quinta-feira, outubro 26, 2006

O Segundo Século da Igreja Presbiteriana do Brasil

Conheci a I.P.B. (Igreja Presbiteriana do Brasil) do 1o século, na minha adolescência e mocidade: pastores dinâmicos, que viveram e morreram pobres, com esposas professoras que ajudavam no sustento da família. Igrejas também dinâmicas, os membros ativos e fiéis, levavam a sério a vida cristã.

Pouco antes era comum os pastores pastorearem três ou mais igrejas, andando a cavalo ou de trem, ou de “jardineiras” para visitarem as igrejas e os crentes. Estes eram apelidados de “bíblias” porque eram vistos levando nas mãos suas Bíblias, especialmente aos domingos. Leigos pregavam substituindo os pastores, e lecionavam nas Escolas Dominicais.

E a Igreja crescia extraordinariamente.

Em minha pré-adolescência e adolescência estive na I. P. Unida de São Paulo. A igreja – pastor o Rev. Miguel Rizzo Jr. – tinha muitas congregações. Havia uma equipe de pregadores leigos que iam pregar nas Congregações. No início de meu ministério – pastoreando sempre duas igrejas - membros dessa equipe, coordenados pelo presbítero Honório Cúndari, estavam sempre pregando em alguma de minhas igrejas.

Era a Igreja do 1o. século. O centenário (1959) foi comemorado com um esforço evangelístico especial em âmbito nacional.

Mas depois... multiplicaram-se os problemas: modernismo pregado especialmente por Richard Shaull nos Seminários de Campinas, primeiro, e de Vitória, depois. Em seguida, uma onda ecumenista, atendendo a pregação do papa João XXIII.

A Igreja, porém, reagiu. Uma cisão em São Paulo levou à criação da frustrada Federação de Igrejas Presbiterianas e Reformadas, depois chamada FENIP e depois IPUB.

...

Mas o que tem causado grandes males à Igreja atualmente é a influência néo-pentecostal.

Enquanto se criam novos Seminários, cresce o número de pastores doutrinariamente fracos. Multiplicam-se os concílios – presbitérios e sínodos – mas não o número de membros e de cristãos convertidos, realmente consagrados. Um “evangelho” mesclado com néo-pentecostalismo está descaracterizando um número enorme de igrejas com um culto cheio de “oba-oba”, de coreografia e “sermõezinhos água com açúcar”; igrejas administradas, mas não pastoreadas, tornam-se clubes religiosos para satisfazer pastores e muitos dos membros. “Um evangelho sem ética” e “evangelização” superficial, vão criando igrejas que não se pode reconhecer como presbiterianas, como realmente reformadas.

Nos bons tempos havia falta de pastores e os que havia eram pastores mesmo; raramente algum era também professor. Hoje há cerca de 1.000 pastores sem igrejas e desses, muitos são rejeitados pelas igrejas que os conhecem e por isso não os querem.

Há uma crise vocacional, e mercenários demais!

Estamos precisando de uma nova Reforma – não para mudar a doutrina e a liturgia, mas para voltar aos tempos antigos, ao “primeiro amor”, como foi na Reforma do século XVI.

Cada um de nós pode contribuir para que isso aconteça. É não ceder, mas permanecer fiel e exigir fidelidade às Escrituras e a nossos padrões de fé; rejeitar, os modismos e a mistura de secularismo com Evangelho, de “show” e culto. Viva e exija o Evangelho com verdadeira piedade.

Aceite o desafio!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Trajes, Vestidos, Modas, Vaidade...

1 Tm 2.9: “Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente (sem ostentação), com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus”.

1 Pe 3.2-3: “Observando a conduta honesta e respeitosa de vocês. A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus”.

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A vaidade é apenas uma das manifestações da inclinação pecaminosa do ser humano. Quando, através da serpente, Satanás despertou em Eva a falta de confiança em Deus, despertou também o desejo de ser igual a Deus, induziu-a a consumar o pecado da desobediência contra Deus; estava conseguindo fazer que toda a humanidade, no futuro, se tornasse suscetível às mesmas tentações e inclinações. Daí o horroroso progresso que o pecado teve e continua tendo até hoje: homicídio (Gn 4.8), bigamia (4.19) e toda espécie de maldade (Gn 6.5).

Mas há tentações e pecados sutis, bem disfarçados. Por exemplo: que mal há em uma pessoa usar enfeites, cobrir-se com uma roupa mais cara que a comum? Sim, que mal há? Então vem a recomendação de Paulo: “...que se vistam modestamente... mas com boas obras...”.

