quinta-feira, março 19, 2009

O Pastor e a Visitação

Jeremias 23.1-4 fala da importância da visitação a ser feita pelo pastor, e da tragédia decorrente da falta dessa visitação.
Visando o preparo dos pastores para uma visitação eficiente, o currículo de nossos seminários contem uma matéria importante: “Teologia Pastoral”, além de elementos de “Psicologia”.
A Constituição da Igreja Presbiteriana dá aos demais oficiais diáconos e presbíteros a incumbência de também visitar, participando de alguma forma do pastoreio do rebanho. Veja em Atos 20.28.
Será muito conveniente que o pastor instrua os oficiais da Igreja para tão importante serviço. Fazerem visitas juntos será, certamente, muito bom no aspecto de resultados . práticos e de treinamento dos oficiais da igreja.
Mas é fora de dúvida que muitas vezes convém que o pastor faça sozinho determinadas visitas, pelo cuidado especial que elas demandam, ou pela gravidade dos assuntos e ate o sigilo que convenha haver. Nem todos estão devidamente preparados para tratar com os membros das igrejas nessas ocasiões. Uma colocação menos prudente ou uma palavra menos cuidadosa pode ser um transtorno.
Duas coisas serão testadas nessas situações: a capacidade do pastor no encaminhamento de soluções dos problemas, e a confiança dos presbíteros no pastor. Estes estarão colaborando com o pastor, como ensina a Constituição da Igreja, fazendo junto com ele a visita, ou deixando-o só, conforme a conveniência, a juízo do próprio pastor, sem negligenciarem o seu dever de visitarem; orando pelo pastor, por todo o seu trabalho e pelo seu aperfeiçoamento.
Sobretudo, todo trabalho deve ser feito com temor e tremor, orientado pelo Espirito Santo, para que não seja feito "relaxadamente"
Havendo cooperação mutua, humildade tanto do docente como dos que aprendem com ele; havendo, tanto de uns como de outros, real interesse e amor pelo rebanho, o Reino de Deus ganhará muito na realização do ministério da visitação.
Presbíteros, confiem em seu pastor. Pastor, conquiste a confiança de seus irmãos, ovelhas, e colaboradores também.

quinta-feira, março 12, 2009

O Pastor e a Liturgia

O pastor é chamado, na Constituição da Igreja (presbiteriana), "presbítero docente", porque uma de suas principais funções na Igreja é a de ensinar, doutrinar. Para isso a igreja deve prepará-lo proporcionando-lhe um curso teológico idôneo, submetendo-o, depois, a rigorosos exames teológicos antes de sua licenciatura e de sua ordenação.
Como presbítero docente, o pastor é indicado, na Constituição da igreja , como aquele que orienta e supervisiona a liturgia na igreja que pastoreia. Supervisionar não é apenas "dar um visto" na Ordem do Culto elaborada por algum membro da Igreja que vai dirigir o culto. É orientar sempre, corrigir e alterá-la quando necessária. Na verdade já é uma invenção moderna, em nossas igrejas, uma outra pessoa dirigir o culto e o pastor apenas pregar.
Essa função, de supervisionar, não deve ser confundida nem pelo pastor, nem pelos possíveis dirigentes, como um "engessamento" da Ordem do Culto; deve ser entendida como um necessário cuidado para que a ordem estabelecida nem se tome mecânica e rotineira, nem uma "colcha de retalhos" sem lógica e sem sequência natural, nem em "programa" cheio de "criatividade", mas sem unidade e vazio de conteúdo.
A orientação que o pastor dá deve também obedecer os "princípios de liturgia" constantes do "Manual Presbiteriano",calcados nos princípios bíblicos sobre o culto. Também deve ser entendida, e para isso ser explicada e discutida quando necessário. Mas, tendo em vista que o culto deve ter unidade, com o objetivo de levar o povo a adorar a Deus de modo inteligente, "em espírito e em verdade", o pastor deve estar capacitado - pelo estudo e pela prática - a orientar e ser acatado.
É muito grande a responsabilidade do pastor quanto à Liturgia, pois a maneira como a Ordem do Culto é estabelecida pode ser um meio eficiente de tornar o culto edificante e didático, ou uma porta aberta para desvios doutrinários e espirituais. Ela pode ser um reflexo do conceito que se tenha de Deus, e da importância que se dá às Escrituras.
O pastor precisa estar comprovadamente capacitado para supervisionar a Liturgia e ser lealmente acatado
Em 1Co 14 .40, onde Paulo nos instrui sobre o culto, diz ele sabiamente: "Faça-se tudo decentemente e com ordem".

