quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Lições Bíblicas - 9c

3. O CULTO - Culto é o ato específico de adoração a Deus. Pode ser particular ou coletivo; este em pequeno grupo como no culto doméstico, numa reunião de poucas pessoas ou o culto público, de muitas pessoas. Pode realizar-se em qualquer lugar: em nosso quarto, num comodo de uma residência, no templo de uma Igreja, ao ar livre, numa escola ou numa prisão.

O culto é o nosso relacionamento direto com Deus, ocasião em que O adoramos.

Como podemos realmente adorar o Senhor. Esta é uma questão séria, fundamental, pois é certo que a maioria das pessoas, embora o queiram, não conseguem adorar o Senhor porque não o fazem como Ele requer. Cristo nos ensina a maneira correta. Vamos estudar o assunto para que não nos iludamos realizando atos que não O agradem.

Em João 4, no diálogo com a samaritana, Cristo nos ensina que não há um lugar único onde possamos adorá-Lo ou onde não possamos adorá-Lo - v. 21. Ensina-nos, ainda, que é “em espírito e em verdade” que haveremos de adorá-Lo, isto é, o culto espiritual, de alma para alma, sem depender de coisas materiais, e em verdade - culto sincero, real, com base na Verdade que é Cristo e Sua palavra.

Do que consta o culto é outro ponto importante: oração (diálogo com Deus), cântico, confissão de pecados, leitura da Palavra de Deus e meditação sobre ela, e ainda a consagração do adorador ou sua resposta à mensagem enviada por Deus através do culto.

Alguns textos bíblicos são muito ricos sobre o assunto: Ex 3.1-6; Ec 5.1-5; Is 6.1-8; Jo 4.20-24. Leia-os todos, observe-os bem.

Neles encontramos estes elementos: reverência e respeito, mais disposição para ouvir do que para falar, falar com Deus de maneira inteligente, com humildade e submissão, e oferecer-se para o serviço de Deus. Ordem é outro elemento importante do culto, ensinado por Paulo em 1Co 14.26-40, com ênfase nos vs. 26 e 40: "faça-se tudo para edificação", “faça-se tudo com ordem". Aí estão alguns princípios bíblicos para orientar nosso culto.

Infelizmente, nos dias atuais, tem-se dado, no culto, mais tempo aos cânticos do que à Palavra, especialmente em igrejas neo-pentecostais; esse modismo se introduz também em outras igrejas. É um assunto importante e delicado. A Palavra de Deus deve ter um lugar especial e preponderante no culto cristão. Os cânticos , sejam hinos ou outros, devem estar transmitindo, também, ensinos bíblicos ou, pelo menos, nunca deverão chocar-se com o ensino das Escrituras, por mais que possam agradar ao "gosto" dos presentes ao culto.

É de todo conveniente que a ordem de cada culto seja estabelecida em torno do assunto que se vai tratar no sermão ou estudo a ser feito. Será, digamos, uma liturgia temática, em que todas as partes do culto se relacionem com o assunto escolhido pelo pregador, seja evangelização, gratidão, ou uma determinada doutrina, para que no culto todo haja uma unidade, um objetivo a ser alcançado com mais eficiência. O culto não deve ser como uma "colcha de retalhos".

Para ser forte em sua fé e manter-se fiel a Cristo todo cristão precisa viver em comunhão com Deus e prestar-Lhe culto todos os dias e não negligenciar sua participação no culto público com a Igreja. O culto é o ponto alto da vida da Igreja e de cada cristão.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Lições Bíblicas - 9b

2. OS SACRAMENTOS ou ORDENANÇAS - As cerimônias religiosas que se tem chamado de sacramentos ou ordenanças são as instituídas por Nosso Senhor Jesus Cristo: o Batismo e a Ceia do Senhor ou Santa Ceia.

No dizer de Santo Agostinho, sacramentos "são sinais visíveis de graças invisíveis".

O Batismo já foi tratado na 1a lição desta série. Por isso nada vamos acrescentar.

