Durante + de 50 anos de ministério, o pastor Rubens Pires do Amaral Osório reuniu grande quantidade de escritos para sermões, aulas em Escola Dominical e Seminários. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, aos 83 anos, mora hoje em Sorocaba - SP. com sua esposa M. Aparecida. Tem dois filhos e quatro netos.
quarta-feira, novembro 02, 2016
Notícias do pastor Rubens Osorio
Ambos estão vivos, mas não estão bem.
Minha mãe, com quase 87 anos, sofre as sequelas de um AVC que a atingiu há mais de dez anos. Está acamada, não fala, nem se movimenta - fruto de uma paralisia do lado esquerdo - e alimenta-se por sonda naso-gástrica, mas está sendo bem tratada, não sente dores e, aparentemente, não está deprimida. Sua diabetes tem sido difícil de controlar, e sua saúde é mantida através de vários medicamentos.
Meu pai, que completará 90 anos em 2017, sofre bastante os efeitos progressivos do Mal de Parkinson que o atinge há mais de 15 anos. Não consegue andar sem ajuda de alguém, tem dificuldades para falar, sua memória, tanto recente quanto antiga, está muito fraca. Parou de fazer suas leituras diárias (jornais, Bíblia) e parou de escrever pela dificuldade de concentrar-se. Para ele, manter uma conversa é difícil porque não consegue fazer o encadeamento de pensamento. Está muito deprimido. Sua saúde geral é boa, apesar da doença, exceto por um problema de retorno linfático, que tem causado um inchaço incômodo na parte inferior das pernas e tem exigido medicamento específico.
Ambos residem em uma excelente clínica de tratamento de idosos, de propriedade de um médico geriatra, professor da faculdade de Medicina local.
Agradeço o interesse e amizade demonstrado pela pessoas que escrevem e/ou telefonam. Alguns pensam em fazer uma visita. Caso desejem, serão bem-vindos, mas pouco significará para eles, em virtude da memória enfraquecida.
Obrigado,
Rubens Osorio (o filho)
terça-feira, julho 06, 2010
Em visita ao pastor
quarta-feira, junho 02, 2010
240 por 50 em 50
Mais do que eu pude imaginar quando comecei a postar os estudos do meu pai, há exatos 50 meses.
sexta-feira, maio 07, 2010
Pelo Dia das Mães, um poema de mãe
quinta-feira, março 18, 2010
Hiato
Em breve as postagens de textos e estudos voltarão ao seu ritmo normal - às terças e sextas.
Obrigado pela compreensão!
terça-feira, dezembro 15, 2009
Escribas e Fariseus de hoje
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Conversões dramáticas e notáveis - 2
Outro caso interessante foi o de um homem que batizei na “Casa de Detenção” do Carandiru – SP.
Eu era ainda pastor novo, da Igreja P. Ebenezer, no bairro de Santana, próximo ao Carandiru. Um dia fui procurado pelo evangelista que trabalhava na Casa de Detenção. Havia lá um velhinho que queria ser batizado. Fui, e ele me contou sua história.
Era viúvo, aposentado, vivia em sua própria casa, com a filha e o genro; “não precisava de Deus”, disse-me ele. Um dia, discutiu com o genro, ficou irado, pegou uma espingarda e matou o genro com um tiro. Foi preso e lá estava, na “Casa de Detenção”. Começou a ouvir programas evangélicos pelo radio. Converteu-se e agora queria ser batizado. Orei com ele e prometi dar-lhe uma resposta.
Procurei o rev. Avelino Boamorte, capelão evangélico da Penitenciária do Estado, também no Carandiru. Disse-me que ele não costumava batizar ninguém na cadeia, pois havia casos em que a pessoa se dizia convertida para receber o benefício da comutação da pena. Uma vez solto, voltava ao crime. “Mas, neste caso, eu batizaria”, concluiu.
Falei com o diretor e ficou marcado o dia do batismo. Foi montado um palanque, com microfone e alto-falante, e puderam ir ao culto os presos que quisessem. Comigo no palanque, o rev. Avelino, o evangelista e o novo convertido. Batizei-o.