Vem a recomendação de Pedro: “...A beleza de vocês não deve estar nos enfeites... ao contrário, esteja no ser interior, ...num espírito dócil e tranqüilo”. Esse “espírito dócil e tranqüilo” acaba se refletindo no rosto da pessoa, dando-lhe uma beleza natural, que não precisa de artifícios. A beleza artificial chama a atenção, mas freqüentemente prejudica a simpatia, tornando a pessoa afetada, antipática e também artificial, não-confiável.

Para estimular e explorar a vaidade o mundo criou a propaganda, o “marketing” e o consumismo. Esse modo convence as pessoas a comprar o supérfluo, o que agrada os olhos e o paladar, satisfaz a vaidade de possuir o mais moderno.

O pior é o que a moda faz: procura chamar as atenções para o corpo, especialmente o feminino; destacar as formas do corpo, ou expô-lo ao máximo. Desperta e estimula a sensualidade, juntamente com o apetite sexual; é realmente satânica. As conseqüências são grandes e graves: pessoas de poucos recursos deixam de comprar o mais importante como alimentos e livros para comprar o supérfluo; torna as pessoas frívolas, de pensamento fútil, tanto homens como mulheres. Por isso mesmo escreveu Isaias (55.2): “Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deleitará com a mais fina refeição”.

A moda estimula e explora a vaidade, aniquila a seriedade e a sobriedade – 2Tm 4.5: “Você, porém, seja moderado em tudo”; 1Pe 4.7 e 5.8.

A vaidade masculina também se manifesta no exibicionismo: mostrar sua força, sua inteligência, sua oratória, a capacidade de dominar e de se impor, a vaidade de “ser líder”.

No varão, do mesmo modo aniquila o altruísmo, a capacidade de servir. Como é triste ver um cristão transformar-se em ditador ou em vedete; é até ridículo.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Adolescentes - um estudo

Deve-se estabelecer limites para os adolescentes?

l. Para sua boa formação é essencial a existência da família organizada, onde se faz a sua socialização, com direitos e deveres definidos, e respeito de uns aos outros.

2. Os limites devem existir, mas não impostos (que não são aceitos), mas estabelecidos no diálogo.

3. Influência da TV, Internet e outros meios de informação. Esta é pulverizada e jogada sobre a pessoa, especialmente o adolescente, despreparado para julgar e ponderar.

4. É necessário mostrar ao adolescente que é preciso haver coerência entre pensamento e ação. Mostrar-lhe, também, as conseqüências de nossos atos, pelos quais somos responsáveis.

5. O educador tem que ser alguém que entenda o adolescente, com autoridade de um lado, e ternura, afeto e amizade de outro lado. Nada de chamá-los de “aborrecentes”.

6. Referenciais que estabelecem limites: o núcleo familiar, a escola, os amigos; aspecto negativo dos meios de comunicação sem preocupação ética e moral.

7. Crise da adolescência: ebulição de emoções, pensamentos e sentimentos; nem criança, nem adulto; choque com a geração mais velha.

O filho de 15 anos tem há 3 meses uma namorada de 17. Comunicou aos pais que nesse fim de semana vai viajar sozinho com ela; que fazer? Resposta: não admitir essa quebra de relação entre direitos e deveres, respeito às normas éticas da família.

Problema: as solicitações externas se chocam com as solicitações internas da família. Resposta: cuidado, sabedoria e firmeza do educador nessas situações.

8. Permissividade?

Não se pode pura e simplesmente liberar, nem simplesmente impor. Nem se pode tudo, nem se pode nada. O diálogo deve ponderar os padrões éticos dados por Deus, os direitos e os deveres, as conseqüências de nossos atos sobre nós mesmos e sobre outros, inclusive as crianças que estão por nascer.

9. No caso de liberdade que extrapolou os limites éticos no campo do sexo, o mundo encara como “problema” apenas a gravidez indesejada, e não a prostituição. Ora, a gravidez é a conseqüência mais provável que se pode esperar. A coisa errada não é a gravidez, mas o ato que a provocou.

Como lidar com a sexualidade de uma criança precoce? Os adultos estão erotizando as crianças, que assistem desde cedo novelas e filmes com cenas de sexo, programas de TV, etc. Quando surge a gravidez, “não sabem como e por que isso aconteceu”!

