quinta-feira, julho 10, 2008

Lições Bíblicas - 13d

A Soberania de Deus e a Oração


Cremos em Deus, não só porque todo ser humano tem em si mesmo a idéia inata da existência de Deus, mas, sobretudo, porque Ele nos deu a fé e porque as Escrituras Sagradas nos falam de Deus e do conceito que devemos ter dEle: o único, onipotente, onipresente e onisciente; criador dos céus e da Terra e de tudo quanto existe; infinito e perfeito em todo o Seu ser - na bondade, na sabedoria, na justiça, na santidade; espírito puro e Senhor dos senhores, Rei dos reis, dEle "é a Terra e tudo o que nela se contém, o mundo e aqueles que nele habitam"; mantenedor de toda a criação, a qual Ele dirige. Assim, Deus é soberano. Seu poder é completo e absoluto; nada e ninguém pode contrapor-se a Ele, embora por algum tempo pretenda contrariar a Sua vontade.

Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança e, dessa forma, capaz de relacionar-se com Ele. Deus busca o homem e quer que nós tenhamos comunhão com Ele. A comunhão mais estreita com Deus, se dá através da Oração.

Deus quer que oremos, mas não que nos relacionemos com Ele apenas através da oração. Ele deseja que nossa comunhão com Ele seja constante. Nesse sentido é que Paulo nos ensina e exorta: "orai sem cessar" - 1Ts 5.17.

Assim entendida a Soberania de Deus, ninguém jamais pode pensar que a vontade de Deus poderá ser mudada por causa da oração de quem quer que seja.

Quem crê na Soberania de Deus, sem confusão e sem distorções, ora e não deixa de orar. Se ternos um Deus soberano que nos ama, que nos faz solenes promessas, que nos ensina a orar porque deseja que oremos a Ele, seria incoerência de nossa parte deixar de orar. Nesse caso ninguém pensará "Se Deus faz sempre a vontade dEle, e faz o que já está por Ele determinado, não adianta orar". não pensará assim, pois Deus jamais ensinou que, se orarmos, poderá acontecer algo fora de Seu plano; Ele sabe o de que precisamos, sabe o que nos convém - Mt 6.8.

Quando Tiago, o irmão do Senhor, diz em 5.16 de sua carta: "A oração de um justo pode muito em seus efeitos", não está dizendo que um efeito da oração é mudar os planos de Deus, pois ele mesmo diz que em Deus "não há mudança nem sombra de variação" - 1.17.

Os resultados ou e feitos da oração são um estímulo para que oremos, e são diversos: (1) a oração sincera e correta nos aproxima de Deus; por ela falamos diretamente a Deus; (2) ela nos torna mais humildes, porque reconhecemos nossa carência e completa dependência de Deus; (3) ela é um exercício de fé, pois oramos plenamente confiantes de que Deus pode todas as coisas (Tg 1.6); (4) na oração intercessória, "uns pelos outros" desenvolvemos o sentimento de solidariedade; "...que se façam orações... por todos... pelos reis..." (1Tm 2.1-2); quando oramos por a1guém e essa pessoa sabe que oramos por ela, isso lhe faz bem porque ela se sente amada e apoiada moralmente (2Tm 1.3); (5) quando oramos e pedimos de acordo com a vontade de Deus, e então recebemos, mesmo tendo pedido aquilo que parecia impossível, é imensa a alegria e se fortalece mais a nossa fé; (6) quando oramos e não recebemos resposta favoráve1 de Deus, fortalece-se também a nossa fé, pois aceitamos a vontade de Deus, soberana - "Seja feita a Tua vontade" (Mt 6.10 e 26.39); (7) quando oramos agradecendo a Deus, ou para louvar a Deus, crescemos espiritualmente, pois esse é o nosso dever.

A oração é um precioso meio de graça através do qual Deus nos dá grandes bênçãos; por isso precisamos orar e saber orar . Leia Lc 11.1-4.

sexta-feira, julho 04, 2008

Lições Bíblicas - 13c

Mordomia e dízimo


Deus põe à prova o homem que Ele admite como Seu mordomo. Uma das provas criadas por Deus é a prática do dízimo, isto é, da dedicação do dízimo ao Senhor.