quinta-feira, março 05, 2009

O culto que agrada a Deus

"Deus é espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e verdade." (Jo 4.24)

Em Jo 4. 23 e 24 Jesus nos ensina que o culto deve ser espiritual e que "o Pai procura a tais que assim O adorem".

Em Ex 3.5; Ec 5.1-5; Is 6.1-8 e outros textos, encontramos princípios que devem orientar-nos na organização do culto público.

Sem dúvida, a ordem do culto não deve ser improvisada. O culto deve ser planejado de tal forma que suas finalidades sejam atingidas. A principal delas é a adoração a Deus; este é o grande objetivo de todo verdadeiro culto e de cada uma de suas partes.
Outro objetivo é a comunhão entre os adoradores, e o terceiro objetivo, edificação espiritual. Além disso, o culto pode ser de gratidão, exortativo, de evangelização, ou doutrinário, sempre de acordo com a necessidade espiritual do povo e da igreja que se reúne. A ordem, ou sequência das partes do culto, deve ter em vista as razões específicas de cada culto, e as partes do culto devem ter unidade, isto é, devem estar voltadas para esse alvo.
Por exemplo, num culto evangelístico, a escolha dos textos bíblicos a serem lidos, os hinos a serem cantados, as orações e a mensagem devem todos ter em vista esse objetivo específico: a evangelização; e assim também os cultos com outros objetivos específicos.
A ordem do culto mais conveniente é a que podemos chamar temática, porque através desse culto um determinado tema ou assunto será tratado. Isso evita que o culto venha a parecer uma colcha de retalhos, ainda que cada “retalho” seja bonito.
Por que entendemos assim? Pela mesma razão porque a mensagem a ser proferida pelo pregador também não deve ser uma “colcha de retalhos”, bonita e enfeitada, embora sem unidade, sem conexão entre as partes mas, tanto quanto possível, deve ser inteligente, organizado no seu aspecto didático, pois o culto deve ser também “racional”, como ensina Paulo em Rm 12.1. Assim também são os sermões de Cristo e de Paulo, e todos os escritos sagrados. Por que deveria o culto ser diferente, improvisado e desordenado? Para atender ao gosto de pessoas pouco disciplinadas? Não!
Se for bem preparado e se os adoradores adorarem ao Senhor como convém, o culto não será estático nem frio, mas agradável e proveitoso sempre, do começo ao fim. As leituras bíblicas, os hinos escolhidos, a mensagem e as orações, devem estar relacionadas entre si.
Além disso tudo, que o nosso culto seja sincero. Um dia Deus se queixou do culto que o povo Lhe prestava. “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de Mim” Is 29.13.
Busquemos sempre a Casa do Senhor conscientes de que vamos, como povo, apresentar-nos de modo conveniente diante do Soberano Rei do Universo, ansiosos por este maravilhoso encontro, como o autor do Salmo 42: “A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?”.
Assim, cada culto poderá ser uma bênção para cada um de nós.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Compreenda o Culto