Nossas escolas não estão preparadas para trabalhar com o adolescente. As escolas mais “fechadas” ajudam a manter a ordem. As mais abertas crêem que é o próprio adolescente quem deve julgar e decidir sobre o que fazer, sem interferência dos pais e adultos.

Há uma contradição entre Família e Escola. A família tem valores que a escola deve respeitar. Essa contradição desorienta o adolescente que, freqüentemente, começa a enxergar sua família como “bitolada, ultrapassada, fora da realidade”.

Compreensão mútua, carinho, respeito mútuo e diálogo são indispensáveis, sempre.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Os Filhos de Deus (1Jo 4.1-9)

Alguma pessoa tem o direito de dizer-se filho (a) de Deus?

Por nós mesmos, não temos esse direito, como qualquer de nós não pode dizer que é filho de um milionário e assim tornar-se herdeiro dele. Mas se o milionário quiser adotar-nos como filhos, ele poderá fazê-lo – se aceitarmos – e tornar-nos seus herdeiros. Vamos ver como pode isso acontecer entre Deus e nós.

Só Deus é Deus - Is 45.5; 43.11.

Pelo pecado, o ser humano se afastou de Deus, desde o início - Gn 3.8 e Is 59.2.

Mas Deus busca o ser humano – Jo 4.23.

Veja alguns exemplos de pessoas que Deus procurou: Noé – Gn 6.8-14; 9.1, 8 e 9; Abrão – Gn 12.1-3; Moisés – Ex 3.1-6; Samuel – 1 Sm 3.1-10; os apóstolos – Mc 3.13; Mt 4.18-22; 9.9; Paulo – At 9.1-6; At 26.12-22.

Assim também Deus chama hoje, de algum modo. A todos Ele convida – Mt 11.28-30; Sl 95.7-8. Ele espera que nós aceitemos o Seu convite – Jo 6.35-37; 7.37-38; 4.10-14.

O que acontece quando alguém recebe e atende o convite de Cristo? Jo 1.11, 12; Gl 4.4-6; Rm 8.14-16; At 2.37-39. Somos adotados como filhos de Deus, e recebemos o dom ou dádiva do Espírito Santo; passamos a ser herdeiros de Deus - Rm 7.17; Gl 4.7; Tt 3.7.

Quem Deus deseja salvar? 1Tm 2.3-5.

Há alguém que não quer ser salvo? Jo 5.39-40.

“Se hoje alguém ouvir a Sua voz, não endureça o seu coração” Sl 95.7-8.

terça-feira, setembro 12, 2006

A imposição de mãos

“Não imponhas precipitadamente a mãos sobre ninguém” - 1Tm 5.22 e 1Co 1.14.

A imposição de mãos é referida no N.Testamento em vários casos: na ordenação de oficiais - 1Tm 4.14; por ocasião do batismo de pessoas - At 19.5-6; na cura de enfermos - Mc 6.5; em manifestação de carinho e amor fraternal - At 9.17, Mc 10.16.

Em nenhum texto a imposição de mãos é apresentada como algo mágico e poderosa em si mesma, nem como um gesto necessário para que algo especial aconteça. Em alguns casos, surge como um gesto litúrgico. Assim é até hoje, especialmente nas cerimônias de batismo, ordenação de oficiais e impetração da bênção apostólica (esta, nem sempre com imposição das mãos).

No texto de 1Tm 5.22, Paulo certamente se refere à ordenação de presbíteros, pois nos vv. 17 a 20 refere-se a eles. Precisamos ser muito criteriosos e rigorosos no exame de pessoas a serem ordenadas para o oficialato na Igreja. É um desastre termos como diáconos, presbíteros e pastores, pessoas que não foram chamadas para esses ministérios e qualificadas por Deus. Da mesma forma, quando são batizadas pessoas não - convertidas. Se não podemos, de um modo absoluto, saber quem é e quem não é convertido, por isso mesmo temos de tomar muito cuidado para não admitirmos ao batismo quem não nos pareça convertido. Isso, através de rigoroso exame.

Pode parecer estranho, mas Paulo escreveu aos coríntios (1Co 1.14): “Dou graças a Deus porque não batizei a nenhum de vós, senão a Crispo e a Gaio”. Isto porque a Igreja de Corinto estava se mostrando muito defeituosa e problemática, certamente por terem sido batizadas e admitidas como membros, por outros pastores que lá estiveram, pessoas não-convertidas.