A palavra dízimo significa "décima parte" e pela primeira vez a encontramos em Gn 14.20, quando Abrão se encontrou com o sacerdote Melquisedeque e "Lhe deu o dízimo de tudo".

Em Lv 27.30-32 encontramos a "lei do dízimo", agora escrita por Moisés, e diz expressamente, por 2 vezes, "o dízimo é do Senhor", isto é, Deus não o dá , mas o reserva para o uso estabelecido por Ele mesmo. Não sabemos quando a lei foi estabelecida, mas já vimos que desde os tempos de Abrão era uma prática existente. Veja também Gn 28.22, com Jacó.

Os dízimos entregues pelos israelitas eram destinados principalmente ao sustento dos levitas (os membros da tribo de Levi) "pelo seu ministério que exercem, o ministério da tenda da congregação" - Nm 18.20-26. Dos dízimos também uma parte era destinada a beneficência e serviço social, ou amparo ao "estrangeiro, ao órfão e à viúva" - Dt 26.12-13.

Que Deus continuou sempre exigindo o cumprimento de Sua lei, inclusive a do dízimo, fica claro em Ml 3.7-10, quando Deus repreende severamente os israelitas por sua infidelidade como mordomos desonestos. Ele usa aí o verbo "roubar", porque os israelitas ficavam com a décima parte que deveriam entregar no templo; era uma apropriação indébita.

Mas Deus faz solenes promessas àquele que cumpre Sua lei: "abrir as janelas do céu..." de tal modo "que dela vos advenha a maior abastança".

No Novo Testamento encontramos poucas, mas suficientes referências ao dízimo, para saber que o Senhor jamais revogou Sua lei, como fica claro em Mt 5.17-20. Quem se refere diretamente ao dízimo é Cristo, em Mt 23.2, 3 e 23; leia também Lc 11.42. Quando Cristo diz "deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas”, deixa claro que nosso dever é obedecer a lei do dízimo e não deixar de praticar "o mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé", pois estas também fazem parte da lei.

A obediência, pela fé, resulta em receber bênçãos especiais de Deus; não é uma barganha ou um negócio que fazemos com Deus; não é isso que Deus propõe e podemos estar certos de que isso Ele não aceita.

Resumindo:

l. Deus instituiu a lei do dízimo em favor do próprio homem, pois Ele mesmo não tem nenhuma necessidade, visto que Ele é o Senhor de todos os bens - Ageu 2.8. Os dízimos eram, no Antigo Testamento, destinados ao sustento dos levitas, amparo de estrangeiros, órfãos e viúvas - Dt 26.12-13.

2. Em Ml 3.8-9 Deus tratou severamente os israelitas pela prática de reterem os dízimos e as ofertas, também regulamentadas no livro de Levítico; por exemplo, Lev 12.8, que trata da oferta de pessoas pobres, corno foi a oferta de José e Maria por ocasião da circuncisão de Cristo - Lc 2.21-24.

3. A lei do dízimo é um teste de fidelidade para provar os servos de Deus. Seu cumprimento exige confiança em Deus, fé no cumprimento de Suas promessas feitas em Ml 3.10, Sl 103.13, 17-18 e centenas de outros textos.

4. Muitos crentes fracos, cheios de problemas, desanimados, certamente terão suas vidas mudadas se passarem a confiar em Deus e se tornarem fiéis já, sem estarem pretendendo negociar com Deus. Ele não está interessado no dízimo em si, mas sim na sua fidelidade em tudo.

"Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito" - palavras de Cristo, em Lc 16.10. "Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei" - Mt 25.21.

quinta-feira, junho 26, 2008

Lições Bíblicas - 13b

A soberania de Deus e a mordomia crista


Deus é o Criador e Senhor de todas as coisas, de tal modo que Ele também dirige tudo quanto acontece. Ele é o Senhor da História dos povos e, portanto, das pessoas.