O culto público é a adoração do povo reunido a Deus.
Jesus Cristo nos instrui: "Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura tais que assim O adorem. Deus é espirito e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade" - Jo 4.23-24
Nas Escrituras, e não em nossa criatividade, é que encontramos os princípios que devem ser observados na realização do culto: reverência, reconhecimento da soberania de Deus e humildade, espiritualidade, submissão a Deus, e diálogo entre Deus e o adorador. Leia Ex 3.5-6; Ec 5.1-5; Rm 11.36; Is 6.1-8
Obedecendo a esses princípios, ensinos e exemplos bíblicos, a Liturgia Presbiteriana se caracteriza pela seguinte Ordem do Culto:
1- Louvor - constando de hinos, leitura bíblica e oração de louvor (que falam dos atributos de Deus, como poder, sabedoria, santidade, bondade, amor, etc.), que assim exaltam a Deus.
2- Contrição - contemplando a Deus através do louvor, sentimos nossa pequenez e nossos pecados, e então os confessamos: em oração, em leituras bíblicas e hinos.
3- Edificação - reconciliados com Deus e sentindo-se perdoados, os adoradores são fortalecidos e ensinados com a Palavra de Deus. É hora de nova leitura bíblica para a meditação, mensagem ou pregação, na qual Deus nos fala.
4- Consagração - Depois de ouvir a Palavra e o apelo de Deus, sempre contido em Sua palavra, é hora do adorador responder ao Senhor, tomando decisões, oferecendo-se para servir ao Senhor. Nesta parte do culto fazem-se orações, tanto individuais como coletivas. Hinos apropriados ao assunto do culto ou da mensagem, devem ser cantados nesta hora.
5- Encerramento do culto com cânticos, leituras bíblicas e benção apostólica.

Como vemos, não cabem na Ordem do Culto com base bíblica, homenagens a pessoas, avisos, agradecimentos, apresentações, etc. Estas coisas podem e devem ser feitas antes e após o culto, nunca durante.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

A Graça de Deus

A graça de Deus é a oferta gratuita que Ele faz ao ser humano, de salva-lo eternamente, adotando-o como filho dEle. Salva-o da condenação, do poder do pecado e santifica-o para que o ser humano possa habitar no Céu. É gratuita porque o ser humano não merece tudo isto que Deus lhe oferece, nem tem condições, por si mesmo, de conquistar qualquer destas bênçãos.
Textos básicos, iniciais: Gn 3.15; 12.1-3; 15.6; Gl 3.6 e 9; 4.24-28; 3.16 e 29.
Deus fez ou estabeleceu dois pactos: primeiro, o pacto das obras ou da obediência, com Adão e Eva, antes de serem pecadores. O ser humano tinha, então, condições de fazer sua parte, obedecendo; porém, fracassou - Gn 3-6. O concerto da Lei foi feito no Sinai - Gl 3.24. A Lei que instrui o ser humano, mas também condena aquele que a transgride e está fora da aliança da Graça.
Gn 17.7-10 - concerto "perpétuo" com Abraão, tendo a circuncisão como sinal visível do pacto.
O pacto da Graça tem a garantia de sua realização, na pessoa de Cristo - Rm 5.1; Ef 2.8. A fé, que também é dada por Deus, e que capacita o ser humano a gozar dos benefícios da graça.
Je 31.31-34 e Hb 8.8-12.
O ser humano responde a Deus com a fé em Cristo, pessoal, consciente, voluntária. Em Cristo cada pessoa é admitida no pacto da Graça.
O pacto da graça é particular e não universal, como querem os universalistas - Gn 12.7; 17.7; Gl 3.16- "a tua posteridade, que é Cristo". Em Cristo é que somos incluídos no pacto da Graça.
É um erro pensar que a "dispensação da graça" é a partir de Cristo, e que antes dEle o que havia era a "dispensação da Lei". Nenhum texto bíblico diz isso.
A graça foi estabelecida por Deus em Gn 3.15 e tornada explícita e transformada em pacto, com Abraão, em Gn 12.1-3.
É um pacto da Trindade com o hornem: o Pai oferece a graça, por meio do Filho, e o Espirito Santo o aplica a cada pessoa - Ef 1.1-7, 10-14; 1Pe 1.2; 1Co 5.10 ("sou"); Ef 4.7 - "a cada um"; 2Pe 3.18 - "Crescei na graça"; 1Pe 5.12 - "esta é a verdadeira graça".
A doutrina da Graça e teocêntrica e não antropocêntrica. Ele é a causa da Salvação. Lm 3.22; Ef 2.5 e 8-10; Is 47.4; Jó 19.25-27; Sl 49.7-8. Fora de Cristo não há salvação- Jo 14.6; Tt 3.5; Gl 2.16; At 13.39.
A graça tem uma aplicação universal só no sentido de alcançar pessoas de todas as raças, tribos e línguas, e não no sentido de alcançar todas as pessoas, numa salvação universal. Jo 3.16, 18, 36; At 16.31; Mt 28.19; Mc 16.15; Rm 1.16.
A graça nos reeduca com a Lei, o Espirito Santo capacitando-nos a observa-la, ainda que imperfeitamente. É o processo da santificação, com seus 2 aspectos: o positivo e o negativo. Tt 2.12 e 3.3-8.
A graça de Deus cria urna nova humanidade, um novo povo, a Igreja - 1Pe 2.9-10, e um novo homem - 1Co 10-31; Ef 4.1; Fp 4.1.
A graça de Deus nos da esperança (certa e segura)- Tt 2.13.
Devemos entender ''vida eterna" como qualidade de vida que começa imediatamente após a conversão, e não simplesmente corno imortalidade; esta todos possuem.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Predestinação - 2


