Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 8

Outros casos dolorosos de poligamia foram os de Davi e Salomão- 2Sm 11.1-27; 13;1-12; 1Rs 11.16.

O caso de Davi é um alerta para todo cristão. “Quem está em pé, olhe, não caia” – 1Co 10.12. Davi era um homem de Deus; Deus mesmo o disse: “Achei a Davi, de Jessé, varão conforme o Meu coração” (At 13.22, citando 1Sm 13.14). Pois este homem um dia se descuidou. Embora fosse casado, viu acidentalmente a mulher de Urias, seu fiel general, banhando-se; cobiçou-a, quebrou o 10o. mandamento, e da cobiça passou ao adultério, quebrando também o 7o. mandamento. Durante meses adulterou, enquanto Urias estava no campo de batalha. Betsabá ficou grávida; ele tentou encobrir o adultério fazendo Urias vir a Jerusalém para estar com sua mulher -2Sm 11.1-8. Negando-se Urias (v. 9-18), Davi então tramou a morte dele; quebrou, então, o 6o. mandamento (v. 14-21). Depois de tudo isso Davi tomou Betsabá para ser mais uma de suas mulheres.

Deus castigou Davi pelos pecados que cometera: o filho que nasceu de Betsabá morreu, conforme fora anunciado pelo profeta Natã - 2Sm 12.1-24; diante do arrependimento de Davi, Deus foi misericordioso e nunca deixou de confirmar o que dissera sobre a duração de seu trono. Como no caso de Abraão, Sansão, Gedeão e de tantos outros, e como nós, Deus realiza o Seu plano por meio de Seus servos, apesar de nossos defeitos. Os verdadeiros servos se portam com humildade, reconhecem seus pecados e se penitenciam; “a um coração arrependido e contrito, não desprezarás, ó Deus”, proclamou Davi - Sl 51.17.

O caso de Salomão também é cheio de ensino. Temente a Deus, filho de Davi e Betsabá - 1Rs 1.17. foi sábio até no pedido que fez a Deus – 1Rs 3.7-13. Também demonstrou sua piedade e sabedoria ao erguer o templo, e em suas orações – 1Rs 8.22-66. Entretanto deixou-se influenciar pelos costumes da época e durante muito tempo andou desgarrado. Teve 700 mulheres e 300 concubinas e “suas mulheres perverteram seu coração” - 1Rs 11.3. Certamente se arrependeu e se reconciliou com Deus. Só assim Deus o teria escolhido e inspirado para escrever os livros de Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Os dois últimos capítulos de Eclesiastes, especialmente os dois últimos versículos, mostram um Salomão reconciliado com Deus.

Outros servos do Senhor, como Sansão e Gedeão - Jz 16 e 8.30 - absurdamente se deixaram levar por paixões carnais, e desonraram a instituição do casamento. Sansão veio a ter morte trágica, apesar de mostrar-se arrependido – Jz 16.28. Gedeão, valoroso e fiel, mostrou-se sempre muito temente a Deus, com exceção do fato de que “teve 70 filhos que precederam de sua coxa, porque tinha muitas mulheres”. Após sua morte “os filhos de Israel se tornaram e se prostituíram após os baalins, e puseram a Baal-Berite por deus” - Jz 8.33. As fraquezas desses homens, mormente no campo do sexo, contrastaram com os atos deles enquanto fiéis a Deus. Infelizmente os maus exemplos prosperam e são facilmente seguidos, através dos tempos. E o homem em geral persiste em não reconhecer a estultícia que é a desobediência aos preceitos divinos.

Na Igreja Primitiva do tempo dos apóstolos provavelmente havia homens polígamos ou bígamos, pagãos que se haviam convertido depois de se terem colocado nessa condição. Convertidos, eram recebidos na Igreja, mas não deveriam ser diáconos, nem presbíteros – 1Tm 3.3 e 12. Paulo ensina “marido de uma mulher”. Não se impunha que o novo irmão, polígamo, despedisse as esposas e ficassem apenas com uma, provavelmente por causa dos filhos. Mas o oficial da Igreja, casado, devia sê-lo com uma só esposa.

Porém, nos advertem as Escrituras; “Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” – Gl 6.7 e “Deus recompensará cada um segundo as suas obras” – Rm 2.6.

Por que tomar essa atitude louca e contraditória, de obedecer a Deus em alguns preceitos e desobedecê-Lo em outros? Podemos obedecê-Lo em tudo, ainda que imperfeitamente – Rm 6.14.