O advogado desse irmão conseguiu que ele fosse transferido para o “Manicômio Judiciário”, em Franco da Rocha, que oferecia a ele uma ambiente melhor. Lá lhe fiz a última visita. Tenho guardado uma fotografia do batismo...
terça-feira, dezembro 08, 2009
Conversões dramáticas e notáveis - 1
Sou testemunha de algumas conversões notáveis por ter conhecido seus personagens.
Narciso Lemos foi ex-cangaceiro de Lampião. Conheci-o quando eu era seminarista em Campinas, há mais de 60 anos.
Ele estava no seminário, e uma pequena roda de seminaristas o cercava. Contou-nos sua vida.
Foi cangaceiro de Lampião. Quando este foi morto, o bando se dispersou e ele fugiu para a cidade de Santos – SP, onde continuou sua vida de crimes. Ali cometeu seu 14. assassinato: amasiou-se com uma moça, contrariando a vontade do pai dela, e só para lhe fazer desaforo, alugou uma casa bem em frente ao sogro. Uma noite acordou com um grito da moça e viu o pai dela prestes a matá-lo com um punhal. Defendeu-se, teve um dedo decepado, mas lutou, tomou a arma e matou o pobre homem. Narciso era alto e forte.
Ainda em Santos, encontrou-se um dia com um antigo companheiro de cangaço; logo convidou-o para assaltarem juntos. Ficou decepcionado quando o amigo recusou o convite pois disse que agora era “crente”. Odiou-o, mas aceitou o convite para irem ao culto naquela noite; planejou matá-lo no caminho para a igreja batista de Vicente de Carvalho, que fica entre Santos e Guarujá. No caminho, resolveu matá-lo na volta. Não entrou na templo, mas ficou na porta. Deus agia: ouviu a mensagem e converteu-se!
Tornou-se colportor: vendedor de Bíblias e livros evangélicos. Evangelizou nas casas e nas igrejas. O pastor batista Erodice de Queiroz escreveu uma biografia de Narciso Lemos com o título: “Porque deixei a indústria do crime”.
(continua)
sexta-feira, novembro 27, 2009
Memoráveis Batismos
O primeiro foi o que tive o privilégio de realizar na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. O batismo foi de um velhinho de 74 anos que se converteu na prisão ouvindo programas evangélicos pelo radio.
O segundo foi de um menino de apenas meses de vida, filho de um presbítero; o pequeno sofria paralisia infantil, estava em um hospital. Fui visitá-lo, e a mãe, criada no catolicismo temia que o menino morresse sem ser batizado e fosse para o “limbo”. O pai estava tranquilo. Expliquei-lhes que segundo o ensino bíblico, a criança que morresse estava salva (Mc 10.14), pois não havia alcançado ainda a idade da responsabilidade. Após, batizei-a, pois nada impedia que o fizesse. A mãe ficou tranquila e a criança recebeu o batismo a que tinha direito.
O terceiro foi de um ancião, pai de uma senhora que frequentava a igreja. Durante algum tempo ele frequentara também, mas não se batizara. Agora, muito doente, idoso, podia mesmo morrer. Em uma de minhas visitas disse-me que queria ser batizado. Declarou com convicção sua fé em Cristo. Também não tive dúvida, batizei-o na cama mesmo e dias depois faleceu. Lembrei-me do eunuco da rainha Candace, que Felipe, o evangelista, batizou ainda na estrada – At 8.26-38. A salvação não dependia do batismo, mas aquele que crê deve ser batizado - Mc 16.15-16 - e os filhos dos crentes também, pois o batismo com água substitui a circuncisão, que era feita em todo menino aos oito dias de vida; nisso o batismo com água é superior à circuncisão, pois também é ministrado às mulheres. Alegrou-se o idoso por ter dado testemunho da fé, a família dele alegrou-se, e antes disso devem ter-se alegrado os anjos no Céu “por um pecador que se arrepende”.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Postagens
quinta-feira, maio 28, 2009
Um relatório pastoral - 1987
Peço licença aos leitores deste blogue para apresentar um documento que encontrei em meio aos estudos e textos escritos por meu pai. Trata-se de um relatório de atividade pastoral que ele apresentou ao seu presbitério - o Presbitério Oeste Paulistano, da Igreja Presbiteriana do Brasil - em janeiro de 1988. Faço isso porque dá uma boa ideia de qual fosse a atividade pastoral de meu pai naqueles tempos, aos 60 anos de idade.