A Ceia do Senhor ou Santa Ceia é um memorial ou comemoração da morte de Jesus Cristo, esta realizada para expiar nossos pecados, isto é, para pagar à Justiça Divina pelos nossos pecados. Segundo o ensino de Is 53.4-5, o Messias - "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", no dizer de João Batista, tomou sobre Si nossos pecados e culpas, com as conseqüências do pecado (“salário do pecado é a morte” - Rm 3.23) e por isso "foi levado ao matadouro" para nos trazer a paz do perdão e da reconciliação com Deus. Paga a dívida de cada um de nós, temos paz com Deus.

Cordeiros já eram oferecidos em sacrifício a Deus, desde os dias de Abel; e quando Deus, através de Moisés, instituiu as leis sobre o culto judaico, escolheu o cordeiro como o principal dos animais a serem oferecidos em expiação pelos pecados do povo. "Sem derramamento de sangue não há remissão", diz Hb 9.22. Logo após o primeiro pecado de Adão e Eva, Deus sacrificou animais para fazer com suas peles túnicas para vesti-los. A morte desses animais certamente chocou o casal, e com isso Deus mostrou-lhes que o pecado é algo grave, que traz conseqüências sérias e tristes.

Evidentemente os animais sacrificados no culto judaico eram apenas símbolos de Cristo, Aquele que um dia ofereceria a Deus o sacrifício que poderia ser real e não simbólico, para satisfazer a justiça divina. Sendo homem, perfeitamente sem pecado, infinito e eterno juntamente com o Pai e o Espírito Santo, Jesus Cristo, e só Ele, ofereceria a Deus o sacrifício perfeito, de valor infinito e eterno, suficiente para cobrir os pecados de todos os seres humanos, com os quais Ele se identificou quando encarnou e como homem viveu, morreu e ressuscitou - Hb 4.14-16; 5.9; 7.23-27; 9.24-28. Leia, ainda, Hb 10.4 - "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados". Os animais e os sacrifícios eram apenas símbolos.

Na instituição da Ceia Jesus serviu o pão como símbolo de Seu corpo e o vinho como símbolo de Seu sangue ou da Nova Aliança ou Novo Pacto no Seu sangue - Mt 26.26-30; Mc 14.22-26; Lc 22.19-20. João apenas faz uma referência à Ceia que se realizara (Jo 13.2). Em 1Co 11.23-32, Paulo repete a narrativa da instituição da Ceia e faz comentários sobre nosso preparo para participarmos da Ceia, bem como sobre o seu significado, os benefícios espirituais por participarmos dignamente e as conseqüências de alguém participar indignamente: "come e bebe para sua própria condenação... será culpado do corpo e do sangue do Senhor", isto é, não recebe o perdão que receberia se se reconciliasse com Deus através do auto-exame e do arrependimento.

A Ceia é um meio de graça porque quando participamos dela, reafirmamos nossa fé em Cristo e a certeza de Sua volta em glória. A reconciliação e a reafirmação de nossa fé nos fortalecem.

Nenhum dos sacramentos tem em si mesmo algum poder, como de um ato mágico, capaz de realizar algum prodígio. Biblicamente não existe "regeneração batismal" ou regeneração pelo batismo, tal como pregam algumas religiões e seitas, nem salvação como conseqüência do batismo, nem perdão porque participamos da Ceia. Esses são conceitos fetichistas, pagãos, que atribuem aos atos religiosos um poder inerente a eles.

Precisamos também saber e lembrar que Cristo não está presente nos elementos da Ceia, nem física nem espiritualmente. Os elementos pão e vinho (ou suco de uva) são apenas símbolos sem nenhum poder intrínseco, assim como a água do batismo é também símbolo de pureza e purificação, mas não lava nossos corpos nem nossas almas. não podemos confundir os símbolos com as realidades simbolizadas.