(continua)

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 7

AS INVENÇÕES HUMANAS

Além daquelas já referidas no capítulo referente ao trabalho, outras foram criadas pelo homem, no setor que atinge e macula a família: a bigamia, a poligamia, o concubinato, a prostituição, o divórcio, o homossexualismo, o lesbianismo, etc.

BIGAMIA E POLIGAMIA

Deus fez uma só mulher para Adão. Teria feito duas ou mais se devesse ser assim, mas Deus instituiu o casamento monogâmico, pois só esse dá certo com a bênção de Deus.

Foi um dos filhos de Caim – Lameque – o primeiro a ter duas mulheres. O exemplo logo se tornou costume e evoluiu para poligamia. Até hoje existem varões e sociedades muçulmanas, mórmons e outras, que defendem o “direito” de um homem possuir quantas mulheres puder sustentar. Em nosso meio, no Brasil, a bigamia é uma realidade, mas essas uniões não podem ser legalizadas; a bigamia é ilegal, mas é muito comum e não existe para o bígamo nenhuma punição legal.

Porém as conseqüências trágicas da bigamia e da poligamia são com ênfase registradas nas Escrituras, o que mostra como Deus rejeita e pune os transgressores.

O mau exemplo de Jacó é gritante. Convertido já em sua velhice, talvez com mais de 70 anos, na sua mocidade casou-se contrafeito, mas não obrigado, com as irmãs Lia e Raquel, suas primas, filhas do tio Labão. Além disso teve duas concubinas, por sugestão das esposas, Zilpa e Bila – Gn 29.21-31. Foi uma família fora do controle de seu chefe: 12 filhos e uma filha, de quatro mães diferentes. Só José e Benjamin, filhos de Raquel - a única que deveria ser mulher de Jacó - não lhe deram grandes desgostos.

Entretanto Deus se denominava “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” - Ex 3.15. Pois Jacó, o terceiro da linhagem dos Patriarcas, colheu amargos frutos de sua poligamia, e os colheu especialmente depois de ter sido regenerado e convertido. Um dia a filha Diná foi deflorada por um homem do povo heveu, o qual quis se casar com ela. Mas os irmãos de Diná usaram um sórdido ardil e mataram todos os varões heveus e saquearam os seus bens - Gn 34.13-31. Quando Jacó soube do acontecido se indignou, mas teve que apenas curtir a vergonha e a dor de tão grande vilania dos filhos. Anos mais tarde os 10 irmãos de José, filhos de Lia e das concubinas de Jacó, venderam José como escravo para uma caravana de midianitas, e mentiram ao pai dizendo que uma fera matara José – Gn 37.

(continua)

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 6

As Invenções Humanas - Ec 7.29

Desde que Adão e Eva transgrediram a ordem divina, ficaram evidentes duas verdades: 1) Deus ordena mas não tira a liberdade do ser humano, o mesmo que fez com os anjos, pois não deseja ser servido e adorado por “robots”, mas por seres inteligentes e livres; 2) A segunda verdade é que o pecado, uma vez instalado e cometido, corrompeu o ser humano todo e, por hereditariedade corrompeu a humanidade toda.

Já se percebe isso no primeiro caso, o de Adão e Eva. Eva comeu do fruto proibido, deu-o a Adão e ele simplesmente comeu também. As consequências foram imediatas: 1) tiveram consciência de seu ato e se tornaram maliciosos, perderam a ingenuidade e a simplicidade que possuíam antes (v. 7); 2) sentiram-se incomodados com a presença de Deus, o que antes era para eles prazeroso; 3) tornaram-se tolos tentando esconder-se de Deus – é o embotamento da própria razão; o pecado “emburrece” uma pessoa; 4) chamado e inquirido por Deus, como maior responsável, Adão se mostrou evasivo e insincero (10); devia ter dito logo “sim, comi, desobedeci a Tua ordem”; 5) procurou transferir a culpa para Eva e em última análise, para o próprio Deus: “a mulher que me deste, ela me deu e eu comi”. Podemos imaginar que pela primeira vez também Eva se sentiu injustiçada, pois Adão não foi obrigado, comeu porque quis. Certamente daí surgiu a primeira rusga entre o casal; 6) o ser humano perdeu definitivamente a santidade com que fora criado e se tornou transmissor de sua nova natureza, pecaminosa, aos filhos e filhas que veio a gerar (Gn 5.1-4).

