sexta-feira, janeiro 23, 2009

Tempo

Apesar das sequelas físicas e mentais decorrentes do derrame sofrido há 4 anos, minha mãe, M. Aparecida - esposa do pastor Rubens - mantém o bom humor e uma mente afiada, como sempre, embora sem boa memória. Na passagem de ano, o pastor fez uma pequena reflexão sobre o tempo, e minha mãe declamou por inteiro, de improviso, um poema que eu não a ouvia dizer há décadas. De tão interessante, tomo a liberdade de publicá-lo aqui, mesmo sem saber a autoria.

Tempo

Deus pede estrita conta do tempo.
Forçoso desse tempo já dar conta.
Mas como dar conta em tempo,
Eu que perdi sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,
Dado me foi bem tempo e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta e falta tempo.

Ó! vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis em vão o vosso tempo
(Em passatempo).
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.

Mas, ah! Se os que contam com esse tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não chorariam sem conta
O não ter tempo.

2 comentários:

Roger disse...

Que beleza!
O tempo é cerne da questão. E sem dúvida é o único bem, embora escaço, como o poema bem diz.

Romeu-Sérgio disse...

Antonio das Chagas é o autor.
R-S