Tais pessoas não-convertidas criam problemas muito mais graves do que os próprios convertidos podem criar. Estes reconhecem mais facilmente seus erros e ajudam a corrigi-los, enquanto os não-convertidos, muitas vezes são movidos por vaidades e interesses ilegítimos, buscando indevidamente o oficialato, inclusive o pastorado. Como isso é trágico! Na Igreja freqüentemente tornam-se maus políticos.

Se os Conselhos das Igrejas forem bastante criteriosos no preparo dos crentes novos (catecúmenos) e, depois, no exame deles para admiti-los ao batismo, evitarão muitos desapontamentos e dissabores.

O art. 12 dos “Princípios de Liturgia” estabelece que “todo aquele que tiver de ser admitido a fazer a sua profissão de fé será primeiramente examinado em sua fé em Cristo, em seus conhecimentos da Palavra de Deus e em sua experiência religiosa”.

Esse exame não deve, absolutamente, ser um exame “pró-forma”, mas sim muito cuidadoso e individual, inclusive porque é um exame de sua “experiência religiosa”, que implica na conversão, nas mudanças havidas em seu caráter e em sua vida.

Por tudo isso, sigamos a instrução inspirada do apóstolo: “Não imponhas as mãos sobre ninguém, precipitadamente”. De modo especial precisamos observar rigorosamente esta recomendação, que não é de Paulo somente, mas sim do Espírito Santo, quando se tratar de ordenar pastores. Pastor ordenado indevidamente, precipitadamente ou irresponsavelmente, é certo que vai ser um sério problema; para a Igreja e para ele mesmo. Levemos a sério o ensino bíblico.

sexta-feira, setembro 01, 2006

SOMOS, MESMO, REFORMADOS?

Quando lemos a História da Igreja vibramos com a fidelidade a Cristo, dos homens e mulheres de Deus. A começar com João Batista, Tiago irmão de João, Estevão, Paulo e outros. Encanta-nos a fidelidade de dezenas de pré-reformadores que surgiram quando a Igreja entrou em decadência por volta do século XIV; pregaram fielmente o Evangelho desafiando a cúpula corrompida da Igreja; quase todos foram martirizados pela “Santa” Inquisição.

O primeiro reformador bem sucedido foi Martinho Lutero, graças à proteção de Deus que pôs a seu lado os príncipes alemães. Depois, e ainda em seu tempo, vieram Melanchton, Zwínglio, João Calvino.

A Reforma se espalhou por grande parte da Europa sedenta da Palavra de Deus, tanto quanto de justiça social. Os poderosos exploravam os plebeus, geralmente muito pobres.

Era inseparável a verdade evangélica, do clamor por justiça social. Aos reformadores como Lutero e Calvino, interessava-os e movia-os a vida espiritual cristã coerente. Mas vida espiritual legítima desperta o desejo de justiça, pelo amor ao próximo, sem o qual não há verdadeira fé cristã.

Lutero e Calvino foram os dois pregoeiros da fé cristã integral. Não queriam a violência, mas foram acusados de promovê-la, porque o Evangelho estimula o povo ao progresso, e à não-aceitação da injustiça. As muitas revoltas dos camponeses e burgueses, contra a dominação do clero e dos ricos e nobres, misturavam-se com o movimento puramente religioso e cristão.

Calvino, especialmente, batalhou pela justiça social. Não podia aceitar que um cristão, a partir dele, deixasse de partilhar os seus bens com os mais pobres. Ele e os pastores reformados, em Genebra, viviam pobremente porque suas consciências não lhes permitia viver com fartura e ostentação enquanto havia pobres e miseráveis até mesmo entre cristãos verdadeiros.

Viviam, realmente, um “estilo de vida simples” (1Tm 6.8-10: “...tendo o que comer e o que vestirmos, estejamos com isso satisfeitos...”).

Ser pastor e cristão reformado é isso: pregar a doutrina de Cristo com fidelidade até as últimas conseqüências, amar a cada irmão, e não admitir nem aceitar a vida folgada financeiramente enquanto irmãos passam por toda espécie de privações.

João Calvino, o maior dos pastores reformados, era inteligente, muito culto, um verdadeiro “doutor”. Mas nem um instante deixou de identificar-se com os pobres, e por amor deles foi pobre também.