O pecado, como um mortífero vírus da alma, se instalou na vida de todo ser humano. Só a graça de Deus pode curá-lo de tão terrível doença: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado” – 1Jo 1.7 e “o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” – Rm 6.14, e ainda “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a Sua grande misericórdia, nos regenera para uma viva esperança...” – 1Pe 1.3.

Após o primeiro pecado a humanidade decaída, representada pelo primeiro casal, começou a inventar novas filosofias de vida, novas maneiras de “gozar a vida”, e novas maneiras de pecar. Em Gn 6.5 está a constatação: “Viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a Terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. São as pecaminosas invenções humanas.

Deus fez o homem justo, mas eles buscaram muitas invenções” – Ec 7.29.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 5

IV. A IGREJA

Como encontramos em Ml 3.15, Deus “buscava (na criação) uma semente de piedosos”. Essa “semente” iria ser o corpo da Igreja, cuja cabeça é Cristo – Ef 4.15.

No Antigo Testamento, era o povo de Israel, sob a teocracia – Deus dirigindo seu povo ao falar diretamente a Seus servos, falando através de Urim e Tumim, e dos profetas.

No Novo Testamento, é a Igreja estabelecida por Cristo. Além do “povo de Israel”, ela inclui também todo gentio que receba Cristo como Senhor – Jo 1.12.

O Senhor Jesus é insubstituível modelo para todo cristão. A Igreja haveria de ser no mundo uma testemunha viva de Cristo – At 1.8 – e teria a missão de levar a mensagem do Evangelho ao mundo todo – Mc 16.15; Mt 28.19-20; Lc 24.46; Jo 17.18.

Mas Igreja não é uma abstração, é o conjunto dos cristãos sob a liderança de Cristo; é cada cristão, onde quer que esteja, sendo fiel a Cristo – Ef 2.15. Igreja (eclecía = assembléia) não é só o coletivo, é também a ação de cada um de seus membros, sob a direção do Espírito Santo – At 1.8.

Igreja é a comunidade que vive como vivia a Igreja Primitiva retratada no livro de Atos dos Apóstolos – At 2.42-47, 4.32-35, que existe para viver o Evangelho e difundi-lo em todo o mundo. Enfrentaria a oposição e até perseguição, mas não desistiria; enfrentaria também as artimanhas de Satanás infiltrando-se na Igreja através do descuido e fraqueza de cristãos – por exemplo, At 5.1-11 (Ananias e Safira), 8.18-23 (Simão e a simonia).

Como toda organização composta de pessoas, a Igreja tem, necessariamente, uma estrutura: pessoas com diferentes capacidades exercendo diferentes ministérios –Rm 12.4-8, 1Co 12.4-11, 28-31.

Oficiais especiais, os apóstolos, foram apenas os 12 escolhidos por Cristo, depois Matias substituto de Judas Iscariotes, e Paulo estabelecido por Cristo –Gl 1.1; 2Co 12.11-12; ninguém mais teve e ninguém mais tem o direito de dizer-se apóstolo. Os evangelistas – Ef 4.11 – profetas, pastores, doutores, diáconos (At 6.1-7) eram os demais oficiais referidos no N.T. Por profetas não podemos entender só pessoas como Moisés, Isaías e todos os outros do A.T., através dos quais Deus Se revelou e inspirou para escreverem Sua Palavra registrada nos livros sagrados. Temos que entender, hoje, que todos os cristãos somos “profetas” no sentido etimológico da palavra grega “profete” (“pró”+“faino”) que significa “o que fala em lugar de outro”, como Aarão seria o “profeta” de Moisés, falando em lugar dele (Ex 4.14-16). Todo cristão é enviado ao mundo para transmitir a palavra do Rei e Senhor da Igreja; todos somos profetas nesse sentido de transmitir a mensagem de Cristo. Os diáconos e presbíteros devem ser estabelecidos pela Igreja segundo os exemplos que temos no N.T. – At 6.3 e 5; Tt 1.5.

Quanto ao tipo de governo da Igreja, existem bases bíblicas para se defender o sistema congregacional, o sistema episcopal e o sistema presbiteriano. Pelo número de textos que favorecem o sistema presbiteriano (democrático-representativo), nossa preferência é pelo último modelo, mas não podemos inquinar de anti-bíblicos os outros dois. O que importa é que cada igreja ou denominação seja fiel ao Senhor de todos nós – 1Co 4.2-5.