Então perguntamos: nós, o que somos? Não somos os senhores de nós mesmos, de nossa casa, de nossa família e de tudo o que podemos alcançar? Realmente, não somos os senhores de nada; nós também somos propriedade dEle e estamos debaixo do poder absoluto e soberano de Deus. Tudo quanto dizemos que é nosso, é realmente do Senhor.

Mas, em relação aos bens que o Senhor nos dá e coloca em nossas mãos, o que somos?

Aos olhos humanos somos donos desses bens; diante de Deus, porém, tudo é de Deus e somos apenas administradores ou mordomos desses bens: nossa casa, nosso emprego, nossa inteligência, nossa família, nossos amigos, nosso dinheiro, nosso corpo, nossa vida, nós mesmos e todos os demais bens pertencem ao Senhor. De tudo somos apenas mordomos. Este é um privilégio que Deus nos dá. Precisamos honrar a confiança que Ele deposita em nós. "...tudo é vosso, e vós de Cristo" - 1Co 3.22.23.

A parábola dos talentos - Mt 25.14-30 - e a parábola das minas - Lc 19.12-27- ensinam essa verdade.

Por isso é que Paulo diz em 1Co 6.19-20 "não sois de vós mesmos... fostes comprados por bom preço"; Pedro ensina a mesma verdade: "...não foi com coisas corruptíveis que fostes resgatados... mas com o precioso sangue de Cristo..." - 1Pe 2.18-19.

Cristo confirma que Ele é o Senhor - Jo 13.13: "Vós Me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque Eu o sou". Quando Tomé O adorou dizendo "Senhor meu e Deus meu", Jesus aceitou sua adoração porque Ele realmente é Deus e Senhor.

Ele é Senhor e nós somos servos; Ele manda e a nós cabe obedecer; Ele dirige e a nós cabe aceitar Sua direção. É Senhor porque criou e sustenta todas as coisas, incluindo nós mesmos: além disso Ele nos resgatou do poder da perdição.

É um grande privilégio sermos mordomos e cooperadores de Deus - 1Co 3.9.

quinta-feira, junho 19, 2008

Lições Bíblicas - 13a

"Soberania é a qualidade ou caráter do que é Soberano. Soberano é o supremo" (Dicionário da Lingua Portuguesa, de Caldas Aulete).

Afirmamos a Soberania de Deus. Essa afirmação é decorrente de tudo aquilo que as Escrituras ensinam a respeito de Deus: Ele é "infinito, eterno e imutável em Seu Ser, em Sua sabedoria, em Seu poder, em Sua santidade, em Sua justiça, em Sua bondade e em Sua verdade"; Ele é onisciente (Sl 139) e onipotente; é o Todo-Poderoso; "dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas" (Rm 11.36); Ele tem todo o poder nos céus e na Terra.

Esse conceito bíblico a respeito de Deus é como a coluna vertebral de toda a doutrina cristã; em tudo que cremos ou afirmamos temos que estar considerando a Soberania de Deus. Se algo se choca com esta doutrina, certamente está errado.

Crer em um deus que não é soberano, é crer em algo que não é Deus; é o paganismo, o politeísmo, a superstição. E, por incrível que pareça, esse paganismo tem penetrado na Igreja. Cuidado, pois! Leia: Dt 6.4; Is 45.5, 18 e 22; Sl 24.1 e 10; Sl 33.8-9; Sl 139.7-12; Sl 90.2; Ml 3.6; Tg 1.17; Rm 11.33-36; 1Rs 8.27; Gn 17.1; Ap 19.6; Is 6.3; Dt 32.4; Sl 100.5.

quinta-feira, junho 12, 2008

Lições Bíblicas - 12

"A Igreja Católica ou Universal, que é invisíve1, consiste no número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo, sob Cristo; ela é a esposa, o corpo... " (Confissão de Fé, cap. XXV, 1) - Ef 4.5-6.

Chamamos Igreja visível a parte da Igreja que está no mundo, formada por todos que confessam a Jesus Cristo como Senhor e recebem o Batismo.