Os 5 pontos do Calvinismo

1. Total depravação do ser humano - Embora tenha sido criado por Deus em perfeita santidade e retidão, podendo permanecer para sempre nesse estado, o homem desobedeceu a Deus, tornou-se corrupto e mortal. Gn 2.9, 16, 17; 3.1-8; 17.19; 4.8, 23; 6.1-5; 11.1-7; 12.10-19; 20.12; Sl 14.1-3; Rm 5.12.
2. Eleição incondicional - De toda a humanidade perdida , Deus escolheu, pela sua livre graça, os que Ele quis para salva-los. Mt 13.20; Rm 8.29, 33; Ef 1.3-5; 2.8; 2Tm 1.9.
3. Expiação limitada - Embora Deus desejasse a salvação de todos, e o sacrifício de Cristo fosse suficiente para a salvação de todos, pela graça de Deus - porque ninguém merece a salvação - são salvos apenas os escolhidos, pois estes recebem de Deus a fé mediante a qual são salvos . Mt 25.31-32, 41; Jo 1.12; 3.5, 15-16, 18, 36; 2Co 5.14-15, 17; 1Jo 1.7; Ap 1.4-6; 7.9, 13-14.
4. Graça irresistível ou Chamado eficaz - Os que Deus escolheu, Ele de algum modo chama; eles atendem ao Seu chamado e são salvos. Jo 6.37, 44; Rm 8.30; 1Pe 1.1-5 .
5. Perseverança dos santos ou salvos - Os que Deus salva, salva para sempre - isto é vida eterna; não se acaba nem sofre interrupção. Esta perseverança , porém, que faz com que o salvo jamais perca a salvação, não se dá pelo esforço e poder do homem, mas porque ''Deus é poderoso para nos guardar". Lc 22.31-32; Jo 6.39; 10.28-29; 18.9 e 17.12; Rm 14.4; 1Jo 5.18.

Em lugar de questionar a Deus, discordando daquilo que Ele fez e faz, reconheçamos nossa pequenez diante dEle, como fez o apostolo Paulo - Rm 9.20 e 11.33-36.
Esta é talvez, a mais profunda e confortadora doutrina bíblica, pois nos dá uma visão clara de nossa pequenez, da soberania de Deus e de segurança, pois estamos nas mãos de Deus e Ele, dirige todas as coisas para o nosso bem e glória de Seu nome. “Gloria, pois, a Ele, eternamente. Amém".