As crianças que ainda não tenham condições de professar conscientemente a fé cristã, de maneira responsável, também não podem participar da Ceia porque ainda lhes faltam as condições para realizar aquele exame ensinado e requerido pelo apóstolo Paulo em 1Co 11.28-29.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Lições Bíblicas - 9a

9a lição - OS MEIOS DA GRAÇA



São assim chamados os recursos que Deus nos dá para que, usando-os diligentemente, estejamos sendo ativos no processo de santificação realizada pelo Espírito Santo. São vários esses recursos: a oração, os sacramentos ou ordenanças, o culto, o serviço cristão, e a Palavra de Deus.

l. ORAÇÃO - é um diálogo com Deus. Nela abrimos nosso coração e nossa mente para expor a Deus o que pensamos, sentimos e desejamos. Define o catecismo presbiteriano: "Oração é o santo oferecimento de nossos desejos a Deus". Se são santos, não são egoístas.

Não deve ser entendida como o momento em que expomos a Deus a lista de nossas necessidades. Nem devemos imaginar que nossas orações são em si mesmas um poder para mudar as coisas e os acontecimentos, muito menos como meios de mover a Deus ou mudar a vontade dEle. Esses conceitos de oração não são bíblicos, são pagãos.

No capítulo 6 de Mateus encontramos muitos ensinos de Cristo sobre a oração:

1.1 oração não é exibição de fé ou de religiosidade – v. 5;

1.2 oração é conversa íntima com Deus (a oração particular, individual) - v. 6;

1.3 oração não é reza ("vãs repetições "). Orar não é falar, falar, falar e insistir com Deus até receber - v.7. Em Lc 18.1-8 Jesus ensina que devemos ser perseverantes na oração, mas é claro que Ele não está comparando Deus com um juiz injusto que, aborrecido com a insistência de alguém, acaba atendendo sua petição;

1.4 oração é louvor a Deus - v. 9;

1.5 oração é submissão de nossa vontade à de Deus - v. 10 e Jo 5.14;

1.6 orar é pedir o que precisamos, reconhecendo que dependemos de Deus- v.11

1.7 oração é pedido humilde de perdão, dispondo-nos a perdoar também. - v.12;

1.8 oração é também o reconhecimento de que nossa vida espiritual depende de Deus, pois até as tentações estão sob o controle de Deus – v. 13. Veja 1Co 10.13.

Alguns textos expressivos sobre a oração:

Sl 37.3, 5 e 7 - Deus nos exorta a entregar-Lhe nossos problemas de qualquer natureza, confiando plenamente em que Ele fará melhor do que poderíamos imaginar. Ensina que devemos entregar tudo a Deus com tal confiança que fiquemos tranqüilos, descansados. Precisaremos apenas esperar Suas providências. Deus mesmo nos diz isso através do salmista inspirado pelo Espírito Santo.

Jo 14.13 e 15.7 e 16 - ensinam que, seja o que for que peçamos, Deus fará? Absolutamente não, ainda que pareça assim. Nem sempre sabemos pedir o que convém, afirma Paulo em Rm 8.26 - “não sabemos o que havemos de pedir como convém” e Tiago em 4.3 “pedis e não recebeis porque pedis mal...”. Diferentes pessoas pedem a Deus coisas inteiramente opostas entre si; nem podemos imaginar que Deus atenda caprichos pessoais. É preciso lembrar o que Cristo ensinou em Mt 6.8: “vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes”, e o que ensina João em 1Jo 5.14: “se pedirmos alguma cousa segundo a Sua vontade, Ele nos ouve”. Deus nos dará, sim, tudo o que pedirmos, que esteja de acordo com a Sua soberana vontade.

Assim entendemos, finalmente, que aquele crente espiritual, fiel, que vive em intensa comunhão com Deus uma vida de retidão e santidade; aquele que, por isso mesmo, conhece o caráter de Deus e com Ele tem muita afinidade, pede o que Deus também quer, sempre de acordo com a vontade de Deus e por isso é atendido.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Lições Bíblicas - 8b

Dois aspectos da Santificação


O aspecto negativo da santificação é aquele em que o cristão deixa de fazer o mal, abandona o pecado, tira de sua vida toda atividade prejudicial e pecaminosa. Os 10 mandamentos deixam bem claro esse aspecto, quando repetem: "não terás, não farás, não usarás, não farás, não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás". Realmente, muita coisa que fazia antes, o cristão não pode mais fazer. Nem por isso ele agora viverá urna vida vazia, insípida, pois a santificação tem o seu lado positivo.

