendo em vista que o culto deve ter unidade, com o objetivo de levar o povo a adorar a Deus de modo inteligente, "em espírito e em verdade", o pastor deve estar capacitado - pelo estudo e pela prática - a orientar e ser acatado.
É muito grande a responsabilidade do pastor quanto à Liturgia, pois a maneira como a Ordem do Culto é estabelecida pode ser um meio eficiente de tornar o culto edificante e didático, ou uma porta aberta para desvios doutrinários e espirituais. Ela pode ser um reflexo do conceito que se tenha de Deus, e da importância que se dá às Escrituras.
O pastor precisa estar comprovadamente capacitado para supervisionar a Liturgia e ser lealmente acatado
Em 1Co 14 .40, onde Paulo nos instrui sobre o culto, diz ele sabiamente: "Faça-se tudo decentemente e com ordem".
quinta-feira, setembro 20, 2007
Para que serve um pastor jubilado?
Há 55 anos, em Campinas, conheci os primeiros pastores jubilados: o Rev. Eduardo Lane, o Rev. Alberto Zanon. Em São Paulo conheci o reverendo João Paulo de Camargo, posteriormente Miguel Rizzo Jr., Avelino Boamorte, Jacob Silva e Boanerges Ribeiro, com os quais tive o privilégio de conviver algumas dezenas de anos.
Há 50 anos, um pastor jubilado eventualmente substituía o pastor regular em uma celebração de Ceia, de batismo ou de casamento. Com o passar do tempo, melhoraram os recursos médicos e as condições de vida, e subiu bastante a expectativa de vida útil de uma pessoa.
Hoje vários pastores jubilados, de que tenho conhecimento, prestam serviços à Igreja, quase em plena atividade – os reverendos Alcides Augusto de Matos, Aníbal Pereira, Joaquim Corrêa de Lacerda, Reinaldo Silva, Tiago Rodrigues Rocha, Osias Mendes Ribeiro e até eu.
Vimos de uma época diferente, somos contemporâneos de alguns dos grandes pastores que tornaram grande e gloriosa a Igreja Presbiteriana do Brasil. Participamos das comemorações do 1o centenário de nossa Igreja. Fomos testemunhas e também protagonistas de anos críticos pelos quais passou a Igreja. Há mais de 50 anos militamos nas lides do Evangelho; lutas grandes!
Não só trabalhamos muito, como também tivemos que batalhar contra movimentos que poderiam deturpar a Igreja e desviá-la de seu ministério. Encanecemos no trabalho árduo. Nenhum de nós viveu com grandes salários, mas nos acostumamos ao “estilo de vida simples”.
Com um certo espanto vemos grande parte da Igreja deixar-se influenciar por alguns modismos; pior do que isso, surpreende-nos o surgimento de conceitos modernos, nada bíblicos, a respeito do que deve ser a Igreja. Ao mesmo tempo que se moderniza, passa a preocupar-se muito com seu aspecto empresarial. Pastores que são mais administradores do que amigos e irmãos mais velhos das suas ovelhas; aos quais falta mais “alma de pastor”.
Então surgem choques nos concílios, que não são apenas choques de gerações, mas de idéias, conceitos e métodos. Nós insistimos em permanecer nos padrões bíblicos; que a Igreja seja antes de tudo Igreja mesmo, comunidade de santos e “família de Jesus Cristo”. Não nos deixamos iludir com uma “política de resultados”; insistimos em amar aos irmãos e ao próximo, pregando e praticando o Evangelho.
Tornamo-nos incômodos, muitas vezes.
Colegas que nunca iniciaram uma Igreja e nunca pastorearam um rebanho pequenino de gente simples, saem dos seminários com os olhos voltados para as igrejas grandes e é para lá que querem ir a todo custo.
Tornamo-nos incômodos, muitas vezes, negamo-nos a aderir a um evangelho diferente.
Mas há igrejas carentes de afetividade, de carinho paterno, necessitadas de Evangelho sem mistura. Algumas dessas querem o pastor idoso, jubilado, “irmão mais velho”.
Tornamo-nos incômodos: por que um pastor jubilado ocupa o lugar de um bem novo, cheio de idéias novas, que não é exigente a não ser do dízimo? Afinal, esse mais novo, instruído sobre administração, levará a Igreja a possuir logo um templo maior, um patrimônio mais sólido!
