quinta-feira, janeiro 17, 2008

Lições Bíblicas - 7b

Relação e semelhança entre conversão e arrependimento


Tanto uma como o outro são fatos que se dão envolvendo os três aspectos da personalidade: mente, sentimentos e vontade ou volição.

Na conversão há uma mudança na mente: quando incrédula, a pessoa nada entendia a respeito de Deus, não tinha afinidade intelectual com Deus. “O homem natural não compreende as coisas (as realidades) do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente”, afirma Paulo em 1Co 2.14. Quando ela se converte passa a ter a afinidade necessária e a compreender, cada vez mais, as coisas de Deus.

Antes da conversão a pessoa não tem amor a Deus, ainda que possa ter alguma simpatia por Ele, mas amor não tem. O mesmo acontece com referência ao próximo. Após a conversão a pessoa passa a amar a Deus acima de todos e de tudo (Dt 6.5; Mt 10.37 e 22.37-40). Assim, há também uma mudança radical nos sentimentos da pessoa que se converteu.

A vontade (capacidade volitiva) do “homem natural” é dominada pela natureza pecaminosa; não é dirigida no sentido de aceitar e fazer a vontade de Deus. Sua disposição natural é a de continuar no pecado e não lutar contra sua própria natureza ou inclinação má. Após a conversão a pessoa realmente quer fazer a vontade de Deus, pois agora O compreende, O ama e quer agradá-Lo . Por isso faz o esforço que for necessário para conseguir seu novo objetivo. Leia Hb 12.4; Tg 4.7. Sua vontade também se volta para Deus, ainda que impotente - Rm 7.18-19, mas será o suficiente para não mais ser dominado pelo pecado - Rm 6.14.

No arrependimento, também, a pessoa toda é envolvida. A mente ou inteligência muda: a pessoa enxerga e reconhece seus pecados. Compreende que o que faz é errado. Além disso, mudam também seus sentimentos: o pecado, que antes lhe dava tanta alegria e prazer, agora é motivo de vergonha e tristeza. Agora, diante do reconhecimento do pecado, e da vergonha e tristeza que o pecado lhe traz, o pecador quer abandonar toda prática pecaminosa e usa toda a força de sua vontade no empenho de deixá-la.

Com estes 3 elementos da personalidade despertados, unidos e fortalecidos pelo Espirito Santo, o pecador realmente abandona o pecado, passa a desprezar e odiar os atos que antes amava a ponto de escravizá-lo. “Desperta, tu que dormes, e Cristo te esclarecerá”, é o apelo de Paulo (Ef 5.14). Do mesmo modo como o diabético continua sendo atraído pelo açúcar, mas passa a evitá-Io porque o açúcar significa para ele sofrimento e morte, o pecador convertido continua a ser tentado, mas chega a detestar o pecado.

Lembre-se:uma nova atitude mental, sozinha, não é conversão, nem é arrependimento; só a vergonha pelos atos maus cometidos também não é conversão, nem arrependimento; também o abandono do pecado, apenas por causa das consequências, não significa conversão, nem arrependimento; somente quando existem os 3 fatores é que existem de fato arrependimento e conversão.

Porém, o fato de haver verdadeira conversão e arrependimento não significa que a pessoa passa a ser imediata e automaticamente um cristão perfeito, sem pecado; ainda falta muito para atingir o estado ideal. Este é buscado através do processo de santificação. É o próximo assunto.

1 comentário:

Erico disse...

Reverendo Rubens foi meu pastor no início da minha "carreira cristã". Meu amor ao presbiterianismo se deve a ele. Sempre pregou e viveu como se tivesse sido testemunha ocular dos fatos narrados na bíblia. Era uma pastor da "velha guarda", sempre preocupado suas ovelhas. Suas pregações eram de grande fôlego, pautadas pelo cuidado doutrinário e teológico.
Senti sua falta nos dias que seguiram, quer seja pela falta de suas caraceterísticas pessoais, quer seja pelas conversas sempre frutíferas que tive com ele.