Cristo mesmo estabeleceu Sua Igreja no mundo: ..."sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja" - Mt 16.18. O aspecto perfeito da Igreja é Cristo, a cabeça - Cl1.18 e Ef 5.23. Ele é "a cabeça" e ao mesmo tempo o "salvador do corpo". A cabeça dirige, o corpo obedece; a cabeça é parte indispensável do corpo para que tenha vida. Assim é Cristo em relação à Igreja. o aspecto imperfeito da Igreja somos nós, que aos poucos vamos sendo aperfeiçoados pelo Espírito Santo ~ Fp 1.6.

Ainda que imperfeita, a Igreja representa no mundo o Reino de Deus, embora ela não seja o Reino de Deus, mas apenas parte dele. Por isso temos que respeitar a Igreja, honrá-la e serví-la, por ser a Igreja de Cristo. Isto se aplica a igreja local que frequentamos, a denominação a que pertencemos e ao conjunto de todas as igrejas cristãs espalhadas pelo mundo, enquanto permanecerem fiéis a Cristo e as Escrituras.

Olhemos para a Igreja Primitiva, dos tempos apostólicos, do Novo Testamento: vemo-la gloriosa, vitoriosa, mas também imperfeita, enfrentando problemas internos semelhantes ou iguais aqueles que enfrentamos hoje.

Ela é formada por Cristo, a Cabeça" os homens e mulheres convertidos e seus filhos. O que nós somos é a Igreja. Por isso todos ternos deveres e responsabilidades para com ela.

Na Igreja do Novo Testamento encontramos uma organização, uma estrutura: os apóstolos, os evangelistas, os diáconos e os presbíteros (entre eles os pastores) e pessoas com os mais diferentes dons e ministérios. Assim deve continuar sendo hoje e sempre. Leia-se Ef 4.11-16; 1Co 12.4-7 e 12 a 28; At 20.17 e 28; 6.1-6; Tt 1.5; 1Tm 3.1-12.

A Igreja tem uma missão no mundo: cumprir as ordens dadas por Cristo, a Cabeça: pregar o Evangelho - Mc 16.15; fazer o bem a todos - Gl 6.10; Dt 15.11; Lc 9.10-17; seguir o ensino e o exemplo de Cristo em tudo - Jo 13.13-17. Fazendo assim, a Igreja e cada um de nós será uma bênção - Gn 12.2.

Sobre nossos deveres como membros da Igreja, diz-nos a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, no seu artigo 14: "São deveres dos membros da Igreja, conforme o ensino e o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo: 1. viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; 2. honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra; 3. sustentar a Igreja e as suas instituições moral e financeiramente; 4. obedecer as autoridades da Igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras; 5. participar dos trabalhos e reuniões da sua igreja, inclusive assembléias".

quinta-feira, junho 05, 2008

Lições Bíblicas - 11

11a Lição - EM QUEM NÓS CREMOS: A TRINDADE

O “Credo Apostólico” diz: “Creio em Deus Pai, Todo Poderoso, criador do Céu e da Terra... Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor... Creio no Espírito Santo...”

Paulo proclama: “Há um só Deus, o Pai... e um só Senhor, Jesus Cristo...”- 1Co 8.6. É um Deus pessoal, não um deus impessoal que se confunde com a própria natureza, como crêem os teosofistas e muitos outros.

O único Deus, por ser infinito em Seu ser e perfeições, espírito puro, invisível, imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo e absoluto, seria completamente desconhecido (incognoscível) por nós, por causa de nossa finitude, imperfeições, materialidade e limitações. Deus, porém, quer que nós O conheçamos e com Ele nos relacionemos.

Por isso Ele Se revela e Se apresenta a nós de maneira que possamos compreende-Lo tanto quanto é possíve1.