Hoje existe má distribuição de renda como nos dias de Calvino. Se somos realmente reformados, não podemos satisfazer-nos com o bonito discurso que fica só em discurso; temos que praticar o que pregamos. “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes”, disse Jesus Cristo. Especialmente nós, pastores, temos que dar o bom exemplo de desprendimento, preocupação real com o pobre, e prática real do amor cristão bem definido por Tiago e João: “Não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (1Jo 3.18); “se um irmão ou irmã estiver necessitado de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês disser: `vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se´ sem, porém, lhe dar nada, de que adianta isso? ...Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” e v.14: “acaso a fé (essa fé) pode salvá-lo?” (Tg 2.15-17). Não é uma questão de opção, questão de foro íntimo: ou somos integralmente cristão, ou não somos cristãos, ainda que imperfeitos. O que não é possível é conhecer as Escrituras e não a cumprirmos, exigindo isso dos outros. Leiam Mt 23.3.

Com tanta gente em nossas igrejas em extrema pobreza, estamos mesmo sendo “pastores reformados”? Ou apenas somos “bacharéis” e “doutores”?

Pior, ainda, se exigimos para nós uma situação financeira privilegiada, que no caso é ainda injusta e até desonesta. Temos que pensar nisso e agir coerentemente.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Saudade da Ditadura?

Tomo emprestado o título de artigo no “Estado de S. Paulo”, de 24/4/06.
Domingos Pellegrini, o autor, foi militante da dissidência do PC; nada tinha de simpatia pela “ditadura”, o regime duro dos governos militares de 64 a 84.
Fala ele de algumas mazelas do regime real da vida política e social do Brasil de hoje, e não esconde sua decepção com o tipo de democracia de hoje.
Em filme apresentado há poucos dias, foi recordada a luta dos que repudiavam a “ditadura”; muito interessante, porém parcial, pois nada mostrava dos abusos de políticos de então, quanto à sua desonestidade e falta de patriotismo. Um exemplo: o regime militar se instalou em 1964, destituiu ditatorialmente muitos governantes corruptos, ainda que tenha também cometido enganos e injustiças; moralizou muita coisa no âmbito econômico. Pois, apesar disso, em 1968 (apenas 4 anos haviam se passado), os “políticos” deram motivo para que o AI 5 fosse editado. Um dos fatos: Assembléias Legislativas realizavam diariamente várias reuniões, pois os srs. deputados recebiam “jeton” em cada reunião que realizavam; chegou ao cúmulo de uma Assembléia (se não me engano de Alagoas), realizar 11 (onze) reuniões extraordinárias em um só dia!
Os maus políticos “postos de castigo” em 1964, mereceram esse novo castigo em 1968. Não havia como deixar de aplaudir o “governo discricionário”.
Ao lado disso, nos seus primeiros anos, os governos conseguiram melhorar algo na vida do país e seus cidadãos. O Brasil chegou a ser a 8a economia do mundo, passou a exportar de tudo o que produzia; as obras de infra-estrutura foram muitas e de grande porte. A indústria nacional se desenvolveu muitíssimo, sem se descuidar da agricultura. Mas, passados apenas 10 anos, a corrupção já havia se reinstalado na vida pública. A “cultura de corrupção” não chegou a ser extinta e substituída por uma cultura de honestidade e civismo. A corrupção só tem aumentado. Pouco adiantou o regime militar, pouco adiantou a democracia restabelecida.
O Brasil está se transformando em um “barril de pólvora”; a guerra civil pode realmente acontecer. Lembro-me de que um governante mineiro, há algumas décadas, disse um dia: “Façamos a revolução antes que o povo a faça”!
Verdadeira Revolução não tem que ser sangrenta; mas tem que ser feita por governo forte, que tenha sobretudo força moral para realizar as transformações profundas que caracterizam uma verdadeira Revolução. Fora disso, temos apenas quarteladas, mudança de mandantes, injustiças e nada mais.
Como cristão presbiteriano sempre fui democrata convicto e abomino toda forma de ditadura. O que temos hoje no Brasil é uma múltipla ditadura: dos governantes desonestos impondo sua vontade autocrática sobre o povo; dos capitalistas selvagens – banqueiros, etc. – que pensam que está certo enriquecerem-se cada vez mais, embora 50% do povo empobreça cada vez mais, e milhões de pessoas estejam apenas sobrevivendo em extrema miséria. Isso tudo é ditadura!
Políticos, ponham isso em sua mente: “Façamos a Revolução necessária antes que o povo a faça” pela força bruta, por vingança sangrenta como foi na Revolução Francesa. Só assim todos poderão viver com dignidade e muitos passarão a viver também com suas consciências em paz.

