quinta-feira, abril 23, 2009

Um modelo bíblico de Culto

Não podemos afirmar que haja na Bíblia o registro de um culto modelo para o seguirmos, o que seria muito cômodo, mas Deus não quis assim.

Encontramos, porém, textos que nos ajudam a entender como o culto deve ser e como não deve ser.

Eclesiastes 5.1-5 traz ensinos preciosos: cuidado especial do adorador na “casa de Deus”, incluindo certamente a reverência, a humildade, a espiritualidade e todas as demais condições já apontadas nos estudos anteriores sobre o tema: disposição para ouvir a Deus, mais do que para fazer a Deus nossas pobres oferendas; prudência e respeito para não dizermos a Deus palavras impensadas; o diálogo com Deus deve ser inteligente e não tolo, pois Ele é infinitamente inteligente. “Sejam poucas as tuas palavras”. Diante de Deus, “falar é prata, calar é ouro”, como ensina o ditado popular. O mesmo texto nos ensina que precisa haver seriedade e honestidade no que dizemos a Deus, especialmente no que Lhe prometemos. Nossos compromissos precisam ser cumpridos: “O que votares, paga-o”.

Isaías 6.1-13 é um texto que tem sido tomado por modelo. Aí encontramos:

1- o adorador em busca de Deus;

2- louvor, exaltação da santidade de Deus;

3- contrição, resultante do contraste entre a grandeza de Deus e a pequenez e imperfeição do adorador, sentido e expresso nas palavras “vou perecendo”. Quem era ele para estar na presença do Senhor dos Exércitos? Daí a profunda contrição e a impressão de que morreria;

4- confissão de pecados como consequência tanto do adorador Isaías como de seu povo;

5- declaração de perdão que se seguiu à confissão - “tua iniquidade foi tirada”. Com o perdão, vem a purificação (vs. 6 e 7);

6- mensagem ou palavra de Deus - “A quem enviarei...?”;

7- Consagração - à mensagem de Deus segue-se necessariamente a resposta do verdadeiro adorador: “Eis-me aqui. Envia-me”.

quinta-feira, abril 16, 2009

O Culto público e o Domingo

Culto é assunto intimamente ligado ao Domingo, que é o "sábado" (descanso) cristão.
Um bom ponto de partida para esta reflexão é um estudo rápido sobre o quarto mandamento, em Êxodo 20.8-11; Ne 13.12-22; e Ez 22.26, 20.11-24. Aí encontramos o mandamento, a maneira como Neemias o entendeu e exigiu que fosse obedecido, e a queixa de Deus contra Seu povo por não observar corretamente o quarto mandamento. Leia estes textos.
Reduzir a obediência ao quarto mandamento apenas às horas de culto e escola dominical é desobediência.
É importante que em todos os mandamentos e leis descubramos os princípios permanentes para não nos atermos apenas às regras e costumes locais e temporários.
O quarto mandamento encerra o princípio do trabalho e do descanso: toda pessoa tem o dever de trabalhar e de descansar de maneira adequada para atingir o fim principal do dia de descanso, que é a a santificação.
O domingo não é feriado religioso. É um dia totalmente diferente no seu sentido e nas práticas a serem realizadas. O verdadeiro sentido e espírito do domingo (sábado cristão) precisam ser bem entendidos e observados.
Tudo o que for necessário para nosso descanso e tudo que seja necessário e conveniente para nossa santificação deve ser feito sem que uma coisa prejudique a outra. Por exemplo: assistir a certos programas de televisão no domingo pode ser bom para o descanso físico, mas não ajuda a santificação, antes prejudica, então deve ser evitado.
Em Ezequiel 22.26 há a clara condenação da mistura do que é santo com o que é impuro, pernicioso, mau.

quinta-feira, abril 09, 2009

A importância do Culto público

O culto deve ser o ponto alto da vida da Igreja, o momento que aguardamos com especial interesse, pois como povo vamos adorar a Deus. Deve se tornar realidade a expressão frequentemente usada "banquete espiritual" - temos que nos preparar e buscar essa hora com ansiedade - "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" - Sl 42.2; o salmista sabia que estava sempre na presença de Deus, mas ele se refere ao culto com o povo.