Apresenta-Se como Pai, e nós compreendemos a figura de Pai: zeloso, cheio de amor pelos filhos e também autoridade; apresenta-Se como "Senhor dos senhores", ''Rei dos reis", "Senhor dos Exércitos" e isto significa ser o Senhor da História, autoridade máxima sobre todas as criaturas; apresenta-Se como Juiz (Sl 50.6) e nós O entendemos como Aquele que pode punir e também recompensar. E assim entendemos muito mais sobre Deus.

Jesus Cristo ensinou: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Esta é a Trindade em Quem cremos

O Pai, referido nas Escrituras muitas vezes apenas pela própria palavra Deus, é o criador de todas as coisas; Jesus Cristo é o Filho, pois assim Ele é apresentado pelo Pai (Mt 3.17) e Cristo diz: “Eu e o Pai somos um" (Jo 10.30) e “Quem me vê a Mim vê o Pai” (Jo 14.9) - Mc 1.11; Lc 9.35.

O Espírito Santo é Deus, juntamente com o Pai e o Filho. Como Deus, Ele estava presente atuando na obra da criação - Gn 1.2; é Ele o Autor da inspiração das Escrituras - 2Pe 1.21; Cristo ensinou que o batismo deve ser feito em nome da Trindade (Mt 28.19). Pedro se refere ao Espírito Santo como Deus - At 5.3-4: "...por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo...? não mentiste aos homens, mas a Deus. Cristo se refere ao Espírito Santo, não como uma "força", mas como uma pessoa: ''Espírito de verdade... habita convosco" - Jo 14.16,17; "...O Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito"- Jo 14.26; "Aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" - Jo 16.13.

Paulo se refere ao Espírito Santo como Alguém que pode mas não deve ser entristecido por causa de nossos pecados - Ef 4.30 - "não entristeçais o Espírito Santo...". Diante destes e outros textos compreendemos que o Espírito Santo é divino e é uma pessoa, pois tem atributos de pessoa. Também não é apenas ''um espírito", mas é Deus, junto com o Pai e o Filho.

É necessário, também, entender que as três pessoas da Trindade, por serem um só Deus, são inseparáveis: onde está Um também está o Outro, embora cada Um seja distinto do Outro; Deus não é divisível como nós, que somos compostos de corpo e alma.

Os que não crêem na Trindade - mórmons, "testemunhas de Jeová", os ''unitários'' e espíritas alegam ser absurda e incompreensível a doutrina da Trindade: um só Deus, porém três pessoas. Para e1es isso é incompreensíve1 e, portanto, inaceitável..

Nós, porém, não cremo apenas naquilo que compreendemos, pois a mente ou inteligência do ser humano é finita, é pequena demais diante da infinitude de Deus. Como poderíamos entende-Lo completamente? Isto só aconteceria se Deus não fosse Deus, eterno e infinito, ou se nós fôssemos iguais a Ele. Isso é que seria absurdo, pois não podem existir dois infinitos.

quinta-feira, maio 29, 2008

Lições Bíblicas - 10f

É certo que ninguém cumpre perfeitamente nenhum dos mandamentos do Senhor. Esse triste fato é consequência da corrupção total do ser humano. João afirma: "Se dissermos que não ternos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós"- 1Jo 1.8. Leia-se também Tg 3.2 e 8; Rm 7.14-25.

Mas, pela misericórdia de Deus somos salvos pela Sua graça, apesar de nossos pecados. Como vimos na lição sobre santificação, aquele que é nascido de novo, e por isso está salvo, está salvo também da escravidão do pecado, isto é, peca mas não continua no pecado: arrepende-se, abandona-o, confessa-o a Deus e a esse respeito afirma ainda João: "Se confessarmos os nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (1Jo 1. 9).

Pode alguém lembrar-se de cada preceito ou lei contida na Lei do Senhor? Certamente não, mas não precisamos conhecer decor a Lei e lembrar-nos de cada texto a cada vez que somos tentados; o que precisamos é conhecer os princípios éticos contidos nos mandamentos, tê-los no coração, e então estaremos preparados para resistir a toda tentação.

