quinta-feira, outubro 18, 2007

Línguas Estranhas - 3/3

7a. - A insistência em “falar” em línguas estranhas” se dá também

em alguns grupos de diferentes religiões não-cristãs.

Espíritas e mórmons o fazem, numa evidência de que eles não falam movidos pelo Espírito Santo; e que aquilo que se deu no dia de Pentecostes não foi um fenômeno que deveria continuar se repetindo na Igreja através dos séculos. Causas psicológicas ou psíquicas, e também imitação e fraude explicam o falso dom de línguas estranhas observado hoje. De alguns anos para cá em algumas igrejas pentecostais e neo-pentecostais ensina-se uma técnica para uma pessoa conseguir falar “língua estranha”!

Em algumas ocasiões tem acontecido que alguém fala uma “língua estranha” e outra pessoa “interpreta” a primeira. Infelizmente, sem dúvida, é outro caso de fraude.

Em 1Co 12.30 há nova referência a dons espirituais, entre eles “línguas”; Paulo pergunta ali “falam todos línguas?” Quando em 1Co 13 Paulo levanta uma hipótese: “ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos...”, Paulo não está afirmando que há diferentes “línguas dos anjos”; todos nós sabemos que existem diferentes línguas (idiomas) de homens, de diferentes nações e de diferentes culturas. Será possível que alguém acredite e afirme que existem diferentes nações e diferentes culturas de anjos? É importante observar isto, porque os que acreditam em “línguas estranhas” dizem que essas línguas são as línguas dos anjos! É uma suposição absurda, sem nenhuma base racional e bíblica. Por que motivos haveria diferentes línguas dos anjos?

Existem aqueles que entendem que essas “línguas” eram um balbuciar incompreensível que aconteceu nessas ocasiões, quando cristãos “em êxtase místico” emitiam sons diversos incompreensíveis. Daí, então, a necessidade de haver “intérprete” nas reuniões em que o fenômeno ocorria, para explicar aos visitantes o que estava acontecendo. Não creio que seja essa a explicação, pois em 1Co 12.7 Paulo diz que “a manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para o que for útil”. Qual seria a utilidade de alguma língua que ninguém entendesse?

Além disso, os dons do Espírito Santo eram e são dados não para satisfação própria dos que os recebem, mas para edificação da Igreja e de outras pessoas alcançadas pela pregação do Evangelho.

Paulo encerra seu ensino em 1Co 14.40 com uma determinação muito enfática: “faça-se tudo com decência e ordem”.

O culto deve sempre ser respeitoso, solene, espiritual e racional, inteligível para proveito de todos os presentes, para agradar a Deus e não só aos próprios adoradores.

Concluindo: o dom de línguas foi um fenômeno, um milagre que se deu no dia de Pentecostes para que representantes de cerca de 15 nações ouvissem o Evangelho; em parte repetiu-se em Éfeso – At 19.1-6, e em casa de Cornélio – At 10.45-46. Em cada um desses eventos fica claro o motivo de Deus: em casa de Cornélio, os apóstolos e os crentes em geral compreenderam que o Evangelho, o Espírito Santo e todas as demais bênçãos decorrentes não eram exclusivas para os judeus convertidos, mas também para os gentios; no caso dos discípulos de João Batista, foram eles dessa forma recebidos na Igreja, sem formarem uma seita paralela à Igreja de Cristo, assim como, em Atos 8, Deus mostrou que o Evangelho era também para os samaritanos. Nesta ocasião, porém, não se diz que eles falaram “línguas”.

É preciso entender que a vida cristã, a começar pela comunhão com Deus e com o culto público, é uma vida realmente normal, de acordo com a Lei de Deus, sem necessidade de fatos espetaculares; é como as águas de um rio que correm tranqüilas, e não só em corredeiras e cachoeiras. Deus fala diariamente a cada um de nós, constantemente e não só esporadicamente, quando mantemos comunhão constante com Ele. É o “orar sem cessar” a que Paulo nos exorta em 1Ts 5.17. Fatos excepcionalmente importantes também acontecem em nossa vida cristã em determinadas ocasiões, mas ela é constantemente rica e emocionante. Há um equilíbrio entre a razão, os sentimentos e as emoções.

É bom que oremos e mantenhamos comunhão constante com Deus para termos uma vida abundante como a que Cristo quer dar a todos nós que O seguimos. “Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância” (Jo 10.10).

2 comentários:

Daladier Lima disse...

Li seu blog sobre fenômenos do Espírito Santo como as línguas e os dons. Depressa divisei alguém como Nicodemos, excelente conhecedor, prevendo cada ação de Deus, sistematizando-o, metodizando-o. Felizmente, o vento assopra aonde quer, e hoje são raros os pastores que não compreendem tal coisa.
De qualquer forma, parabéns e voltarei a lê-lo em outras ocasiões. Afinal, é necessário conhecer a contra-argumentação.
Visite-nos: http://daladier.blogspot.com - Reflexões Sobre Quase Tudo.

Rubinho Osório disse...

Caro Daladier,
Agradeço seu comentário.
Ele será repassado ao meu pai - o Rev. Rubens. Eu apenas publico neste blogue os estudos que ele tem feito.
Espero que continue a visitar este blogue e não se acanhe em fazer outros comentários que achar pertinentes.