Nós queremos que a Igreja cresça espiritualmente e que sua prosperidade numérica e material seja fruto de fidelidade e não de conceitos modernos de administração; queremos que as igrejas se multipliquem em vez de se tornarem mega-igrejas; queremos que cada igreja siga o exemplo da Igreja Primitiva – na paixão pela evangelização, na simplicidade, no amor fraternal que não admite que haja necessitados na Igreja, porque ajuda “cada um conforme a necessidade de cada um”.
O pastor jubilado freqüentemente repete o episódio de Elias perante o incrédulo Acab. Este pergunta ao profeta: “És tu o perturbador de Israel?”, e então tem de responder como Elias: “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu...”
Os preconceitos são sempre ruins. Não se pode ter preconceito contra o trabalho da mulher, contra o entusiasmo e a expansibilidade do jovem, nem contra o trabalho do idoso. Precisamos é estar firmados nos princípios bíblicos, da ética cristã; podemos ser conservadores sem ser retrógrados, e podemos ser modernos sem ser modernistas e seguidores de modismos.
Que a Igreja Presbiteriana do Brasil valorize o pastor de almas melhor preparado possível, mas nunca o substitua pelo que é apenas bacharel, mestre ou doutor. Que nossos seminários tenham como professores, ministros que antes de tudo sejam pastores provados e bem sucedidos, para poderem realmente formar pastores, pois é de verdadeiros pastores que a Igreja necessita.
quinta-feira, setembro 13, 2007
O Pastor Ideal
1Tm 1.12: “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério”.
2Co 12.15: “Assim, de boa vontade, por amor de vocês, gastarei tudo o que tenho e também me desgastarei pessoalmente”.
1Pe 5.2: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir”.
1Tm 5.1-2; 4.12: “Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza” “...sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”.
Sl 23.1: “O Senhor é o meu pastor, de nada terei falta”.
At 20.17 e 28: “De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da Igreja de Éfeso. ...Quando chegaram ele lhes disse: ...Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a Igreja de Deus...”
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Um dos mais sublimes e preciosos privilégios que Deus nos dá, é o de pastorear as Suas ovelhas, nossos irmãos. Pois quando Ele faz isso, está confiando a nós o cuidado das Suas ovelhas, por quem Ele deu a própria vida.
Por isso mesmo Deus escolhe os que Ele quer para serem os pastores do Seu rebanho. O perfil desses pastores nós podemos encontrar retratado nas Escrituras, e é lá que temos de procurá-lo. Se quisermos traçar um perfil segundo o nosso próprio pensamento, vamos acabar fazendo uma caricatura e não um retrato do Pastor.
O primeiro que nos vem à mente é o Salmo 23: o pastor que está atento a todas as necessidades das ovelhas, sem exceção, para que nada lhes falte. Não só as de natureza espiritual, mas também as de natureza física, material, afetiva e psicológica. Todas as carências das ovelhas são da preocupação do verdadeiro pastor, ainda que este não seja capaz de supri-las todas; mas o pastor precisa ter consciência delas e interceder junto a Deus pedindo os recursos necessários.
O próprio Cristo é o exemplo do pastor verdadeiro. João 10 nos fala de alguns traços desse Pastor:
primeiro, é aquele que “entra pela porta”. Não é um intruso, não se faz de pastor entrando para o pastoreio por um modo ilícito, nem por motivação ilícita; ele é chamado por Deus, como vemos em 1Tm 1.12: Deus chamou Paulo e o pôs no ministério;
segundo, é o pastor que as ovelhas conhecem e reconhecem – Jo 10.3 – porque convive com as ovelhas, identifica-se com elas;
terceiro, “dá a sua vida pelas ovelhas”: ele as ama e as serve conduzindo-as com bondade, paciência e até com sacrifício; carrega em seus ombros aquela que está frágil, debilitada; põe sua vida a serviço das ovelhas, porque são ovelhas do Sumo Pastor, que confiou nele para cuidar delas. Neste texto Cristo faz um contraste entre aquele que é pastor e aquele que não é: o mercenário, ou assalariado (que trabalha pelo salário), que tira proveito das ovelhas em vez de servi-las com desprendimento, serve-se delas;
quarto, é altruísta e não egoista - 2Co 12.15 e 1Pe 5.2 - não o move a ganância pelo salário alto, até extorsivo, nem o domínio que possa ter pelo autoritarismo, pelo personalismo. O verdadeiro pastor respeita suas ovelhas, e a personalidade de cada uma; procura ajudá-las sem violentá-las. Nunca usa o seu cajado de pastor para espancar as ovelhas, mas sim para defendê-las;
quinto – 1Tm 5.l-2 - no trato com os irmãos é delicado, justo, carinhoso. Ora se porta como filho, ora como pai, ora como irmão, mas sempre carinhoso, sem confundir carinho com pieguice;
sexto – 1Tm 4.12 - ele é um praticante do ensino das Escrituras e não um teórico pernóstico, é “exemplo na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
Embora o ensino das Escrituras seja claro, há aqueles que formam seu próprio conceito de “pastor ideal”. Apontam qualidades que um pastor deve ter para cuidar bem do rebanho, como se essas qualidades fossem as essenciais, esquecendo-se daquelas que são ensinadas nas Escrituras, como vimos. Nesse esforço de traçar seu próprio perfil de pastor, falam mais de “líder” do que de servo. Acabam confundindo Igreja e Rebanho com uma empresa religiosa ou clube, uma organização puramente humana.