Os imutáveis princípios éticos. Podemos enunciá-los com poucas palavras:

1. Todos tem o direito e o dever de trabalhar e descansar, e pelo trabalho construtivo prover os bens materiais de que necessita para si e para sua família. Leia Sl 128.1-2.

2. Respeitar a todos os seres humanos, a começar pelos próprios pais, honrando-os, e as autoridades constituídas na sociedade humana. Leia 1Tm 2.1-2.

3. Respeitar, proteger e defender a vida de toda pessoa, bem como a sua integridade física e moral, pela prática do bem e da não-violência.

4. Ser puro e limpo de coração, preservar o corpo de toda impureza relacionada com sexo fora do casamento instituído por Deus.

5. Respeitar os bens alheios ou coletivos, sendo honesto em todos os negócios, usando unicamente o trabalho produtivo para adquirir os bens de que necessite.

6. Respeitar, amar, defender e dizer sempre a verdade.

7. Estar plenamente satisfeitos com o que somos e o que temos.

Jesus Cristo nos dá um critério que reúne todos os princípios éticos, com base no amor: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós" - Mt 7.12. Se a cada momento em nossa vida pusermos em prática este ensino, obedeceremos realmente a Lei do Senhor.

quinta-feira, maio 15, 2008

Lições Bíblicas - 10e

O 5o mandamento ensina o respeito, não só aos pais, mas também aos superiores, aos subalternos e aos iguais. Leia-se Ef 6.1, 5 e 9; Rm 12.10; 13.1; Ef 5.21-22. Proíbe fazermos qualquer coisa contra a honra dos pais, das autoridades e do próximo em geral. Lembra-nos, o apóstolo Paulo, que este é "o primeiro mandamento com promessa" de longa vida e prosperidade àqueles que o guardam.

O 6o mandamento ensina o dever de defender e preservar a própria vida e a do próximo. Leia-se Ef 5.29; Mt 10.23; Sl 82.3-4; 1Rs 18.4. Proíbe tirar a própria vida ou a do próximo, e fazer tudo aquilo que possa concorrer para isso. É mandamento contra toda espécie de violência - Mt 5.21-22.

O 7o mandamento exige a preservação da própria castidade e pureza pessoal, bem como a de qualquer pessoa - no coração, nas palavras e na conduta. Leia-se Mt 5.28, 1Ts 4.4-5; 1Co 6.10; 7.2; Ef 4.29; 5.11-12; Cl 4.6. Proíbe toda forma de impureza por pensamentos, palavras e atos; proíbe igualmente o adultério, a prostituição, o homossexualismo e todo pecado relacionado com o sexo. Leia-se 1Co 5.9-11; 6.10-11, 15-16, 18-19; Ef5.3-5. Não é um mandamento contra o uso do sexo, pois este foi criado por Deus, mas contra todo uso incorreto ou impuro dele. Para conseguir-se isso, necessário se faz praticar-se a constante higiene mental- "...Tudo o que é puro... nisso pensai"- Fp 4.8 e Mt 5.8: "bem aventurados os limpos de coração".

O 8o mandamento ensina o respeito pelo bem alheio e, juntamente com o 4o mandamento, mostra que é pelo trabalho honesto e produtivo que haveremos de conseguir os bens materiais necessários. Leia-se 2Ts 3.10-12; Pv 20.4; 24.33-34; 27.23; Ef 4.28; Lv 25.35; Fp 2.4; assim, proíbe toda espécie de desonestidade: o furto, o roubo, o assalto, o contrabando, o peculato, o estelionato, a falsificação, a sonegação de impostos, etc. Leia-se ainda Pv 21.6 e 2Ts 3.7-10; Habacuque 2.9 - "ai daquele que ajunta bens mal adquiridos".