Com alegria e gratidão a Deus presto este Relatório, no 35o. ano do meu trabalho ministerial. Senti muito de perto a mão de Deus a sustentar-me, como no passado, mas de forma muito clara e confortadora neste ano que se finda.
Um ano eclesiástico de 11 meses, porque a última reunião do Presbitério foi em fevereiro passado, e esta em janeiro.
Ano muito pesado e de difíceis provações em decorrência de resoluções do Presbitério, que me atingiram pessoalmente, e de aperto financeiro decorrentes do "salário" a mim destinado pelo Presbitério nos 5 primeiros meses do ano. Mas o Senhor mesmo me sustentou e me livrou de todas as aflições.
De janeiro a dezembro pastoreei a I. P. Bom Pastor (Osasco, SP) com a congregação na Cohab (Carapicuiba, SP), e de junho a dezembro também a I. P. Belém (Carapicuiba, SP). Foi para mim um privilégio e um refrigério espiritual pastorear estas igrejas, onde o Senhor me concedeu muitas e grandes alegrias. Trabalho intenso, que às vezes chegava ao limite de minhas energias.
Estatisticamente o trabalho pode ser assim resumido:
1- Pregações - 134: nas igrejas - 115; em casas particulares - 4; em outras igrejas, como convidado - 6; em ofícios fúnebres - 6; em ocasiões especiais - 3.
2- Visitas pastorais em casas e hospitais - 146.
3- Reuniões diversas - 29.
4- Atos pastorais - 51: Santa Ceia - 30; batismos - 10; Profissões de Fé - 5; Ofícios fúnebres - 6.
5- Aulas - 53: Escola Dominical - 48; classe de Catecúmenos - 5."
Infelizmente não achei a sequência do relatório, no qual ele com certeza faz uma crítica do trabalho realizado e propõe seu plano para o ano. Mas creio que o leitor pode perceber que o trabalho pastoral era intenso e variado. Na pŕoxima semana voltaremos aos estudos.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Tempo
Tempo
Deus pede estrita conta do tempo.
Forçoso desse tempo já dar conta.
Mas como dar conta em tempo,
Eu que perdi sem conta tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo,
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta e falta tempo.
Ó! vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis em vão o vosso tempo
(Em passatempo).
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Mas, ah! Se os que contam com esse tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não chorariam sem conta
O não ter tempo.
terça-feira, dezembro 16, 2008
Edição extra: 58 anos... casados!!!
“Uma vida inteira!” nos dizem muitos. São poucos o que recebem tal bênção de Deus.
Foi uma vitória tranqüila, sem lutas e lágrimas? Não.
Valeu a pena tanta fidelidade, tanta persistência, tanto altruísmo, tanta renúncia? Sim!
Olhar para o passado e não ter motivo para sentir vergonha, as tentações que foram vencidas com o socorro do Espírito Santo; as deficiências supridas pela providência de Deus; tudo isto acompanhado de santas alegrias e o sentimento de vitórias grandes, consistentes e definitivas, coroam nossas vidas.
Filhos e netos, embora poucos, com famílias bem organizadas em bases cristãs; igrejas e irmãos que juntos – Maria Aparecida e eu – pastoreamos sem fazer concessões de ordem moral e espiritual, vivendo com modéstia e ambos com muito trabalho, esforçando-nos para sermos “imitadores” de Cristo e de Paulo. Tudo isso nos traz consolo e paz, nestes dias de “idade avançada” (78 e 81 anos). Ela, com seqüelas grandes de um AVC (acidente vascular cerebral), há pouco mais de 4 anos; eu, que me tornei “sedentário forçado” para cuidar dela. Dar testemunho de tudo isso, com graças a Deus, é o que tenho procurado fazer nestes “dias maus” (Ef 5.16).
Com tristeza vejo a “Igreja gloriosa” (Ef 5.27) em risco, invadida pelo mundo paganizado. Pregações superficiais, carreirismo mercantilista permeando o ministério – “nuvens sem água, árvores murchas, infrutíferas... (Jd 12 e 13).