O lado positivo da santificação se constitui de uma série de atividades que antes não existiam na vida do incrédulo, e passam a existir depois da conversão: são as suas atividades no Reino de Deus; de buscar o privilégio de servir a Deus. "Servi a Deus com alegria", diz o Salmo 100. O cristão passa a cumprir com alegria os seus deveres para com Deus. não tem vida vazia e ociosa. Leia Tt 3.14.

Os 10 mandamentos apontam também para esse lado positivo: agora o cristão tem um só Deus e mantém comunhão com Ele, adora a Deus em espírito e não mais com imagens e ídolos (Jo 4.24); usa o nome de Deus de modo digno, correto e respeitoso; trabalha 6 dias por semana com a consciência de que serve a Deus (CI 3.22-24) e dedica 1 dia à santificação e ao descanso; ama, respeita e obedece a seus pais (Cl 3.20 e Ef 6.1); vive e ganha seu dinheiro honestamente (Ef 4.28); defende e preserva a vida do próximo e a sua própria (1Co 6.19); guarda-se puro na vida íntima (Mt 5.8) e usa o sexo de modo correto e puro (1Co 7.2-5) e não de modo impuro (1Co 6.15-16); usa sua língua para falar somente o que é bom (Ef 4.29 e Cl 3.8), e se contenta com aquilo que é legitimamente seu (Fp 4.11, 1 Tm 6.7-8), para não se tornar invejoso.

O cristão se torna um homem de ação, à semelhança de Cristo, e não um pecador reprimido. Ele crê e age; sua ação é positiva e não negativa. Por isso Tiago diz "a fé sem obras é morta" (a fé não-crista, pagã, supersticiosa).

Podemos dizer, por metáfora, que na conversão Deus nos tira da lama; na santificação Deus tira a lama de nós (Ef 5.26, Tt 3.5)

Resumindo:

l. A salvação dada por Deus é completa: Ele nos absolve da culpa dos pecados - 1Jo 2.1-2 (aspecto legal) e também nos santifica para ficarmos livres do pecado -Rm 6.14 (aspecto moral).

2. Quem realiza a santificação de uma pessoa é o Espírito Santo com a participação dela; "operai a vossa salvação... " (Fp 2.12); "santificai-vos" (Is 3.5); "enchei-vos do Espírito Santo" (Ef 5.18) são textos que nos mostram que o cristão é ativo no seu crescimento espiritual e não passivo.

3. Santificação é não só deixar de fazer o mal, mas passar a fazer o bem - Is 1.16-18, Gl 6.9-10, Tg 4.17. Dessa forma o cristão se torna um homem de ação, pois viver servindo é da essência da vida cristã - Mc 10.45; Lc 22.26-27; 10 13.14-15.

A "diaconia" ou serviço cristão é que dá crescimento ao próprio crente e à Igreja, quando todos procuram trabalhar, servir e não ser servidos

4. O cristão serve a Deus, primeiramente pelo culto através do qual O adoramos; em segundo lugar, obedecendo Seus mandamentos e ordens, entre as quais a de amar e servir ao próximo - Mt 5.43-44 e 20.26-27.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Lições Bíblicas - 8a

8a. lição - A SANTIFICAÇÃO E O ESPÍRITO SANTO- Mt 5.48


Em Fil 1.6, diz-nos a Escritura que Deus, que começou em nós “a boa obra (da salvação) a aperfeiçoará” até o nosso encontro com Cristo. Esse aperfeiçoamento é a santificação.

Assim como a criança que nasce precisa crescer, também na vida espiritual aquele que se converte ou nasce de novo precisa crescer espiritualmente; o crescimento ou amadurecimento espiritual é a santificação.

1 Pe 1.3 fala da “santificação do Espírito” (obra do Espírito), isto é, a santificação que é realizada pelo Espírito Santo.

Jo 14.16; 16.7 em diante falam do ministério do Espírito Santo: Ele é Quem nos “convence do pecado, da justiça e do juízo”; Ele nos “guiará em toda a verdade”, além de ser o nosso Consolador.