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Tempo

Apesar das sequelas físicas e mentais decorrentes do derrame sofrido há 4 anos, minha mãe, M. Aparecida - esposa do pastor Rubens - mantém o bom humor e uma mente afiada, como sempre, embora sem boa memória. Na passagem de ano, o pastor fez uma pequena reflexão sobre o tempo, e minha mãe declamou por inteiro, de improviso, um poema que eu não a ouvia dizer há décadas. De tão interessante, tomo a liberdade de publicá-lo aqui, mesmo sem saber a autoria.

Tempo

Deus pede estrita conta do tempo.
Forçoso desse tempo já dar conta.
Mas como dar conta em tempo,
Eu que perdi sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta e falta tempo.

Ó! vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis em vão o vosso tempo
(Em passatempo).
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.

Mas, ah! Se os que contam com esse tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não chorariam sem conta
O não ter tempo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Predestinação - 1


É a doutrina que, com base na Soberania de Deus, afirma que Deus não só criou tudo o que existe, mas também sustenta a Sua criação e dirige tudo o que acontece - sempre de acordo com o Seu plano.
Predestinação não é fatalismo, nem é a eliminação da liberdade do ser humano. Deus dirige todas as coisas sem, contudo, retirar a liberdade e responsabilidade de suas criaturas racionais - anjos e seres humanos. Rm 8.29 e 30; 1Pe 1.2 (presciência);Ef 1.5 e 11; Fp 3.21 (poder eficaz para sujeitar todas as coisas); Cl 1.16-17 - são alguns dos textos que afirmam o poder absoluto de Deus.
O texto básico para sabermos o que é predestinação é Rm 8.28. Nossa dificuldade humana para aceitar a doutrina é a duvida: “Como pode Deus dirigir tudo sem tirar a liberdade do ser humano? A soberania de Deus não torna o homem um autômato? Se tudo está determinado por Deus, onde fica a liberdade e a responsabilidade da criatura?” Tudo isso é para nós um mistério insolúvel. Se pudéssemos compreender e explicar tudo isso, seríamos tão inteligentes quanto o próprio Deus.
Somos finitos e por isso não temos condições de compreender o Infinito - e Deus é infinito em todo o Seu ser.
Podemos apenas constatar o ensino bíblico, que é claro; pela fé é que aceitamos tudo e por isso damos graças a Deus.
Vamos estudar a doutrina vendo, primeiro, a doutrina dos decretos de Deus e, em segundo lugar, os chamados “5 pontos do calvinismo”. Entendidas essas doutrinas, não teremos dificuldade para reconhecer a predestinação com base bíblica.
Presciência e vontade absoluta de Deus estão sempre juntas. Não é que Deus predestinou porque sabia o que haveria de acontecer, mas o contrário: Deus sabe porque Ele planejou tudo que haveria de acontecer. Pv 16.4; Rm 8.24; Is 14.24 e 43.13.
Os Decretos de Deus

De diversos modos Deus dirige os fatos através dos séculos, com os Seus decretos:
1. Determinativos - aqueles em que Ele determina algo. Exemplos: Gn 1.3; 12.1-3; Sl 33.9.
2. Permissivos - aqueles em que Ele permite que a criatura aja por si mesma. Exemplos: Gn 37.19-28; 39.7-20; 40.1-15; Jó 1.12; 2.6; 1Co 10.13.
3. Delimitativos - aqueles em que Deus põe um limite na ação da criatura. Exemplos: Jo 1.13; 2.6; At 16.6-7; 1Co 10.13.
4. Diretivos - aqueles pelos quais Deus garante o fim em vista. Exemplos: Gn 45.5 e 7; 50.20; At 16.9-10; Rm 8.28.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Oração - 2g