Vejo a necessidade de, com urgência, a Igreja cuidar das crianças, dos adolescentes e jovens, alertando os pais quanto à erotização organizada que compromete a família, instituição divina. meninas e jovens tornam-se “prostitutas amadoras” de seus sucessivos namorados; cresce assustadoramente o número de lares desfeitos e de filhos rejeitados desde o ventre materno, à mercê de traficantes e outros malfeitores.
A Igreja precisa com urgência tratar desse assunto com pais e filhos. “Evangelho sem Ética não é Evangelho.”
Essa é a nossa luta, hoje. Que Deus nos sustente e use, conforme a Sua vontade, sábia, santa, perfeita e suprema.
S. J. dos Campos, 13/12/2008
Rubens Pires do Amaral Osorio
quinta-feira, setembro 11, 2008
Atendendo pedido
Pastor Giovani,
Gostei de você se apresentar como Pastor Giovani. Sempre estranho quando um colega se apresenta como “Rev.” Fulano. “Pastor” é mais honroso, bíblico; “Reverendo” é mais formal, mais eclesiástico.
Pode parecer estranho, mas a esta altura tenho gostado de falar e escrever, não do que sou e do que eu tenho feito, mas de “o que Deus tem feito” por mim.
Creio que estou na média dos pastores, mas “Deus tem feito grandes coisas por nós” (Sl 126.3).
Sou crente e presbiteriano desde menino; nunca deixei a Igreja, professei a fé ao 16 anos, já ativo na UMP e na Escola Dominical. Aos 18 anos fui claramente chamado por Deus para o ministério. Tive bons pastores que só me deram bons exemplos. Estudei no Seminário Presbiteriano do Sul - em Campinas - e trabalhava 4 a 5 horas por dia no Centro de Saúde de Campinas, pois já estava noivo e pretendia casar-me logo; realmente casei-me no final do 2º ano teológico. Terminei o curso em 1952, fui licenciado em 1953 e ordenado em 1954. Parece que fui bom aluno no Seminário.
Pastoreei cerca de 17 igrejas, em 52 anos. Em minha 1ª Igreja estive 8 anos, mas nesse período pastoreei também outras. Em outras igrejas fiquei de 1 a 14 anos. Foi uma grande experiência pastorear igrejas recém-organizadas ou antigas, e de diferentes portes.
Outra grande experiência foi a de ser missionário da Junta Missionária de meu presbitério na Grande São Paulo, por 6 anos, na década de 60. A J. M. iniciou pelo menos 6 Congregações, adquiriu 7 terrenos, onde hoje há 7 Igrejas.
Dediquei-me também a serviço social da Igreja. Em Carapicuiba, com uma creche e outros serviços: O CEPHAS – Centro Presbiteriano Humanitário de Ação Social – e uma Congregação no mesmo local, onde estive por 17 anos, enquanto pastoreava também outras igrejas.
Outra experiência notável e gratificante foi a de ser professor do Curso Intensivo de Teologia, em Campinas, pelo qual passaram 216 pessoas maduras, na maioria homens que se tornaram pastores e várias senhoras, inclusive esposas de pastores.
Outra preciosa experiência foi a de ser Capelão Evangélico da União dos Escoteiros do Brasil, na Região de S.Paulo e chefe de escoteiros e lobinhos por cerca de 8 anos, e depois usando o método do Escotismo no trabalho com crianças e adolescentes de diversas igrejas em que estive, promovendo acampamentos e acantonamentos com o método do Escotismo. Até hoje julgo que esse método – com reuniões semanais e acampamentos em barracas - devia ser adotado por nossas igrejas, usando a mesma Lei, a mesma Promessa e a literatura do Escotismo.
Também fui professor da rede estadual de ensino, por 11 anos, num tempo em que o Presbitério não tinha recursos para sustentar os pastores. Dei aulas de Educação Moral e Cívica (uma boa oportunidade que tive para atuar como pastor), História e Psicologia.
Em 2/11/2004 minha esposa, então com 74 anos, sofreu um extenso derrame cerebral. Precisei, então, passar a cuidar dela com tempo integral. Desde então, saí de S. Paulo e prego e dou aulas na Escola Dominical de quando em quando, como também tenho feito alguns casamentos. Escrevo quanto posso e ponho à disposição de irmãos e igrejas os escritos, inclusive algumas apostilas sobre diversos assuntos.
Estou casado com Maria Aparecida há 58 anos; sou hoje pastor exclusivo dela, e ambos esperamos na providência de Deus, tendo “o desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”.