(continua)

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 4

III. A LEI

A Lei que nos foi dada por Deus nos dá princípios éticos e regras de conduta para que possamos ter um bom relacionamento tanto com Deus como com o próximo.

Examinemos, ainda que superficialmente, os 10 mandamentos, que são o resumo de toda a Lei que se encontra de Gênesis até Apocalipse.

O 1o. nos ensina que há um só Deus; monoteísmo como princípio de nossa fé. Assim elimina o deísmo e o politeísmo.

O 2o. contém o princípio do culto espiritual, porque “Deus é espírito e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e em verdade”.

O 3o. contém o princípio de absoluto respeito a Deus e a tudo que a Ele se refira, especialmente Seu nome.

O 4o. contém o princípio do trabalho e do descanso: todos têm o dever de trabalhar e têm também direito ao descanso. Estabelece seis dias para trabalho e um dia inteiro de descanso, “para o santificar”, isto é, para ser um dia inteiro voltado para nossa santificação através da comunhão com Deus. Nesse 7o. dia devem ser realizadas apenas as tarefas essenciais à vida e as de socorro, além do culto e ensino da Palavra de Deus. As demais devem ser realizadas nos seis dias de trabalho.

O 5o. mandamento contém o princípio de respeito aos pais. Honrar pai e mãe é preservar o bom nome deles e da família, é obedecê-los, acatá-los, respeitá-los, colaborar com eles. e fortalecer a família. O salmo 127 fala dos filhos como “flechas na mão do valente”. Os filhos completam e fortalecem a família, unem os pais.

O 6o. contém o princípio de respeito à vida. Não se trata de apenas não matar, mas defender, preservar a vida de todo ser humano, começando com a própria vida. É um mandamento contra toda forma de violência contra o próximo.

O 7o. mandamento contém o princípio de fidelidade conjugal. Portanto proíbe o adultério, bem como toda situação e todo ato da mesma natureza, ilegítimo, no campo do sexo: concubinato, prostituição, e toda forma de desrespeito ao casamento. Leia-se Lv 18 e Rm 1.

O 8o. contém o princípio da honestidade. Dessa forma proíbe qualquer forma ilegítima de conseguir bens materiais: o furto, o roubo, o assalto, o peculato, o estelionato, o contrabando, a exploração, a escravidão, a falsificação, etc. Todos os bens necessários devem ser conseguidos com o trabalho produtivo e honesto.

O 9o. mandamento contém o princípio do amor à verdade e defesa da verdade. Proíbe a mentira, a calúnia, a meia-verdade, o sofisma, o fingimento, a insinceridade.

No 10o. mandamento está o princípio da moderação, e proíbe toda espécie de cobiça, que é a falta de contentamento. “Já aprendi a contentar-me com o que tenho”, ensina o apóstolo Paulo – Fp 4.11 e 1Tm 6.8. Assim é que se evitam a cobiça e a ambição.

A respeito da Lei convém lembrar o que disse Jesus Cristo sobre ela: “Não cuideis que vim destruir a Lei ou os profetas; não vim abrogar, mas cumprir. ...Até que os céus e a Terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido” - Mt 5.18. E Tiago: “Porque qualquer que guardar toda a Lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” - Tg 2.10.

Todos os problemas de relacionamento humano e social que existem no mundo são causados pela quebra destes mandamentos. Oxalá o mundo se voltasse para eles para os cumprir!

(continua)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 3

II. A FAMÍLIA

A família é a segunda grande instituição estabelecida por Deus. Ele criou primeiro o varão – Gn 2.7-17 – cujo nome, “Adam”, é cognato de “adamah” (terra). Em Gn 1.26 “Adam” é o substantivo que designa o homem no sentido genérico – ser humano – homem e mulher (Gn 1.27). Sabemos disso porque a palavra hebraica que se traduz por varão (homem, sexo masculino) é “ish”, e a palavra que encontramos em Gn 2.22 é a palavra “ishah” que se traduz por “mulher”; Deus criou o varão do pó da terra (Gn 2.7); já a mulher Deus fez ou criou usando como matéria não mais “pó da terra”, mas sim carne e osso de Adão (“uma de suas costelas”-Gn 2.21). O texto bíblico deixa bem claro que a mulher não foi feita de material inferior, mas de parte do próprio homem.