7. Por que orar

Diante do texto de 1J o 5. 14 - "E esta é a confiança que temos nEle, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve", e a conclusão lógica: Deus faz sempre a Sua própria vontade, dentro de Sua soberania, alguns perguntam, perplexos: "Então, por que orar? Se Deus não muda Seu plano diante de nossas petições, não há razão para orar". Antes de tudo, lembremo-nos de que oração não é só petição, nem jamais teve o objetivo de mudar os planos de Deus. Além disso:
1. As Escrituras nos exortam a orar, ordenam que oremos e nos animam a orar, não para mudarmos o plano de Deus, não para exercer um poder que nunca nos foi dado, não para alguém se convencer de que tem muito prestígio diante de Deus, mas para que tenhamos maior e verdadeira comunhão com Deus.
Embora Deus saiba todas as coisas, inclusive nossas necessidades, Ele quer que falemos com Ele.
2. A oração não é um monólogo, em que apenas nos falamos; Deus nos fala também, muitas vezes durante nossa própria oração. Nesse diálogo somos edificados.
3. O contato constante com Deus nos leva a uma vida de santidade. Não é possível estar em comunhão com Deus e ao mesmo tempo estar no pecado. Portanto, a oração nos santifica.
4. Através da oração confessamos nossos pecados para que sejamos perdoados.
5. Também reconhecemos, com humildade, nossa dependência de Deus.
6. Declaramos nossa submissão à vontade dEle, querendo que esta se faça e não a nossa.
7. Através da oração agradecemos os constantes benefícios que de Deus recebemos, e O louvamos por todos os Seus feitos.
Outras razões certamente ainda existem para que oremos. Lembremo-nos, por fim, que oração é essencialmente comunhão com Deus. Por isso ensina-nos Paulo: "Orai sem cessar” (1Ts 5.17).
Orar não é só pronunciar palavras; é estar mesmo em comunhão com Deus; é manter viva e forte a nossa fé.
Para orar precisamos de mais razões do que estas? Estreitemos cada vez mais nosso relacionamento com Deus; primeiramente pela vida de oração; e então, por uma vida santificada, aprendendo com a leitura e o estudo das Escrituras, pelo serviço cristão, pela participação no culto público e na Ceia do Senhor. E cada vez mais compreenderemos e experimentaremos o valor da oração.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Oração - 2f

Tais práticas se assemelham à oração dos profetas de Baal (1Rs 18.25-29) e à oração dos gentios, criticada por Cristo em Mt 6.7.
Oração não é mágica nem poder em si mesma; é a entrega incondicional de nossos desejos a Deus, como ensinado nas Escrituras e em nosso Catecismo. O mau entendimento de um texto bíblico tem causado muita confusão e discussão; um exemplo é Mt 17.20 e passagens paralelas: Mt 21.21-22; Mc 11.23-24; Lc 17.6 e outras semelhantes. Leia-as.
Em Mt 17.20 Jesus diz: "...porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: passa daqui para acola e há de passar; e nada vos será impossível". Quando Jesus fala em "fé como um grão de mostarda", nem está dando ênfase ao tamanho do grão, nem está dizendo que temos o direito ou o poder de fazer realizar-se qualquer coisa que pedimos. Está se referindo à principal qualidade do grão: ter vida, como os grãos semeados pelo semeador, que germinam e produzem. Cristo esta falando de fé viva, oposto daquele tipo de fé que Tiago chama de "fé morta" (Tg 2.17). Essa fé viva produz, primeiramente, comunhão intensa com Deus; dessa comunhão resulta a "oração da fé" (Tg 5.15), fruto da fé, oração em que o cristão pede exatamente aquilo que Deus quer. Por isso Deus faz o que foi pedido. Cristo jamais ensinou que oração é um poder que nos pertence, de obter tudo o que quisermos, mesmo que não seja a vontade pré-determinada por Deus. Veja-se, mais uma vez, o texto de 1Jo 5.14: "...se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve" (grifo meu).

(Na próxima semana: Por que orar)