O 9o mandamento exige a promoção e a manutenção da verdade entre os homens e a manutenção de nossa reputação e a do próximo, especialmente quando somos chamados a dar testemunho” sobre alguém, ensina-nos o Catecismo presbiteriano. Leia-se Zc 8.16; At 25.10; Pv 14.5 e 25; Mt 5.37. Proíbe toda forma de inverdade ou palavra que seja prejudicial à verdade, ou injuriosa, tanto à reputação nossa como a do nosso próximo: a mentira, a meia-verdade dolosa, a hipocrisia, o fingimento, etc. Leia Pv 19.5; 6.16-19; Lc 3.14; Sl 15.3; Mt 6.16; Gn 20.2-3, 12.

O 10° mandamento ensina e “exige pleno contentamento com a nossa condição", isto é, que estejamos satisfeitos com o que somos e com o que é legitimamente nosso. Leia-se Hb 13.5, 1Tm 6.8. Não proíbe que desejemos melhorar a nós mesmos e nossas condições de vida, mas proíbe o descontentamento, "a inveja ou pesar à vista da prosperidade do próximo e toda tendência e afeições desordenadas a alguma coisa que lhe pertença". Cobiça é o desejo compulsivo, que leva à inveja. Leia-se 1Co 10.5-10; Rm 12.16; 1Tm 6.8-10; G15.26 e Cl 3.5.

quinta-feira, maio 08, 2008

Lições Bíblicas - 10d

Sábado ou Domingo?

Por que o mandamento fala em sábado e nós guardamos o domingo?

O Senhor faz questão absoluta da observação do sábado, como vemos em Ez 20.10-24 e 22.26. Porém, nós guardamos o domingo. Por isso os adventistas nos acusam de desobedecer o mandamento e conseguem confundir muitos cristãos e levá-los para sua igreja.

Na realidade nós guardamos o sábado, o 4° mandamento.

"Sábado" - shabbath no Hebraico - não é apenas o nome de um determinado dia da semana, embora tenha passado a ser em nosso calendário. A palavra sábado significa "descanso" e é o significado da palavra que tem importância no mandamento. Seria melhor compreendido o texto em português se os tradutores tivessem traduzido literalmente a palavra "shabbath" por "descanso". Ex 20.8 deveria ser traduzido assim: "Lembra-te do dia do descanso para o santificar".

O que o mandamento determina é que cada um de nós trabalhe durante 6 dias e depois descanse um, e esse será um dia de santificação.

O que acontece

Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana hebraica e não no sétimo. Desde então os cristãos passaram a se reunir "no 1° dia da semana". Cristo apareceu pela primeira vez aos apóstolos reunidos, no primeiro dia da semana (Jo 20.19); tomou a aparecer a eles no primeiro dia da semana - "oito dias depois"- (Jo 20.26). Paulo passou sete dias, uma semana inteira, com os cristãos em Troas - At 20.6; portanto, passou com eles um dia de sábado do calendário judaico, mas foi "no 1° dia da semana" que todos se reuniram para realizar o culto e celebrar a Ceia do Senhor - "ajuntando-se os discípulos para partir o pão", como afirma o v. 7. Em 1Co 16.1-2, quando Paulo instruiu os cristãos de Corinto sobre a coleta destinada a socorrer os cristãos empobrecidos de Jerusalém, escreveu: "No l° dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar"; não era "por de parte no 1 ° dia da semana" e somente no sétimo dia, reunidos, levantarem a coleta - isso não teria sentido- mas o fato é que eles continuavam guardando o primeiro dia da semana, em comemoração semanal da ressurreição do Senhor, como fazemos até hoje. Tudo o que está prescrito por Deus com referência ao "sábado", ao "descanso" semanal, precisamos observar cuidadosamente no 1 ° dia da semana, pois este passou a ser o "sábado", o "descanso" dos cristãos. Nos seis dias anteriores estaremos trabalhando, estudando e fazendo toda a obra necessária.

Não temos que fazer como os judeus não-cristãos continuaram e continuam fazendo até hoje - e os adventistas os acompanham - guardando supersticiosamente e até com fanatismo o sábado marcado no calendário; mas guardá-lo na nova compreensão que nos foi dada por Cristo.

Nosso "sábado" se dá no domingo ("dia do Senhor") e deve continuar sendo religiosamente observado, com inteligência, para ser um "sinal entre Deus e nós" - Ez 20.12.