E então confundem Pastor com administrador. O pastor é, sim, um administrador, e esse é um sentido que tem o termo “bispo” = superintendente. Mas se o bispo não for também, e antes de tudo, um “ancião” dotado de maturidade e capacidade de amar como filho, irmão e pai, acabará sendo um empecilho para o crescimento espiritual e harmônico da Igreja; contribuirá para que ela seja empresa mas não igreja. Como Igreja ela poderá morrer, embora progrida como empresa; não é isso que o Senhor da Igreja quer.
Também destacam que o pastor tem que ser um mestre e doutor. E realmente o pastor deve ser mestre idôneo e competente, douto e não indouto, mas sê-lo para bem servir à Igreja e não para satisfazer seu narcisismo. Paulo, em Fp 3.8, lembrando que ele realmente era um fariseu e doutor, considerou essas coisas “como esterco, para que possa ganhar a Cristo”. O esterco é muito útil, mas a serviço do lavrador e não como um adorno. A vaidade torna estéreis e ridículas as pessoas que se deixam dominar por ela.
Finalmente, o pior que tem acontecido através dos tempos e acontece muito hoje, é deixar de cuidar da Igreja como Rebanho do Bom Pastor, e passar a administrá-la como empresa de onde retira o seu salário.
Quando isso acontece, esse “mestre” fala e ensina como o faziam também os fariseus. Sua ortodoxia é também farisaica, porque esquece que amor é um dos principais elementos da Lei; elemento sem o qual nada podemos fazer de bom.
Em resumo: a Igreja precisa de pastores, com muitas e diferentes qualidades: zelo, paciência, empatia, capacidade para amar a cada uma de suas ovelhas sem exceção, altruísmo, desprendimento, capacidade para administrar, fidelidade a Deus e às Escrituras, e sobretudo “ter alma de pastor” que Deus dá a quem Ele chama para esse ministério.
Vem à minha mente a lembrança de uma exortação feita pelo rev. Floyd Grady em Salvador, Bahia, num congresso nacional da mocidade presbiteriana: “Moço, se Deus o chamou para o ministério, por amor de Deus, venha! Mas se Deus não o chamou, pelo amor de Deus, não venha!”
Pastor é aquele que Deus chamou, capacitou e colocou nesse ministério.
Verifique honestamente se você está no ministério para o qual Deus o designou. Se não está, não seja um tropeço. Corrija sua posição enquanto há tempo.
quinta-feira, agosto 30, 2007
A Igreja e a Liderança
Líder não é sempre necessariamente o presidente, nem mesmo o pastor. Líder é aquele que, até involuntariamcnte, conduz os liderados: ele não precisa lutar pela liderança e impor-se aos demais. Esse é o verdadeiro líder, embora nem sempre seja um bom líder.
Tremenda, porém, é a responsabilidade do líder seja qual for o modo como se tomou líder. Ele pode conduzir o grupo a grandes vitórias, mas se não estiver suficientemente maduro, poderá leva-lo a derrotas. E se ele de algum modo lutou pela liderança, sua responsabilidade é dobrada.
Também acontecem casos de serem rejeitadas pessoas com condições de liderar melhor. Por exemplo, Isaías e Jeremias.