Rm 8.16 nos diz que o Espírito é Quem dá testemunho junto ao nosso espírito de que somos filhos de Deus, isto é, Ele é Quem nos fala, no íntimo, dando-nos a certeza da salvação e de que somos filhos de Deus. Ele faz isso individualmente, com cada um dos salvos.

No Sl 51.11-12, Davi pede a Deus que não retire dele o Espírito Santo, e ao mesmo tempo Lhe pede que torne a dar-lhe a alegria decorrente da certeza da salvação.

Em todos esses textos as Escrituras estão falando da obra santificadora que o Espírito Santo realiza em nós, aperfeiçoando-nos.

“Santo”, “santificar” e “santificação” tem, respectivamente, o significado de separado, separar e separação de alguém, feita por Deus e para Deus. Mas envolve, também, o sentido ético de puro, purificar e purificação: aperfeiçoamento moral.

Hb 12.14 fala da santificação como prova de que alguém tem a salvação, “verá o Senhor”; fala da santificação como necessária para alguém ver o Senhor, e da falta de santificação como indicação segura de alguém que ainda está perdido. Não que a santificaçao seja o meio da salvação, mas que ela é a prova de que alguém está salvo e por isso verá o Senhor.

Em Ef 5.18, Paulo diz: “Enchei-vos do Espírito Santo”; em Js 3.5, diz Deus ao povo: “Santificai-vos”; nesses e em muitos outros textos Deus nos ensina que na santificação nós não somos passivos, mas ativos; nós queremos a santificação e cooperamos com o Espírito Santo nessa obra que Ele realiza em nós. Lutamos contra o pecado para sermos “santos”, para sermos do Senhor e para vivermos uma vida de retidão e santidade, embora não alcancemos já a perfeição. Mas caminhamos em sua direção. Mais uma vez a iniciativa é de Deus, mas nós também agimos.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Lições Bíblicas - 7b

Relação e semelhança entre conversão e arrependimento


Tanto uma como o outro são fatos que se dão envolvendo os três aspectos da personalidade: mente, sentimentos e vontade ou volição.

Na conversão há uma mudança na mente: quando incrédula, a pessoa nada entendia a respeito de Deus, não tinha afinidade intelectual com Deus. “O homem natural não compreende as coisas (as realidades) do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente”, afirma Paulo em 1Co 2.14. Quando ela se converte passa a ter a afinidade necessária e a compreender, cada vez mais, as coisas de Deus.

Antes da conversão a pessoa não tem amor a Deus, ainda que possa ter alguma simpatia por Ele, mas amor não tem. O mesmo acontece com referência ao próximo. Após a conversão a pessoa passa a amar a Deus acima de todos e de tudo (Dt 6.5; Mt 10.37 e 22.37-40). Assim, há também uma mudança radical nos sentimentos da pessoa que se converteu.

A vontade (capacidade volitiva) do “homem natural” é dominada pela natureza pecaminosa; não é dirigida no sentido de aceitar e fazer a vontade de Deus. Sua disposição natural é a de continuar no pecado e não lutar contra sua própria natureza ou inclinação má. Após a conversão a pessoa realmente quer fazer a vontade de Deus, pois agora O compreende, O ama e quer agradá-Lo . Por isso faz o esforço que for necessário para conseguir seu novo objetivo. Leia Hb 12.4; Tg 4.7. Sua vontade também se volta para Deus, ainda que impotente - Rm 7.18-19, mas será o suficiente para não mais ser dominado pelo pecado - Rm 6.14.

No arrependimento, também, a pessoa toda é envolvida. A mente ou inteligência muda: a pessoa enxerga e reconhece seus pecados. Compreende que o que faz é errado. Além disso, mudam também seus sentimentos: o pecado, que antes lhe dava tanta alegria e prazer, agora é motivo de vergonha e tristeza. Agora, diante do reconhecimento do pecado, e da vergonha e tristeza que o pecado lhe traz, o pecador quer abandonar toda prática pecaminosa e usa toda a força de sua vontade no empenho de deixá-la.

