terça-feira, abril 04, 2006

A Igreja Não é Empresa

Volto a escrever sobre este assunto porque é cada vez mais necessário clamar contra a deturpação do sentido da palavra e da instituição da Igreja.

“Eklecía”, Assembléia, é o Corpo (Ef 3.6; 1Co 12.13, 24-27) cuja cabeça é Cristo, e nós somos seus membros e órgãos (Ef 4.15-16).

Igreja é a família de Cristo (Ef 3.14-15). É a instituição estabelecida por Cristo e fundamentada sobre Ele mesmo e Sua palavra – Mt 16.16-18. É o povo de Israel, do Antigo Testamento, após o cumprimento das promessas sobre o Messias; é o Israel de Deus resgatado pelo sangue de Cristo – 1Pe 1.18-19.

Mas apesar de todo o claro ensino das Escrituras, há os que transformam a Igreja – seja a local ou a nacional – em clube, em empresa.

Como o fazem? – Desviando a Igreja de seus objetivos maiores de glorificar a Deus servindo-O, de pregar o Evangelho e cuidar das ovelhas de Cristo.

A pregação do Evangelho torna-se parcial e deixa de ser integral; ou é “evangelho social” ou é “evangelho verbal”, em lugar de ser “Evangelho Integral”. Então esquece-se a função salvadora e transformadora do Evangelho e a Igreja passa a ser um clube que precisa crescer, ou uma organização política que precisa politizar as massas, ou apenas uma empresa que precisa dar lucro e sustentar seus executivos. É a secularização da Igreja, promovida pelos “mercenários” referidos por Cristo em Jo 10.11-12.

Em função disso, despreza-se a “piedade que para tudo é proveitosa” (1Tm 4.8). Passa a interessar à Igreja-empresa especialmente aquele crente que tem boa fonte de renda, e esquecido aquele que precisa ser ajudado. O dízimo começa a ser pregado como patrimônio da Igreja-empresa, não mais como “do Senhor” (Lv 27.30 e 32). O objetivo principal é a própria Igreja que começa a viver, arrecadar e gastar consigo mesma. O pastor passa a ser um executivo que precisa ganhar como tal e ser um bom administrador. E então se esquece do ensino de Pedro em 1Pe 5.1-2. A ganância passa a ser a principal motivação do “executivo”. O cajado do pastor – Sl 23.4 – deixa de ser usado para socorrer e defender a ovelha e passa a ser usado para espancar a ovelha considerada rebelde porque ousa discordar do pastor, ou apenas ousa requerer sua assistência.

A essa altura, não há mais escrúpulos de consciência; o que importa é garantir o êxito da política implantada.

Pense sobre o assunto, tome uma posição acertada e defenda-a corajosamente.

1 comentário:

Pastor Rubens disse...

A partir deste texto, os caros leitores terão liberdade para inserir seus comentários. Podem, inclusive, comentar os textos anteriores. São bem-vindos. E sempre que necessário, responderemos o mais breve possível. Obrigado.