Na Igreja, dizíamos no início, há necessidade de vários líderes. Mas, porque se tratar de Igreja, não pode haver divisão e competição entre eles, mas sim, união e cooperação. O que está em jogo não é a posição de cada líder e o seu conhecimento como tal, mas é o trabalho e o sucesso ou o fracasso de toda a Igreja ou de parte dela.
Em todo grupo social - um país, uma empresa, uma familia ou igreja - é necessário diálogo, franqueza e lealdade entre os líderes, e entre líderes e liderados. Fora disso, há desunião, divisão, tristeza e derrota.
Um bom lema para todo líder é este: "Importa que Ele cresça e que eu diminua" - Jo 3.30.
segunda-feira, julho 02, 2007
Vocação Pastoral
Fico surpreso por estar, eu mesmo, preocupado – e muito – com o número enorme de pastores “sobrando” e outro tanto de candidatos ao ministério nos 7 ou 8 Seminários da I.P.B. O que devia ser motivo para satisfação, é motivo de apreensão
Houve um tempo, na Igreja, há cerca de 35 anos, que faltavam pastores e havia muitas vocações então chamadas “tardias”, de homens já experimentados no trabalho da Igreja, chefes de família, profissionais de diversas áreas: advogados, médicos, engenheiros, professores, evangelistas da J.M.N., aos quais a I.P.B. decidiu dar a formação teológica básica permitindo que os Presbitérios os examinassem e, aprovados, fossem ordenados para o ministério pastoral. Foram muitas dezenas, que supriram campos então carentes de pastores.
A I.P.B. tinha apenas 2 seminários – Recife e Campinas. Neles a preocupação era formar pastores e não apenas bacharéis.
A dúvida presente é esta: será que Deus tem chamado tantos jovens para depois deixá-los sem campos de trabalho? Estará Deus chamando tantos homens para se tornarem pastores improdutivos, que não fazem diferença, e ao mesmo tempo cooperem para que as Igrejas se tornem “mornas”, sem vida abundante, sem se empenharem na obra urgente da evangelização e formação de novas igrejas?
Creio firmemente que isto tem tudo a ver com o assunto da vocação, que precisa vir de Deus.
Um fato apresentado nas Escrituras é que Deus chamou os que Ele quis para serem os Seus profetas, os Seus juizes da Israel, os Seu apóstolos, os Seus pastores. Foi assim com Abraão (Gn 12), com Moisés (Ex.3), com Samuel (1Sm.3); com Isaias (Is.6), com Jeremias (Je 1), com Amós (Am.7.14-15), com João Batista (Lc 3.2-3), com os apóstolos (Mc 3.23), com Paulo (At.9.1-6 e 1Tm. 1.12), e com todos os referidos em Hb 11.
A ninguém que Ele chame, deixa na dúvida. “Deus me chamou”, “Deus me enviou”, é a certeza íntima dos vocacionados por Deus. Vocacionar vem do verbo latino “vocare” que significa chamar, como a viva voz, sem deixar dúvida.
Temo que muitos têm confundido seu próprio desejo como vocação divina. Deus não aceita isso. É emblemático o caso de Arão e Miriam – Nm 12.1-16. Deus tinha para eles um ministério muito importante, e a ele deviam dedicar-se sem se apoderarem de outro que Deus não lhes der – Nm 12.
Tenho visto muitos tornando-se ministros por decisão própria, de diferentes ministérios; o resultado é fracasso e prejuízo para a causa do Evangelho.
Nesta época de tão pouco temor de Deus no mundo, em que há tanta riqueza de um lado e miséria de outro; em que há tanto desemprego, a “tentação de ser pastor” parece que é um fato.
Relembro o apelo feito pelo missionário Floyd Grady, em um Congresso Nacional da Mocidade: “Moço, se Deus o chamou para o ministério, pelo amor de Deus, venha! Mas se Deus não o chamou, pelo amor de Deus, não venha!”
Pastor, se Deus não o chamou, não seja pastor, não dá certo!
(Rubens Pires do Amaral Osório, abril/2007)
quarta-feira, abril 18, 2007
O Cajado do Pastor
“A Tua vara e o Teu cajado me consolam” - Sl 3.4.