(Rubens Pires do Amaral Osório, maio de 2006

quinta-feira, agosto 17, 2006

A Doutrina dos Decretos de Deus -Rm 8.28-30

Este assunto está contido na doutrina da Soberania de Deus. Deus é, por definição, Absoluto e Soberano; se não fosse, também não seria Deus.
Soberania de Deus significa que Sua vontade é soberana. Conseqüentemente nada acontece à revelia dEle; Ele dirige tudo o que acontece. Daí decorre a Doutrina da Predestinação, da Eleição e dos Decretos.
O estudo dos decretos de Deus complementa o estudo dos Cinco Pontos do Calvinismo:
Total depravação – Gn 2.16; 3.6-13; 6.5; Sl l4.1-3 e vários outros textos.
Unconditional election (eleição incondicional) – Rm 9.7-24; 2Co 2.14 e muitos outros.
Limited atonmente (expiação limitada)–Jo 3.18 e 36 (lCo 5.15 e 1Tm 2.3-4).
Irresistible Grace (graça ilimitada) – Jo 6.37, 44-45; Rm 8.30; 2Tm 1.9-10; Ex 36.26; 11.19-20; 36.27.
Perseverança dos santos – Jo 10.27-29; Ef 1.11-13; 1Jo 2.19 (Mt 24.14).
Neste estudo das Escrituras verificamos que nada acontece à revelia de Deus – desde a criação do universo e do ser humano, até toda a História da humanidade, até a volta gloriosa de Cristo, o juízo final e a completa glorificação dos salvos.
A maneira como Deus dirige é o que verificamos na doutrina dos Decretos: de diferentes maneiras Deus o faz – sem tirar a liberdade e a responsabilidade dos anjos nem do ser humano -, mas com Seu poder supremo fazendo com que Seu plano se realize segundo a Sua vontade.
Os diferentes tipos de decretos são:
1- decretos determinativos- em que Deus determina algo e por isso é o Autor e responsável pelo que acontece. Exemplos: Gn 1; 12.1; At 9.6 e muitos outros
2- decretos permissivos- em que dá liberdade às criaturas. Gn 2.16; Dt 11.26; 30.15, 19; Jo 1.12; 2.6; 1Co 10.13; Jo 19.11; 2Cr 36.21; Mt 27.35; Jo 12.38; 17.12; At 1.16 e muitos outros.
3- decretos delimitativos- com os quais Deus põe limites à ação das criaturas- 1Co 10.13; Jo 1.12; 2.6
4- decretos diretivos – quando, através dos mais diferentes modos, Deus dirige tudo de tal maneira que a vontade dEle é realizada e Seu plano eterno se completa de modo perfeito. A vida de José é a melhor ilustração disto, o que se percebe especialmente em Gn 50.20 (“Deus o tornou em bem”).