Foi uma prazer corresponder-me com você.
Seu irmão em Cristo, Rubens Pires do Amaral Osório, 10/8/08
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Pausa
A partir da Páscoa, retornaremos as postagens semanais, às quintas-feiras.
Obrigado pela compreensão.
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Intervalo
Agradeço aos mais de 200 leitores semanais deste blog, pela atenção nestes 20 meses de sua existência com mais de 80 posts.
Se Deus permitir, continuaremos a publicar semanalmente, às quintas-feiras, os estudos do meu pai Rev. Rubens Osorio.
Obrigado!
sexta-feira, setembro 07, 2007
Garcia das Sete Orelhas
Januário Garcia, no tempo ainda do sertão paulista, talvez lá pelas bandas da atual Altinópolis (SP), possuía uma fazenda com seu irmão.
Vizinha de sua fazenda, outra fazenda de uma famílía de sete irmãos. Animais dos Garcia passando para as terras vizinhas foi o motivo para a desavença entre as duas famílias.
Um dia os "sete irmãos" prenderam e mataram com maldade um dos Garcia: amarram-no a uma árvore e tiraram-lhe o couro cabeludo.
Januário, o sobrevivente, jurou vingança. Bom atirador, saiu de casa à caça dos sete, que se dispersaram. Um a um, através de anos, foram sendo encontrados e mortos. De cada um, Januário cortava uma orelha e a prendia a uma fieira.
Passaram-se os anos e nem, a família tinha noticias de Januário; foi dado como morto, finalmente. A esposa, considerando-se viúva, casou-se outra vez.
Um dia, à tardinha, Januário andava por uma estrada, quando resolveu pedir pouso em um ranchinho ali existente. O morador era apenas uma velhinho que acolheu de boa vontade o andarilho desconhecido.
A noite começaram a conversar. O hospedeiro contou sua vida, inclusive como ele e seus seis irmãos mataram o vizinho Garcia. Sabia que seus irmãos já haviam sido caçados e mortos por Januário.
Quando terminou, Januário lhe perguntou solenemente: "Ó velho imprudente, por que me contaste tua história?
"Por que?” - perguntou atônito o hospedeiro.
"Porque eu sou Januário Garcia!"
O velhinho caiu de joelhos e implorou: "Pelo amor de Deus, não me mate!".
Januário se comoveu e estabeleceu um jeito de resolver o problema: "Você foi bom para mim, me deu pouso e comida. Vou lhe dar uma oportunidade: amanhã bem cedo, quando o dia clarear, eu fico na porta, você conta cem passos e sai correndo; eu dou um tiro só. Se não acertar, você estará livre".
Certamente nenhum deles conseguiu dormir nessa noite. Quando o dia clareou os dois se postaram junto à porta. O irmão remanescente saiu contando os cem passos e correu. Garcia deu um tiro, o outro caiu. Garcia cortou a orelha do morto, enfiou-a na fieira.
Iniciou, então a volta para a casa.
Um dia, Januário, enquanto voltava, passou por uma fazenda, faminto. Bateu palmas na casa da fazenda, a dona atendeu mal humorada. "A senhora me dá um prato de comida?" Respondeu ela: “não tenho nada pra lhe dar, não!" "Então, por favor, faça um prato de sopa para mim com isto", e estendeu-lhe a fieira com as sete orelhas. Atônita, ela gritou "Nossa! Espere um pouco!" e entrou correndo. Pouco depois voltou e deu-lhe uma mesa farta.
Finalmente Januário voltou para casa. A noticia de seu retorno chegou primeiro. O novo marido de sua mulher, "deu no pé" e sumiu.
Os Garcia deixaram muitos descendentes; os mais antigos contavam essa história, como eu agora conto também. Meu pai a contava como fato acontecido. Quem pode duvidar?
quinta-feira, julho 26, 2007
Enfim...

Não estou surpreso, pois pertenço a uma família de muitos longevos: meu avô paterno, 96 anos; meu pai, 94; minha mãe, 76; minha avó materna, 86; o caçula do 1º casamento de meu pai, 83; meu único irmão vivo tem 83, e agora eu com 80 anos!
Há anos comecei a preparar-me psicologicamente para “ficar velho”.