Comentou Santo Agostinho, que Deus não fez Eva dos pés de Adão como a indicar que ela seria inferior e pisada pelo homem; não a fez da cabeça do homem como a indicar que ela seria superior, e deveria dominá-lo, mas a fez de uma de suas costelas, de um de seus lados, como a indicar que estaria sempre ao seu lado, de sob o seu braço como indicando que ela estaria sempre sob a proteção do homem, e de junto de seu coração, como a indicar que ela seria o alvo dos afetos do homem.

Diz ainda o texto de Gn 2, no versículo 22, que Deus fez a mulher e “a trouxe a Adão”. Não seria para estar longe de Adão, em outro local do jardim, porém junto dele. Vemos aí o momento exato em que Deus uniu o homem e a mulher como casal, fundando a família. O texto de Gn 1.27-28 se encaixa exatamente aí – a ordem de multiplicar-se e dominar a Terra. Desde então seriam marido e mulher para juntos cumprirem a ordem de Deus.

A missão de marido e mulher, de multiplicarem-se gerando filhos, não seria simplesmente gerá-los, tal como fazem os irracionais, num crescimento populacional irresponsável, mas como seres inteligentes à semelhança de Deus, tendo também a responsabilidade de criá-los e educá-los, transmitindo-lhes conhecimentos e também formando seu caráter, o que inclui a formação religiosa dos filhos, segundo Dt 6.4-9.

Multiplicar-se, então, não significa apenas a perpetuação da espécie humana. O profeta Malaquias (2.14-15) diz: “Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher de tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher do teu concerto. E não fez somente um, sobejando-lhe espírito? E por somente um? Ele buscava uma semente de piedosos.

Marido e mulher, ao gerarem seus filhos, deverão estar assumindo a responsabilidade de educar os filhos transmitindo-lhes conhecimentos sobre a natureza, como produzirem os bens necessários, e o reconhecimento dos valores morais e espirituais. O Salmo 78.1-6 fala da transmissão de pais para filhos, das maravilhas realizadas por Deus.

A tarefa de educar é tão importante ou mais importante do que a tarefa de produzir os bens materiais. Essa tarefa cabe primeiramente à família. A escola, necessária sem dúvida, deve ser vista como auxiliar da família. Especialmente as escolas de crianças e jovens precisam ter o caráter de educandários e não de “deseducandários”, como muitas vezes tem acontecido há tempos e presentemente.

Ter filhos, criá-los e educá-los para serem tementes a Deus é o nosso dever.

Para isso Deus nos habilita. Ele nos educa para que também possamos educar. Primeiro, colocando no coração ou na consciência de cada um a Sua Lei – Rm 2.14-15: “De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os”.

Mas além da Lei colocada na consciência moral de cada um, Deus nos deu a Lei escrita em toda a Escritura Sagrada; lei resumida nos 10 mandamentos – Ex 20.1-17. Ela nos é dada para ajudar-nos a conhecer em detalhes o que Deus requer de nós.

É necessário, ainda, observar que a família instituída por Deus começa com a união de um homem e uma mulher – família monogâmica. Ensinam-nos ainda as Escrituras que Deus “odeia” ou “aborrece o repúdio” – Ml 2.16. Jesus Cristo, em Mt 19.3-12 e Mc 10.1-12, também fala do casamento como união que só pode desfazer-se por morte de um dos cônjuges – 1Co 7.39. Somente o adultério é apontado por Cristo como causa justa para divórcio (Mt 19.9).

Essa é a família instituída por Deus.

(continua)

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 2

AS INSTITUIÇÕES DIVINAS

I. O TRABALHO

Deus não deixou ocioso no Éden o homem que criara. Gn 2.15 diz que Deus colocou Adão “no jardim do Éden para o lavrar e guardar”. “Lavrar a terra”, evidentemente para que o jardim não se transformasse em floresta inabitável; “guardar a terra”, certamente dos animais predadores, para preservá-lo. Era, inicialmente, um trabalho braçal, porém trabalho ameno, e suficiente para prover o seu sustento. Só após a queda no pecado é que o trabalho se tornou penoso e até opressivo – Gn. 3.17-19.

No 4o. mandamento, dado através de Moisés muito mais tarde, Deus nos ordena trabalhar seis dos sete dias da semana.