É uma hora muito especial, vital para a vida da Igreja. Deve expressar aquilo que realmente sentimos em relação a Deus.  Por isso, tem de haver coerência entre nossa vida durante a semana que passou, todo o domingo e a hora do culto. "Amigo, a que vens?", perguntou Cristo a Judas; é a pergunta que também devemos ouvir em nossos corações: "a que vens?" Qual é a motivação de cada um de nós ao vir para o culto?

A ordem do culto (correta ou não, queiramos ou não) manifesta o conceito que temos de Deus e de nosso relacionamento com Ele: se Ele é o Rei ou apenas um pouco superior a nós; se O tratamos com reverência e respeito ou se podemos dar-Lhe um "oi" e uns tapinhas nas costas; se só temos que aprender com ele ou se podemos discutir e entrar num acordo de meio-termo que nos satisfaça; se viemos para servi-Lo ou se viemos para dizer o que Ele deve fazer para nós.

quinta-feira, abril 02, 2009

"Cacoetes"

Cacoete”, segundo o Dicionário de Caldas Aulette, é “hábito ridículo, trejeito, contração muscular voluntário ou involuntário, sestro, mania, hábito”.
Pois certos cacoetes tem-se introduzido nos costumes de muitos crentes desavisados. Não são movimentos do corpo, mas, digamos, são cacoetes verbais, repetições verbais. Vamos citar alguns:
1. Orando, ou falando em público, muitos irmãos repetem, a cada 4 ou 5 palavras que dizem, a palavra “Senhor”, sem nenhuma razão, sem nenhum sentido, assim como algumas pessoas dizem constantemente “né?”, “tá?” ou “ahn!”. No caso de repetir-se a palavra “Senhor” automaticamente, isso não é respeitoso; ao contrário: é, de certa forma, usar em vão o nome do Senhor.
2. Conheço um pregador - e certamente há muitos outros - que, a cada dez ou vinte palavras ditas, introduz a frase “em nome do Senhor Jesus!”. Uma frase sempre inteiramente fora de propósito e do contexto, sem sentido. Além de ridículo, é também um uso impróprio do nome santo de nosso Senhor.
3. Outro dia, visitando uma igreja, notei outro cacoete que é muito comum, hoje. Um dos dirigentes do culto pronunciando um “amém!” inteiramente sem sentido, até mesmo quando fez um simples aviso sobre alguma reunião que haveria durante a semana; em seguida perguntava: “amém?”. Ora, a palavra hebraica “amém”, que passou para o português, o inglês e outras línguas nessa mesma forma, significa “assim seja”; expressa uma concordância, um assentimento e o desejo de que algo se faça - “tomara!” - e assim é que deve ser usado e nunca com uma interrogação.
O uso do “amém” é litúrgico e bíblico - veja-se, por exemplo, 1Co 14.16; Sl 41.13; 72.19; 89.52; 106.48; Mt 6.13; Ap 22.20-21. Não temos o direito de torná-lo uma expressão vulgar e sem sentido, um cacoete. Pregadores há que, desejando vaidosamente que o ouvintes concordem com afirmações pessoais deles, perguntam “amém?” e se o volume de voz na resposta for fraco, insistem: “amém, irmãos?”. É um costume que nada tem de bíblico, mas tem muito de anti-bíblico.
Lembremo-nos de que o culto público é o ponto culminante na vida religiosa do povo de Deus, a adoração do povo reunido. Lembremo-nos de que o culto deve sempre ser solene, por estar o povo conscientemente na presença de Deus, procurando adorá-Lo "em espirito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem" - Jo 4.23. Por isso mesmo não temos o direito de torná-lo vulgar. Ser popular não é ser vulgar; o culto deve ser sempre popular - do povo - e ao mesmo tempo ser sempre solene e digno do Senhor.
Cacoetes tornam o culto vulgar e ridículo, quando ele deve ser sempre "racional", inteligente - Rm 12.1 - digno e agradável ao Senhor e também a nós.
Verifique se você adquiriu algum habito assim; esforce-se para abandoná-lo.