Não é nada ruim, acredite. Boa saúde, apesar das limitações da senilidade - andar bastante, correr pouco se puder, sem forçar; guiar o carro mas com cuidado redobrado; não estranhar nem se aborrecer quando esquecer que dia é do mês ou da semana, e assim muitas outras marcas da idade provecta.
Conforta-me e anima-me saber que um Oscar Niemeyer, com muito mais idade, ainda é um arquiteto notável, em atividade; que pastores evangélicos, na casa dos 80, ainda são úteis à Igreja. E também lembrar-me que Moisés aos 80 anos foi chamado por Deus para iniciar sua grande tarefa; que o apóstolo João, na idade senil, escreveu suas cartas e o Apocalipse.
É importante sabermos de nossas limitações e ter consciência realista do que ainda somos capazes, para não aceitarmos ser inválidos enquanto podemos fazer alguma coisa boa. Também não se aborreça se alguém quiser limitá-lo.
Aí se completam e não se contradizem os Salmos 90 e 92. O Salmo 90 diz “A duração de nossa vida é de 70 anos, mas se alguns pela robustez chegam a 80, o melhor deles é canseira e enfado” - fala do homem em geral. O Salmo 92 diz do servo do Senhor: “O justo florescerá como a palmeira... Os que estão plantados na Casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes, para anunciarem que o Senhor é reto”.
Cabe a Deus, e não a nós marcar, os limites, seja a duração de nossa vida, seja a ocupação que nos dá, até o final.
Como é bom envelhecer assim! Promete Deus, através do Salmo 128.6: “Verás os filhos de teus filhos...” (os netos que tenho) “...e a paz sobre Israel”; por essa paz verdadeira lutamos até o fim.
Esteja preparado para viver muito, se Deus quiser; sempre servindo-O com alegria.
S. José dos Campos, 31 de maio de 2007
terça-feira, abril 18, 2006
Poesias
Maria Aparecida de Lima Osório
“Disse Jesus: A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” - Mat 26.38
“Estando angustiado, Ele orou mais intensamente; e o seu suor era como gotas de sangue que caiam no chão” - Luc 22.44
Num horto ermo,
Além do vale,
No cair da tarde,
Sozinho
Jesus sofre.
E o Seu sofrimento
Se traduz
Em súplica,
Em sangue,
Em agonia.
Prostrado, ora
O cálice da amargura
Penetra Seu ser.
O suor é sangue,
Sangue divino,
Vida que se esvai.
Pai, o Filho amado sofre
A angústia do mundo,
O terror do pecado,
A dor da maldade,
Da indiferença,
Da traição.
Meu Senhor sofre.
- . - . - . - . - . - . - . - . - . - . -
Sorrir
Maria aparecida de Lima Osório
Se um dia eu quiser sorrir
Mas não sentir
A beleza do céu,
Do mar,
Das aves,
Das flores.
Se um dia eu quiser sorrir
Mas não sentir
O calor dos amigos,
Dos filhos,
Dos netos,
Meus amores.
Se um dia eu quiser sorrir
Mas não sentir
A alegria da atenção,
Da paciência,
Do carinho
De um amor.
Se um dia eu quiser sorrir
Mas não sentir
A certeza da fé,
Da esperança,
Da salvação
No Senhor.
Não devo sorrir.
Não será um sorriso
Mas um gesto vago,
Sem sentido,
Sem valor.
- . - . - . - . - . -. – . - . - . - . -
Ao Deixar um Emprego Antigo
Maria Aparecida de Lima Osório
Agosto/97
No dia em que eu partir,
Quero reunir
As folhas da primavera
Que guardei no outono
Na arca-das-lembranças.
Quero reunir
As frases de amigos
Que guardei, sorrindo,
Na caixinha-de-música.
E as muitas horas tristes, feias,
De dor e sofrimento cheias,
De inimigos – ou falsos amigos –
Não as terei para guardar.
Grandes, pesadas, imensas,
(Por que maiores do que as outras,
aquelas dos amigos meus?)
Não tive forças para retê-las
E as entreguei a Deus.
Eu as encontrarei nos céus.
Então estarão leves, belas,
Transformadas pelas mãos de Deus.
- . - . - . - . - . - . - . - . - . - . -