Note-se, porém, que ainda no Éden, Deus ordenou ao casal: “enchei a Terra e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. O Salmo 8 completa: “fazes com que ele (o homem) tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés”. O ser humano teria uma capacidade crescente de domínio sobre a criação. Hoje estende esse domínio, ainda que parcial, até o espaço sideral, com as viagens interplanetárias.

O homem foi colocado por Deus como mordomo dos demais seres criados. Dessa mordomia certamente tem que prestar contas a Deus; é uma das lições contidas em Mt 25.14-30, a parábola dos talentos. A figura de mordomo é também usada por Cristo em Lc 12.42-43.

O trabalho é uma bênção que Deus dá a todos, a cada um segundo a sua capacidade, inclusive às crianças. É perigosa, quando mal feita, a campanha contra o trabalho infantil. Ninguém tem o direito de explorá-la, mas a criança também deve aprender a trabalhar e ter obrigações. O trabalho é educativo, e não é só emprego; assim também o trabalho doméstico.

O trabalho continua sendo instituição a ser respeitada, porque vem de Deus. É necessário, porém, que observemos os característicos do trabalho instituído por Deus:

1o.) Preservação da natureza. Uma das tragédias da atualidade é a falta de cuidados com a natureza: destruição motivada pela ambição de lucro, e poluição pelo desleixo; ambos são crimes contra a ecologia.

2o.) Outro característico: ser produtivo. Através dos tempos o homem foi inventando formas de trabalho que não produzem nada, senão enriquecimento e satisfação da vaidade. Então surgiram, mesmo antes dos faraós, as chamadas “obras faraônicas”, como as da Babilônia. Era ostentação de riqueza e de poder. A primeira desse tipo foi a Torre de Babel. Além de não ser um trabalho produtivo, era realizada geralmente com trabalho escravo. Não é isso mesmo que se observa hoje? Obras faraônicas para satisfação e proveito de algumas pessoas ou de algumas classes sociais; e a escravidão continua existindo de forma disfarçada: de um lado classes sociais privilegiadas que usufruem, e de outro lado a mão de obra explorada, de classes sociais vivendo miseravelmente – ostentação de riqueza e miséria lado a lado – porque o trabalho não é visto como necessariamente produtivo. São inúmeras as atividades econômicas modernas que não produzem nada, a não ser lucro para alguns e satisfação da vaidade, e continua sendo à custa da exploração desumana do trabalho alheio.

Assim é em grande parte o trabalho de bancos e outras instituições financeiras. O “trabalho” dos produtores e comerciantes de tóxicos ilegais é assim; milhares ou milhões de pessoas “trabalhando” na produção e no comércio das drogas, sem nada produzir de bom. Também o simples entretenimento, em todas as suas formas, é levado a um exagero incrível sem nada produzir, senão lucro para os empresários e grandes artistas, seja o teatro, o futebol, a televisão, ou qualquer outro. O traficante julga que está trabalhando, assim também os prostitutos e prostitutas, hoje chamados “trabalhadores do sexo”. São ocupações mas não são trabalho; para ser trabalho, toda atividade precisa estar de acordo com a origem que vem de Deus: ser boa, produtiva e honesta; não comporta degradação moral, da natureza, nem exploração do homem pelo homem.

Assim também atividades como a moda e o turismo. Se não se esquecessem de que toda atividade para ser honesta tem que produzir bens necessários e duráveis, cuidariam dos aspectos educativos que o turismo pode ter, e da produção de vestes e agasalhos realmente necessários para todos, e não peças de roupas mais para despir do que para vestir, e nem só para uma classe perdulária e frívola, estimulando ainda mais a vaidade e a frivolidade, em um mundo onde há bilhões, vivendo miseravelmente.

Quantas outras atividades inúteis e até mesmo nocivas – como as loterias e os jogos de azar – ocupam o tempo e as energias de milhões de pessoas, e redundam na destruição moral e física das pessoas!

Cada pessoa que teme a Deus deve verificar se a atividade a que se dedica é realmente honesta, produtiva, benéfica em todos os sentidos. Se não, mude de profissão, de emprego, de trabalho.

O moderno consumismo, com todos os seus males, é o grande estimulador da frivolidade, quando há tanta coisa construtiva e edificante em que devíamos todos ocupar nosso tempo e nossas capacidades. O trabalho que nada produz é nocivo e uma das causas da má distribuição de renda, e da conseqüente miséria.