quinta-feira, março 26, 2009

A Liturgia e os Cânticos

1. Antes de tudo, temos que recordar o que e e como deve ser a Ordem do Culto.
2. O exagero nos cânticos: por exemplo, 30 minutos de cânticos diversos, além dos hinos do Hinário. Estes não podem ser retirados da Ordem do Culto porque em geral são bonitos, de boa qualidade doutrinaria, e edificantes, ao contrario da maioria dos corinhos que, infelizmente, são de molde neo-pentecostal.
3. A questão de "dar oportunidade" para cada grupo - jovens, adolescentes, crianças, etc. - é irrelevante, pois todos participam do culto - do começo ao fim - quando entendem o que é culto. Logo, todos já tem oportunidade. Ninguém precisa ir à frente para estar "participando"; o ideal seria que cada grupo, como faz o Coro, estivesse assentado, reunido, e na sua hora de cantar apenas se levantasse para cantar. É preciso evitar e desestimular o exibicionismo desde cedo. Pregador e dirigentes do culto vão à frente por uma razão lógica: para serem ouvidos e vistos, mas se qualquer deles se "exibe", será melhor não pregar mais, nem dirigir mais o culto ou qualquer parte dele. É muito difícil podermos afirmar que alguém "se exibe", mas quando há essa impressão, já está prejudicando a espiritualidade do culto.
4. Qual a parte mais importante do culto? Normalmente é a exposição da Palavra. É c1aro que é indispensável o louvor e cada uma das outras partes. Eventualmente poderá haver culto sem sermão, mas nunca sem leitura das Escrituras. O centro do culto tem que ser "a Palavra". As partes anteriores são uma preparação para ouvir a Deus, e o que vem depois - a consagração – deve ser uma conseqüência. Sem preparo e sem “consagração", o culto se torna mecânico, inócuo, inútil. Por essa razão as igrejas protestantes - antes da preocupação de se tornarem "modernas" - colocavam o púlpito sempre no centro.
5. A duração de cada parte. Nenhuma deve ser cansativa. Por que cantar 15 ou 20 minutos em pé? No conjunto, também se tornarão prejudiciais se tomarem tanto tempo que prolongue demasiadamente o culto, ou diminua o tempo da parte de "edificação", cujo centro é a mensagem.
6. O que deve ser feito "em pé" ou "sentado"? Em pé deve ser, primeiro, o louvor, pois é a parte de contemplação de Deus, quando exaltamos o Senhor, falando de Sua glória e de Seus atributos. Por conveniência é que fazemos o povo se levantar em alguns outros momentos: para descansar de ficar assentados, para indicar maior reverência - pode ser na parte de consagração e no louvor final.
7. Diferentes grupos querem cantar: o conjunto que dirige o cântico de corinhos, que não são todos de louvor, o Conjunto Manancial, o Coro, o conjunto infantil. Se cada um cantar um só cântico, sem repetir mais vezes, isto ainda será possível. Mas se cada grupo cantar duas vezes já teremos um exagero: 2 x 4= 8 cânticos, mais os hinos do Hinário. O culto certamente se tornará cansativo, ou deixará de ser culto para edificação e ensino passando a ser uma sessão de cantos para agradar a plateia ou os próprios cantores
8. Por fim, lembremo-nos de que o ensino bíblico é que ofereçamos a Deus "o melhor" que podemos, e não o que é improvisado e de pouco valor. A começar pelo pregador, continuando com os dirigentes e todos os participantes do culto, exige-se preparo anterior ao culto, e integridade de vida cristã durante toda a semana . Quem não adora e não serve a Deus durante toda a semana, também não O adorará no domingo só porque foi ao templo.