O grande Pastor de que fala o Salmo, é Deus (Jo 10.11-13). Ensina, porém, como devemos ser, como ovelhas e também como pastores. Quando Cristo diz “Eu sou o bom pastor”, apresenta-Se a Si mesmo como exemplo a ser seguido por aqueles que, como nós, por Sua providência foram colocados na posição de pastores.
Tanto a “vara” como o “cajado” eram instrumentos usados pelo pastor para proteção das ovelhas. O pastor tinha que saber usar um e outro contra o inimigo e sempre a favor da ovelha.
No ministério pastoral, cajado e vara simbolizam o uso correto das Escrituras, capacidade para defender “a fé uma vez dada aos santos” (Judas 3), amor às ovelhas e cuidado com elas (At 20.28), paciência para reconduzir aquelas que porventura se desviem (Gl 6.1), firmeza doutrinária para ensinar, admoestar e repreender (1Tm 4.12-13), sempre com aquele objetivo santo de conduzir ao “arrependimento” os que erram, de “despertar” os que estejam sendo enganados (2Tm 2.24-26), e para isso ser “manso para com todos”.
Logo, conclui-se que o pastor fiel não pode ser iracundo com os membros da Igreja, impaciente e incapaz de ouvir suas dúvidas, queixas e lamentos. 1Tm 5.1-2 nos exorta à correta postura.
Uma tentação que sofremos, como pastores, é a de ajuizar, dizendo que aqueles que estão “criando problemas”, especialmente quando não concordam conosco em alguma coisa, “não são ovelhas, são bodes”, e então as espancamos.
Já sofri essa tentação. Pedi a Deus que me desse paciência e não me permitisse usar as próprias Escrituras como vara para espancar as ovelhas que se mostravam rebeldes.
Uma das maiores bênçãos que podemos pedir e receber de Deus é a de amar nossos irmãos que Deus nos deu como ovelhas. Como é bom ganhá-las pelo amor, pela paciência e pela persistência em amá-los! Sem fazer concessões, nem doutrinárias nem morais.
Mas, creio que muitas vezes falhei e meus colegas também.
Irmãos nossos se queixam amargamente de serem tratados com rispidez, desprezo e total desapreço, por pastores e líderes que invocam sua “autoridade” eclesiástica para assim tratarem aqueles que ficaram sob seus cuidados pastorais.
O cajado do pastor não pode ser usado para esbordoar as ovelhas. Um verdadeiro pastor não faz isso.
segunda-feira, junho 19, 2006
O Pastor e a Visitação
Visando o preparo dos pastores para uma visitação eficiente, o currículo de nossos seminários contém uma matéria importante: Teologia Pastoral, além de elementos de Psicologia.
A Constituição da Igreja também dá aos demais oficiais - diáconos e presbíteros - a incumbência de visitar, participando de alguma forma do pastoreio do rebanho. Veja também Atos 20.28.
Será muito conveniente que o pastor também instrua os oficiais da Igreja para tão importante serviço. Fazerem visitas juntos será, certamente, muito bom no aspecto de resultados práticos e de treinamento dos oficiais.
Mas é fora de dúvida que, muitas vezes, convém que o pastor faça sozinho determinadas visitas, pelo cuidado especial que elas demandam, ou pela gravidade dos assuntos e até o sigilo que convenha haver. Nem todos estão devidamente preparados para tratar com os membros das igrejas nessas ocasiões. Uma colocação menos prudente ou uma palavra menos cuidadosa pode causar um transtorno.
Duas coisas serão testadas nessas situações: a capacidade do pastor no encaminhamento de soluções dos problemas, e a confiança dos oficiais no pastor. Estes estarão colaborando com o pastor, como ensina a Constituição da Igreja, fazendo junto com ele a visita, ou deixando-o só, conforme a conveniência, a juízo do próprio pastor, sem negligenciarem o seu dever de visitarem; orando pelo pastor, por todo o seu trabalho e pelo seu aperfeiçoamento operado pelo Espírito Santo.
Sobretudo, todo trabalho deve ser feito com temor e tremor, orientado pelo Espírito Santo, para que não seja feito “relaxadamente”.
Havendo cooperação mútua, humildade tanto do docente como dos que aprendem com ele; havendo, tanto de uns como de outros, real interesse e amor pelo rebanho, o Reino de Deus ganhará muito na realização do ministério da visitação.
Presbíteros, confiem em seu pastor. Pastor, conquiste a confiança de seus irmãos e ovelhas, e colaboradores também.