O grande apóstolo Paulo escreveu: “Vede prudentemente como andais, não como néscios (tolos) mas como sábios, remindo (usando bem) o tempo, porquanto os dias são maus” - Ef 5.15-18.

(continua)

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Instituições Divinas e Invenções Humanas - 1

Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções” (Ec.7.29)

S U M Á R I O

I. Introdução

II. Instituições divinas:

l. O trabalho

2. A família

3. A Lei

4. A Igreja

III. Invenções humanas:

1. O trabalho opressivo, escravidão e servidão

2. A ostentação de riqueza

3. O crime organizado

4. A filosofia hedonista

5. Bigamia e Poligamia

6. Concubinato

7. Prostituição, adultério, homossexualismo.

IV. As bênçãos de Deus para a Família.

V. Conclusão: há solução? Dt 30.15-19; Ez 18.31-32; At 4.10-12; Jo 1.12; 3.16.

INTRODUÇÃO

Quando Deus criou o ser humano nada improvisou; providenciou todas as coisas necessárias para o bem das criaturas feitas “à Sua imagem e semelhança”. Não só o mundo material, cujas maravilhas o homem até hoje vai aos poucos descobrindo, mas também o que seria necessário para o homem usufruir todas as bênçãos por Deus de antemão preparadas.

É o que chamamos aqui “as instituições divinas”. Entre elas, o trabalho, a família, as leis, o Estado, a Igreja e outras, todas objetivando o bem do homem e de toda a sociedade humana – não só para sua vida no mundo, mas também para seu destino eterno.

Porém o homem, em sua rebeldia, ignorou a bondosa providência divina e inventou diferentes formas de pecar – Ec 7.9. São as “invenções humanas”.

(continua)

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Árvores sem Fruto

Árvores sem frutos

Mt 3.10; 7.15-20; 12.33; Jo 15.2, 8, 16.

No primeiro texto é João Batista que fala dos frutos que todos produzem, bons ou maus; os frutos a serem produzidos pelas pessoas que se arrependem deverão ser frutos dignos desse arrependimento – frutos de justiça, de bondade e amor.

No segundo texto, é Cristo quem fala. Os frutos que Ele espera dos que nasceram de novo e são novas criaturas (2Co5.17) são bons frutos; outros que produzem frutos maus são como árvores que “corta-se e lança-se no fogo”. Produz bons frutos aquele que “faz a vontade de meu Pai”, diz Cristo.

No terceiro texto - “pelo fruto se conhece a árvore” - Cristo aponta o critério pelo qual cada um será por Deus julgado.

No quarto texto Jesus diz: “Eu vos escolhi para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. É desejo expresso de Cristo que nossa vida e nosso trabalho dê fruto e permaneça.

Tudo isso exige de nós comunhão com Deus – para sabermos o que Deus quer que façamos e como devemos fazê-lo – dedicação e empenho – porque é “maldito aquele que fizer a obra do Senhor fraudulentamente” (Je 48.10) – perseverança e desprendimento (Tg 1.22-25; 2Co 12.14-15).

O cristão verdadeiro e fiel trabalha sob a direção de Deus, por isso seu trabalho é abençoado e dá frutos bons, permanentes, para a glória de Deus; empenha-sede corpo e alma; não desiste; não busca seus próprios interesses; é uma bênção no mundo (Gn12.2).

Terça-feira, Outubro 06, 2009

A causa de todos os problemas - 4

Esta situação lastimável da humanidade pode ser um indício de que Cristo voltará. Leia Mt 24.36-39.
Todos esses problemas, toda a situação caótica da humanidade tem origem na crescente incredulidade do ser humano e de sua desobediência ao ensino das Escrituras quanto às nossas obrigações, que se resumem nas palavras de Cristo em Mt 22.37-39, que também se encontra em Dt 6.5; 10.12-13.
Haverá solução?
Um dia Deus enviou o profeta Jonas a Nínive, que poderia ser destruída devido à sua perversão e maldade. Jonas foi, transmitiu a mensagem de alerta “e os homens de Nínive creram em Deus... esta palavra chegou ao rei... e fez uma proclamação... dizendo:... os homens... clamarão fortemente a Deus e se converterão, cada um de seu mau caminho e da violência... Quem sabe Deus se voltará e se arrependerá e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do que dissera que lhe faria, e não fez” (Jn 3.5-10).
Isto também pode acontecer hoje. Façamos a nossa parte!

(fim)