Com estes 3 elementos da personalidade despertados, unidos e fortalecidos pelo Espirito Santo, o pecador realmente abandona o pecado, passa a desprezar e odiar os atos que antes amava a ponto de escravizá-lo. “Desperta, tu que dormes, e Cristo te esclarecerá”, é o apelo de Paulo (Ef 5.14). Do mesmo modo como o diabético continua sendo atraído pelo açúcar, mas passa a evitá-Io porque o açúcar significa para ele sofrimento e morte, o pecador convertido continua a ser tentado, mas chega a detestar o pecado.

Lembre-se:uma nova atitude mental, sozinha, não é conversão, nem é arrependimento; só a vergonha pelos atos maus cometidos também não é conversão, nem arrependimento; também o abandono do pecado, apenas por causa das consequências, não significa conversão, nem arrependimento; somente quando existem os 3 fatores é que existem de fato arrependimento e conversão.

Porém, o fato de haver verdadeira conversão e arrependimento não significa que a pessoa passa a ser imediata e automaticamente um cristão perfeito, sem pecado; ainda falta muito para atingir o estado ideal. Este é buscado através do processo de santificação. É o próximo assunto.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Lições Bíblicas - 7a

7a lição – CONVERSÃO E ARREPENDIMENTO

Na conversa com Nicodemos (Jo 3.1-21), Jesus deixou bem claro que sem o “novo nascimento”, ninguém pode entrar no Reino de Deus.

Com vistas à salvação, nada substitui a conversão ou novo nascimento; nem a frequência aos cultos, nem boas obras, nem bom caráter, nem trabalho – que nesse caso se transforma em ativismo. Por Sua graça, Deus nos aceita como somos e não pelo que fazemos.

Não é o novo nascimento físico – por meio de uma reencarnação, se ela existisse, ou qualquer outro meio – mas o novo nascimento espiritual - “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito, é espírito” Jo 3.6.

É dessa realidade que escreve Paulo em 2Co 5.17: um novo nascimento que torna tudo novo; novo caráter, nova vida. É a realidade chamada CONVERSÃO, referida em outros textos (Jr 31.18-19; Ez 18.30-32; Mt 13.15; Lc 1.17 e muitos outros).

Conversão é mudança de direção, de rumo: o pecador, que está indo em direção errada, corrige-se e passa a andar em direção a Deus.

Conversão é mudança íntima, na mente, nos sentimentos, e na vontade (capacidade volitiva, de escolha e de ação).

Conversão e arrependimento são, também, como dois lados de uma moeda, são inseparáveis. A palavra grega “meta-noia” que se pode traduzir por arrependimento, pode-se também traduzir por conversão. Não há conversão sem arrependimento e vice-versa.

João Batista e Jesus Cristo iniciaram sua pregação com a mesma mensagem: “Arrependei-vos” - Mt 3.1-2; 4.17. Sem arrependimento e conversão não há salvação, pois converter-se é o que Jesus Cristo chamou de "nascer de novo", em Jo 3.5. Converter-se ou nascer de novo é o "estar em Cristo" referido por Paulo em 2Co 5.17.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Lições Bíblicas - 6

6a lição – REGENERAÇÃO


Em 1Pe 1.3 o apóstolo Pedro nos diz que Deus “segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança”. Em Tt 3.5 Paulo diz que Deus “segundo a Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo...”.

Regeneração é o ato do Espírito Santo pelo qual Ele gera no escolhido uma “nova criatura”. A mesma pessoa que antes da regeneração, não cria em Jesus Cristo, não queria a vida cristã, nem mudar de vida. Depois de ser dessa forma tocado pelo Espírito Santo, que cria nela uma nova disposição de alma, essa mesma pessoa passa a crer em Cristo, a desejar a salvação, a querer realmente uma nova vida segundo a vontade de Deus

Essa mudança quase misteriosa é que se observa nitidamente em Saulo de Tarso que, a caminho de Damasco, para onde se dirigia cheio de ódio a Cristo e aos cristãos a fim de persegui-los, de repente, ao ouvir a voz de Cristo chamando-o pelo nome, muda completamente: “Senhor, Quem és?” “Que queres que eu faça?” Três dias depois estava sendo batizado e imediatamente começava a servir a Cristo – At 9.4-6, 19-20. E se torna o apóstolo Paulo.