quinta-feira, agosto 03, 2006

Princípios Bíblicos para a Educação dos Filhos

“A família é a base da sociedade” é um refrão antigo e verdadeiro.
Família bem organizada e sólida produz sociedade sadia. Família enfraquecida e desorganizada produz sociedade doentia e infeliz. Ao mesmo tempo a sociedade exerce influência enorme sobre cada família; há entre elas uma interação e uma influência recíproca. Cria-se, queiramos ou não, ou um círculo virtuoso ou um círculo vicioso, e quem se beneficia ou sofre as conseqüências ruins é o ser humano.
Cada um de nós é, ao mesmo tempo, fruto do meio e causa, um agente ativo do que será a sociedade em que cada um vive.
Ou somos, individualmente e coletivamente, “sal da Terra e luz do mundo”, ou somos os elementos corruptores e desagregadores da sociedade da qual somos parte.
Individualizando a questão: cada um de nós é, ao mesmo tempo, fruto do meio em que vive – a começar pela família – e também um fator determinante do que seja a família e a sociedade.
O papel principal da família é o de formar pessoas de bem, de bom caráter, que venham a ser fatores de uma sociedade sadia e feliz.
“Educação dos filhos” é o fator determinante do que será a sociedade em que vivemos.
Muitas são as teorias humanas a respeito do assunto. Desgraçadamente têm existido através dos séculos a família poligâmica, família poliândrica, concubinato, e agora o pior arremedo de família, que é a união de homossexuais e lésbicas, que pretendem - e muitos já são os que têm conseguido – “adotar” filhos, visto que sua união é anti-natural e não podem gerar filhos. A deformação moral em que crescerão tais crianças é algo espantoso e repelente.
Ficamos com a sabedoria divina exposta nas Escrituras Sagradas, a Bíblia.
Começamos com o tipo de família. O mundo apresenta vários tipos; a Bíblia fala de um só tipo de família, organizada por Deus.
É a família monogâmica; marido e mulher unidos por Deus, pelo vínculo do amor, gerando, criando e educando filhos para Deus. Por isso mesmo as Escrituras falam, em Gn 6.2 em “filhos de Deus” e “filhas dos homens”, e em 1Jo 3.10 falam de “filhos de Deus” e “filhos do diabo”. Ec 7.29 diz: “Deus fez o homem reto, mas eles buscaram muitas invenções”. Entre essas invenções estão a mentira, a violência, a prostituição, o adultério, a poligamia, a poliandria, o concubinato, o lesbianismo, o homossexualismo (Rm 1.23-27) e tantas outras formas de pecado.
A família começa com marido e mulher (Gn 2.21-22) e será o resultado de ter seguido, ou não, a orientação de Deus para o casal e a família:
1. casal unido pela vontade de Deus - Gn 24.12-14.
2. casal que cultive o amor – Cl 3.14 - nos 3 aspectos da pessoa humana: físico, intelectual e espiritual.
3. casal em que haja respeito entre marido e mulher – Ef 5.25 e 33.
4. casal que busca sempre o entendimento e não o domínio de um sobre o outro – 1Pe 3.7.
5. casal que se organiza também na vida financeira, como bons mordomos de Deus - Lc 14.28.
6. casal que reconhece a necessidade da direção e bênção de Deus, como ensina o Sl 127; que reconhece os filhos como bênçãos dadas por Deus; que cuida deles e reconhece o seu valor.
7. casal que consagra seus filhos a Deus, como Ana consagrou seu filho Samuel - 1Sm 1.9-12 - e Maria, que aceitou a incumbência dada a ela por Deus, em referência a Jesus – Lc 1.30-38.
Convém destacar o papel dos pais na educação dos filhos. Os pais são os colaboradores de Deus na preservação, não só da espécie, mas de um povo exclusivo de Deus, a Igreja - 1Pe 2.9-10; Mt 16.18; Ef 3.6, 10, 14-15.

Princípios bíblicos para educação dos filhos:

1. Ensinar e viver a Lei de Deus – Dt 6.4-9; Pv 9.10; Sl 111.10.
2. Contar aos filhos os grandes feitos de Deus - no passado e no presente - Sl 78.1-8; a História da Redenção.
3. Disciplinar: ensinar, corrigir, discipular os filhos – Hb 12.5-8.
4. Cultivar com sabedoria, uma interação entre pais e filhos - Cl 3.20-21.
5. Mostrar a responsabilidade dos próprios educandos - Ef 6.1-2.
6. Ser para os filhos um paradigma, um modelo, um exemplo digno de ser seguido - 1Tm 4.12; Cl 3.21.

terça-feira, julho 25, 2006

A Lei de Deus: como entender e obedecer

A Lei de Deus se encontra em toda a Bíblia, a Escritura Sagrada.

Os 10 mandamentos (Ex 20.3-17) são os fundamentos e ao mesmo um resumo de todas as leis contidas nos 66 livros da Bíblia. Cada uma delas é a aplicação dos princípios éticos contidos nos mandamentos, aplicação feita às mais variadas circunstâncias da vida humana.

O lº (v 3) - ensina o monoteísmo e o princípio da adoração só ao único Deus.
O 2º (vv 4 e 5) - ensina o princípio da espiritualidade do culto e proíbe a adoração de imagens ou pinturas, ou seu uso para fins de culto.
O 3º (v 7) - ensina o princípio do respeito absoluto a Deus e a tudo o que a Ele se refere, e proíbe o uso indevido de Seu nome.
O 4º (vv 8 a 11) - ensina o princípio do trabalho e do descanso. Manda trabalhar seis dias e reserva o sétimo para descanso e santificação.
O 5º (v 12) - ensina o princípio do respeito aos pais como autoridade, aos quais se deve obediência.
O 6º (v 13) - ensina o princípio do respeito à vida e proíbe toda forma de homicídio.
O 7º (v 14) - ensina o princípio da fidelidade conjugal e da pureza pessoal. Proíbe explicitamente o adultério, e implicitamente proíbe outras práticas semelhantes e tudo o que fira o princípio nele contido.
O 8º (v 15) - ensina o princípio de respeito aos bens alheios e da honestidade nos negócios, e proíbe o furto sob qualquer de suas muitas formas.
O 9º (v 16) - ensina o princípio da honestidade intelectual e da verdade. Proíbe qualquer forma de mentira contra o próximo.
O 10º (v 17) - ensina o princípio da satisfação com o que cada um tem e proíbe toda espécie de ganância e cobiça. À luz do ensino de 1Tm 6.8-10 entendemos melhor este mandamento.