Precisamos trabalhar seis dias e descansar um. E nesse dia do "descanso" fazer tudo visando a santificação pessoal e coletiva.

Resta uma questão: quando um cristão, por causa de sua profissão e emprego, tem obrigação de trabalhar no domingo, como faz? Ele tem que ter um outro dia da semana para ser o seu sábado individual.

Há trabalhos que não podem cessar no domingo, nem no sábado do calendário: atendimento médico, policiamento, serviço dos bombeiros, usinas elétricas, e até o trabalho de certas indústrias; altos-fornos das siderúrgicas não podem ser desaquecidos nem um dia da semana; as comunicações telefônicas, os transportes e outras serviços públicos. O cristão, por ser cristão, não pode negar-se a prestar o seu serviço, especialmente quando é um serviço essencial para o bem da comunidade, tornando-se um privilegiado,quando outros estarão trabalhando para ele.

É conveniente e necessário que o povo de Deus tenha o seu dia de descanso coletivo, e se reúna na Casa do Senhor para o serviço do culto, ensino e evangelização. Foi sempre assim.

O cristão que for abrigado a trabalhar no domingo terá grandes dificuldades para guardar sozinho o seu "sábado" em outro dia, mas para seu próprio bem ele precisa faze-lo.

Convém fazer uma observação sobre a posição incoerente dos adventistas, que se negam a trabalhar no sábado judaico, que é deles também. Não trabalham no sábado, mas usufruem do trabalho dos outros.

Nos hospitais adventistas o trabalho é feito também aos sábados. Desse modo eles reconhecem que há trabalhos que não podem cessar, mas rejeitam o fato de que os cristãos dos tempos apostólicos passaram a se reunir no primeiro dia da semana, e afirmam que o domingo foi instituído pelo imperador Constantino, quando se tomou cristão. Realmente, Constantino decretou que o dia do descanso no Império Romano passaria a ser o primeiro dia da semana judaica, mas o fez exatamente para apoiar e não para contrariar os cristãos, pois estes sempre, desde os tempos dos apóstolos, observavam o "shabbath" (descanso) no primeiro dia da semana, o "dia do Senhor". Ele também se tornara cristão.

quinta-feira, abril 24, 2008

Lições Bíblicas - 10c

04° mandamento nos manda, primeiro, lembrar-nos do dia do descanso e suas finalidades: descanso e santificação. Em segundo lugar, manda-nos trabalhar seis dias da semana e descansar um. Através deste mandamento Deus dignifica o trabalho honesto e produtivo, com o qual toda pessoa responsável deve cooperar com Deus na produção dos bens necessários para o próprio sustento e bem estar de todos. Leia-se: Ex 20.9; Jo 5.17; Ef 4.28; 2Ts 3.10-13.
Após seis dias de trabalho, a semana de cada um deve se encerrar com um dia de descanso necessário tanto para os adultos como para as crianças, patrões e empregados. Leia-se Ex 20.10. Nesse dia é proibido todo trabalho que deve ser feito nos outros seis, dispensável, porém, no sétimo dia. Contudo, esse não é um dia de ociosidade, dia de não se fazer nada, mas de fazer tudo aquilo que seja necessário à edificação espiritual e as obras necessárias que não prejudiquem a santificação de cada um e de todo o povo. É dia reservado para o culto coletivo do povo de Deus. Lv 19.30; 23.3; Is 58.13; At 20.7; 1Co 16.1-2; Lc 4.16 e também para realizar as obras de necessidade e misericórdia- Mt 12.11-12; Mc 2.23-28 e 3.1-5.
O 4° mandamento, portanto, proíbe a ociosidade e a negligência no cumprimento dos deveres dos seis dias de trabalho e exige o descanso no sétimo dia, no qual temos, porém, outros deveres a cumprir.
O dia de descanso não pode ser profanado por aquilo que em si mesmo é pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossas ocupações e recreações temporais. Leia-se: Ez 22.26; Am 8.5; Is 58.13-14.