Antes de nascer, uma criança é gerada. Na vida espiritual também é assim: antes de “nascer de novo” ou converter-se, a pessoa é gerada pelo Espírito Santo; e, então, segue-se a conversão. Conversão e regeneração são dois lados da mesma moeda: um não pode existir sem o outro. Regeneração, podemos dizer, é a iniciativa de Deus gerando no ser humano decaído uma nova criatura, e a conversão é a parte que cabe à pessoa, aceitando a operação de Deus nela e respondendo afirmativamente ao chamado de Deus para crer em Cristo e iniciar a nova vida.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Intervalo

Em função das festividades de Natal e Ano Novo, a publicação dos estudos do Pastor Rubens será retomada no dia 03 de janeiro de 2008.
Agradeço aos mais de 200 leitores semanais deste blog, pela atenção nestes 20 meses de sua existência com mais de 80 posts.
Se Deus permitir, continuaremos a publicar semanalmente, às quintas-feiras, os estudos do meu pai Rev. Rubens Osorio.
Obrigado!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Lições Bíblicas - 5

5a. lição - SALVAÇÃO PELA GRAÇA DE DEUS

Em Ef 5.1 e 5, Paulo fala do homem como "morto" espiritualmente; aquele que está morto nada pode fazer, inclusive em seu próprio benefício. Nos vs. 8 a 10 desse mesmo capítulo, Paulo fala da salvação "pela graça de Deus, mediante a fé", sendo esta, também, dom ou dádiva de Deus.

Deus dá a salvação a quem tem a fé. Embora Deus deseje a salvação de todos (1Tm 2.4 e 4.10), Ele salva somente aquele que crê. Quando a Bíblia fala de salvação, só fala em fé como o meio necessário: Jo 3.15, 16, 18, 38; 5.24; 6.40; At 16.30-31; Rm 10.9.

Ensina ainda a Bíblia que ninguém é salvo por obras - GI2.16.

Também pelo cumprimento da Lei ninguém será salvo, pois ninguém a cumpre perfeitamente - Mc 10.17-27; Rm 3.23; Gl 3.l0-11 e 13. Aqui Paulo fala da "maldição da lei", que é a condenação que vem pela Lei ou quebra da Lei. O texto de Tg 2.9-11 é claro e conclusivo sobre o assunto.

Não se confunda, porém, fé cristã - inteligente, esclarecida, bíblica - com a fé pagã;" supersticiosa e irracional. Fé de que nos falam as Escrituras é a fé em Cristo, na pessoa de Cristo. Leia Tg. 2.19: até mesmo uma crença vaga em Deus não tem valor algum: muito menos a crença ou fé em criações da imaginação e superstição humana.

Graça é favor imerecido. Nós não temos mérito algum para sermos salvos. Deus nos salva simplesmente porque Ele quer, sem que nada possamos dar-Lhe em troca; inteiramente de graça; nem mesmo podemos dizer que nos salvamos porque termos fé; ela também nos é dada por Deus. "Pela graça sois salvos,mediante a fé: e isto não vem de vós, é dom (dádiva) de Deus". O "isto" é tudo o que foi referido: a graça, a salvação, a fé.

Deus nos escolhe, apesar de toda nossa incredulidade e maldade e, para que sejamos salvos, Ele mesmo nos dá a fé, a capacidade de crer, de confiar nEle e de obedece-Lo. Assim foi com Paulo e tem sido com todos os incrédulos, mesmo os piores, homens maus, que jamais desejram ser cristãos e mudar de vida. Deus nos transformou pelo poder que só Ele tem.

É como se Ele nos convidasse para mudar-nos para o Seu reino, mas essa viagem, caríssima, estaria além das nossas possibilidades; Ele. então paga todas as despesas para que possamos aceitar Seu convite e chegar lá, adquirindo também a cidadania do Reino de Deus.

Eu gostaria que alguém me convidasse para fazer uma viagem ao redor do mundo, mas se alguém me convidar e não fizer as despesas, eu não poderei ir. Deus nos convida e em Cristo Ele mesmo pagou o preço da salvação para nós. Leia 1Pe 1.18-19 e 1Co 6.20.