Em toda a Escritura encontramos os desdobramentos e aplicações de cada um dos princípios éticos dos 10 mandamentos. Desse modo, toda e qualquer lei, se a examinarmos bem, verificaremos que está implícita em algum dos mandamentos ou até em mais de um deles. Dando um exemplo só: os textos e leis que condenam a prostituição e o homossexualismo, estão implícitos no 7º mandamento.

Essas leis dizemos chamarem-se leis morais ou Lei Moral. São permanentes, valem para todos os tempos, jamais foram abolidas por Cristo; ao contrário, Ele aprofundou a compreensão delas, tornando-as muito mais extensas do que os fariseus entendiam.

Encontramos nas Escrituras outros tipos de leis que não se chocam com a Lei Moral; ao contrário, a reforçam e confirmam; mas não são permanentes. Os princípios permanecem, mas a letra da lei não. Por exemplo, as leis cerimoniais. A Igreja Cristã, por mais dividida que esteja em denominações e seitas, não realiza mais a circuncisão, sacrifícios pelos pecados; não possue mais sacerdotes, nem realiza o cerimonial prescrito para o culto no tabernáculo e no templo. A exceção é a das Igrejas Romana e Ortodoxa. Nelas o padre é tido, ainda, como sacerdote, e pensam repetir o sacrifício de Cristo a cada missa que realizam.

Também as leis sanitárias e higiênicas, que visavam a preservação da saúde dos israelitas no deserto e na região quente do Oriente Médio, não se aplicam a todos os tempos e regiões. Por exemplo, os habitantes das regiões polares alimentam-se de carnes gordas, como as das focas, pela necessidade de muitas calorias e não podem deixar esse tipo de alimentação. Técnicas e conhecimentos modernos nos ajudam a compreender que certas prescrições da Lei devem ser entendidas pelos princípios nelas contidos, de cuidados higiênicos com o corpo e com a saúde, mas não são prescrições literais para todos os lugares e situações. Esses princípios é que são universais e imutáveis.

As leis civis contidas nos livros de Moisés eram aplicáveis entre o povo de Israel no regime da Teocracia, sob a direção de Deus, que falava não só pelos profetas mas também através de Urim e Tumim. Hoje não é possível, por exemplo, que a Igreja, pretendendo cumprir tais leis, condene alguém à pena de morte por ter desonrado os pais, ou quebrado o 4º mandamento, ou por ter adulterado, ou ter matado alguém. Muito menos poderá a Igreja executar essa sentença, pois não vivemos mais sob a Teocracia dos tempos de Israel. Nossas leis civis hoje não são as dos livros de Moisés. Mas, também destas leis permanecem os princípios éticos permanentes do respeito aos bens alheios, de respeito à vida humana, o de pureza pessoal e fidelidade conjugal e o princípio que não admite a impunidade. Nestes casos prevalece outra lei de Deus, contida em Dt 32.35, Lv 19.17-18, e resumida em Rm 12.19: “minha é a vingança, Eu recompensarei, diz o Senhor”. E há, ainda, a lei do perdão para aquele que, diante de Deus, está mesmo arrependido.

Cuide-se, todo cristão, para não se tornar frouxo no cumprimento pessoal da Lei de Deus. Mesmo que as leis civis e os costumes atuais sejam condescendentes com o pecado, como realmente muitas delas são, como cristãos temos que guiar-nos pela Lei do Senhor, como está nas Escrituras. Ele é misericordioso e perdoador, mas Suas promessas são para “aqueles que O temem”, “guardam o Seu concerto e se lembram dos Seus mandamentos para os cumprirem”- Sl 103.11-18; Sl 51.17, e ainda Sl 32.5 e Mt 5.17-20.