quinta-feira, dezembro 04, 2008

Oração - 2c

4. “Tudo quanto pedirdes” - Jo 15.16

São grandes e confortadoras as promessas de Deus a Seus filhos. Lamentavelmente, porém, esquecemo-nos de alguns preceitos bíblicos, com prejuízo de nossa melhor compreensão de outros.
É comum esquecer-nos de textos que condicionam nossas petições, e então ficamos com conceitos errados sobre a oração.
As promessas contidas em Jo 15.16 e Mt 21.21-22 devem ser entendidas à luz de Jo 5.14. Este último não contradiz os dois primeiros; completa-os.
Quando Jesus falou aos judeus, falou a homens que conheciam a doutrina da Soberania de Deus. Quando João escreveu sua primeira carta, escreveu-a ao mundo pagão em geral que não tinha a compreensão de Deus como soberano e absoluto. Por isso era necessário que, falando de oração, ele falasse da vontade soberana de Deus. Aos judeus isso era desnecessário, pois eles já a conheciam e reconheciam.
Então, é certo que tudo o que pedirmos a Deus, crendo, o receberemos, na medida em que pedirmos "segundo a Sua vontade".
A compreensão disto é necessária para que nos esvaziemos da pretensão de podermos "reivindicar direitos", "exigir do Espirito Santo", "ordenar" ou conseguir por nossa insistência ou perseverança, que Deus nos atenda nas mínimas coisas que pedimos. A falta desta compreensão torna alguns cristãos arrogantes e presunçosos e um dia eles se decepcionarão, pois não e verdade que eles possam reivindicar, nem determinar, nem exigir alguma coisa de Deus. Podemos e devemos clamar, sim, mas aceitar com sincera humildade e submissão a resposta de Deus, como fez Paulo a respeito de seu "espinho na came" - 2Co 12.7-10. Deus sabe o que convém a nós e ao Seu reino. Por isso é Ele Quem decide o que fará.
Está errado alguém que use a expressão "oração forte", e é falso quem se diga "poderoso na oração", ou ter tal prestígio diante de Deus que, pedindo, certamente acontecerá. Há pessoas que pretendem ter tal poder, através dos quais os outros devem pedir aquilo que, sozinhos, não conseguem. São falsos sacerdotes, falsos profetas e charlatães. Cuidado com eles!
Deus é soberano. Por isso Ele não está sujeito à nossa vontade, nem é por ela influenciado. O contrário é que acontece. Leia-se Is 40.13-14 e Mt 6.8.
Assim, o resultado ou efeito da oração não pode ser o de ensinar a Deus o que Ele deve fazer, ou convence-Lo a fazer algo.
Afinal, quais são os efeitos da oração? (é o que veremos na próxima semana)

2 comentários:

Lavrador disse...

Gostei da sua reflexão, pastor. Enquanto lia era como se estivesse a ouvir o meu pensamento.
É fácil falar o que as pessoas gostam de ouvir mas muitas vezes Deus falou coisas duras de ouvir. Vivemos num mundo em que as pessoas querem ser mais boazinhas do que Deus. Como se isso fosse possível!?!?
Receba um abraço de amizade.

neli araujo disse...

Oi, Rubinho!

Muito boa reflexão! Eu devia ter vindo aqui antes, rsrsrs

"Deus é soberano. Por isso Ele não está sujeito à nossa vontade, nem é por ela influenciado. O contrário é que acontece."

Gostei muito! Preciso vir aqui mais vezes!

Obrigada,
Neli