quinta-feira, outubro 04, 2007

Línguas Estranhas - 1/3

"Entende-se por “línguas estranhas” nos meios pentecostais e carismáticos, o falar palavras e sons que ninguém entende. Pensam os pentecostais e os carismáticos que elas são um dom do Espírito Santo, e que as tais línguas podem ser interpretadas.

São diversas as razões por que não cremos em sua existência como um dom do Espírito Santo, nem cremos que elas possam ser interpretadas.


1a. – No dia de Pentecostes ninguém falou em “língua estranha”.


Leiamos a narrativa de Atos 2.1-13 nas várias traduções e edições hoje existentes, pelo menos nas mais comuns; leiamos também como está no texto original em grego:

a) At. 2.4 – a expressão “etérais glôssais” no Grego significa “em outras línguas”; assim é traduzida na “edição revista e corrigida” de Almeida, de 1938; também na “edição revista e atualizada” de 1969 da SBB; também na “edição revista e corrigida” da Editora Vida de 1984; na “edição revista e revisada” da Sociedade Bíblica Trinitariana; também na edição da Editora Ave Maria (católica), de 1959; também na “revista e atualizada” da Editora Vida Nova, de 1976. A tradução católica do padre Matos Soares, de Edições Paulinas, usa a expressão “várias línguas”. A “Bíblia de Jerusalém”, católica, também traduz “outras línguas”. A mais recente tradução dos originais, a Bíblia NVI, de 1993, grafa “noutras línguas”. Só na edição “Tradução na Linguagem de Hoje” (a menos confiável de todas), de 1988, encontramos “línguas estranhas”. Convém observar que a palavra grega “eteros” significa “outro”,”semelhante”, “diferente”, e não “estranha”.

b) 1Co 14.2 – Na mesma ordem acima: Almeida, edição revista e corrigida registra “estranha” em tipo itálico depois de “língua”; o tipo itálico é usado aqui e em outros textos e edições para indicar que tal palavra foi acrescentada, não consta do texto em grego; a edição revista e atualizada registra “em outra língua”; a revista e corrigida da Ed. Vida também usa “língua estranha” em itálico; a corrigida e revisada da Trinitariana usa “língua desconhecida em itálico; a de Matos Soares (católica) usa “uma língua desconhecida”; a da Edit. Ave Maria (católica) diz “em outras línguas”; a de Almeida revista e atualizada, da Ed. Vida Nova também usa “em outras língua”. Novamente só a “Tradução na Linguagem de Hoje” (a menos confiável) diz “línguas estranhas” nos dois textos. A “Bíblia de Estudo de Genebra” diz “outras línguas” nos 2 textos. A “Bíblia de Jerusalém” traduz corretamente, apenas “línguas”. A NVI usa “uma língua”.

Há, assim, nas edições mais confiáveis uma unanimidade em reconhecer que a palavra “estranha”, quando aparece, significa outro idioma, e que no original grego não existe a palavra “estranha”.

Repetindo: no texto original em grego, em At.2.4 “etérais glôssais” é traduzido correta e literalmente por “outras línguas”, e em 1Co 14.2, “ho lalôn glôsse” que significa “o que fala língua”, em ambos não existe a palavra que se traduziria por “estranha” ou “estrangeira”, nem “outra”. A palavra “estranha” foi acrescentada inicialmente na “edição revista e corrigida” de Almeida, e depois outras edições fizeram o mesmo, ou acrescentaram “outra” ou “estrangeira” ou “desconhecida”, com o mesmo objetivo de esclarecer o texto que literalmente seria apenas “falar língua”.

A palavra “estranha”, acrescentada, deu margem para que alguns leitores tivessem o entendimento que os pentecostais e carismáticos têm até hoje: línguas incompreensíveis dadas pelo Espírito Santo!

Porém, mais abaixo, no versículo 6, o texto em grego e em português, diz “cada um os ouvia falar na sua própria língua” ou idioma, o que é confirmado no verso 8. Por que eles “ouviam em seus idiomas”? Porque os cristãos “começaram a falar” nesses idiomas ou dialetos. Provavelmente formaram-se diferentes grupos junto aos cristãos conforme as línguas que estes falavam. O mesmo texto bíblico conta quais eram esses grupos e línguas: “Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, Ponto e Ásia, e Frigia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Sirene, forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (At 2.9). São representantes de 15 lugares diferentes ou de 15 diferentes idiomas e dialetos, além do próprio hebraico ou aramaico falados pelos judeus.

Houve nesse dia o milagre de cristãos falarem em idiomas que eles não conheciam, o que se repetiu em outras ocasiões, que citaremos mais adiante.

Ninguém falou em língua incompreensível. Imaginar que os cristãos falaram em aramaico e os estrangeiros ouviram em outras línguas, é descabido.

(Continua na próxima semana)

5 comentários:

Mamanunes disse...

Olá Pastor!
Grata por sua visita ao meu blog e volte sempre que quiser.

"Irmãos não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento."

"Segui o amor..."

Um abraço
:)

xandy disse...

Tem coerência pastyor, porém, estou a 11 anos falando em líguas, e nunca deixei de Glorificar ao Pai, ao filho e o Expírito santo, o que é isso então, espírito enganador ,, me enganando a todo este tempo???
No Amor de Cristo Pr. Alexandre

Renato disse...

-> xandy disse...
o que é isso então, espírito enganador, me enganando a todo este tempo???

Pois é meu irmão, não culpe satanás por tudo! O problema está em vc mesmo! Nossa! 11 anos, caramba! Então vc está se enganando há muito tempo! Sabe o que vc deve fazer Pr. Alexandre? Simplesmente pare de falar e de se enganar!

-> Auto-engano é o resultado de um processo mental que faz com que um indivíduo , em um momento, aceite como verdadeira uma informação tida como falsa por ele mesmo noutro momento. <-

Além de acompanhar as reflexões do Pr. Rubens também acompanho esse abaixo, de uma olhada, vale a pena!

http://www.respondi.com.br/2011/04/por-que-nao-consigo-falar-lingua-dos.html#more

..que Deus o abençoe e que abra seu entendimento! =D

Renato disse...

Pastor Alexandre, a Palavra é bem clara. Os dons em geral serviam como um chamariz para os judeus, que sem fé, não podiam enxergar a Deus. Porém nós vivemos pela fé (o justo viverá pela fé), e não por "pirotecnias" e histerias como se fazem nas igrejas.
No mais, leia com atenção a segunda metade de I Co. 13: "Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado." O que pode ser mais perfeito que a própria palavra de Deus? Portanto, se temos a palavra de Deus conosco, faz-se desnecessário profetizar, já que tudo o que Deus deseja nos dizer está escrito na Bíblia. Se não profetizamos, qual a utilidade de um dom de linguas? mesmo porque I Co 14 é bem claro que o dom de linguas é o menos importantes pois somente glorifica o homem. O que Deus deseja de nós é que nos dediquemos a Palavra Dele, aprendamos cada vez mais e mais. Profetizar o desejo de Deus é o mesmo que jogar a Bíblia no lixo. Falar em linguas é considerar-se superior a todos os outros irmãos (Fp. 2:3)

Unknown disse...

Pastor, por gentileza, o senhor poderia comentar sobre o que ocorreu na casa do Centurião Cornélio? O Espírito santo desceu sobre eles (os que ali estavam) e começaram a falar... Falar o quê, e para quem? E, após isto, porque Paulo orienta aos cristãos primitivos, a falarem em língua para si mesmos , por não edificar a Igreja? São duas perguntas, Pastor, desculpe-me o abuso. Grato!