quinta-feira, março 19, 2009

O Pastor e a Visitação

Jeremias 23.1-4 fala da importância da visitação a ser feita pelo pastor, e da tragédia decorrente da falta dessa visitação.
Visando o preparo dos pastores para uma visitação eficiente, o currículo de nossos seminários contem uma matéria importante: “Teologia Pastoral”, além de elementos de “Psicologia”.
A Constituição da Igreja Presbiteriana dá aos demais oficiais diáconos e presbíteros a incumbência de também visitar, participando de alguma forma do pastoreio do rebanho. Veja em Atos 20.28.
Será muito conveniente que o pastor instrua os oficiais da Igreja para tão importante serviço. Fazerem visitas juntos será, certamente, muito bom no aspecto de resultados . práticos e de treinamento dos oficiais da igreja.
Mas é fora de dúvida que muitas vezes convém que o pastor faça sozinho determinadas visitas, pelo cuidado especial que elas demandam, ou pela gravidade dos assuntos e ate o sigilo que convenha haver. Nem todos estão devidamente preparados para tratar com os membros das igrejas nessas ocasiões. Uma colocação menos prudente ou uma palavra menos cuidadosa pode ser um transtorno.
Duas coisas serão testadas nessas situações: a capacidade do pastor no encaminhamento de soluções dos problemas, e a confiança dos presbíteros no pastor. Estes estarão colaborando com o pastor, como ensina a Constituição da Igreja, fazendo junto com ele a visita, ou deixando-o só, conforme a conveniência, a juízo do próprio pastor, sem negligenciarem o seu dever de visitarem; orando pelo pastor, por todo o seu trabalho e pelo seu aperfeiçoamento.
Sobretudo, todo trabalho deve ser feito com temor e tremor, orientado pelo Espirito Santo, para que não seja feito "relaxadamente"
Havendo cooperação mutua, humildade tanto do docente como dos que aprendem com ele; havendo, tanto de uns como de outros, real interesse e amor pelo rebanho, o Reino de Deus ganhará muito na realização do ministério da visitação.
Presbíteros, confiem em seu pastor. Pastor, conquiste a confiança de seus irmãos, ovelhas, e colaboradores também.

quinta-feira, março 12, 2009

O Pastor e a Liturgia

O pastor é chamado, na Constituição da Igreja (presbiteriana), "presbítero docente", porque uma de suas principais funções na Igreja é a de ensinar, doutrinar. Para isso a igreja deve prepará-lo proporcionando-lhe um curso teológico idôneo, submetendo-o, depois, a rigorosos exames teológicos antes de sua licenciatura e de sua ordenação.
Como presbítero docente, o pastor é indicado, na Constituição da igreja , como aquele que orienta e supervisiona a liturgia na igreja que pastoreia. Supervisionar não é apenas "dar um visto" na Ordem do Culto elaborada por algum membro da Igreja que vai dirigir o culto. É orientar sempre, corrigir e alterá-la quando necessária. Na verdade já é uma invenção moderna, em nossas igrejas, uma outra pessoa dirigir o culto e o pastor apenas pregar.
Essa função, de supervisionar, não deve ser confundida nem pelo pastor, nem pelos possíveis dirigentes, como um "engessamento" da Ordem do Culto; deve ser entendida como um necessário cuidado para que a ordem estabelecida nem se tome mecânica e rotineira, nem uma "colcha de retalhos" sem lógica e sem sequência natural, nem em "programa" cheio de "criatividade", mas sem unidade e vazio de conteúdo.
A orientação que o pastor dá deve também obedecer os "princípios de liturgia" constantes do "Manual Presbiteriano",calcados nos princípios bíblicos sobre o culto. Também deve ser entendida, e para isso ser explicada e discutida quando necessário. Mas, tendo em vista que o culto deve ter unidade, com o objetivo de levar o povo a adorar a Deus de modo inteligente, "em espírito e em verdade", o pastor deve estar capacitado - pelo estudo e pela prática - a orientar e ser acatado.
É muito grande a responsabilidade do pastor quanto à Liturgia, pois a maneira como a Ordem do Culto é estabelecida pode ser um meio eficiente de tornar o culto edificante e didático, ou uma porta aberta para desvios doutrinários e espirituais. Ela pode ser um reflexo do conceito que se tenha de Deus, e da importância que se dá às Escrituras.
O pastor precisa estar comprovadamente capacitado para supervisionar a Liturgia e ser lealmente acatado
Em 1Co 14 .40, onde Paulo nos instrui sobre o culto, diz ele sabiamente: "Faça-se tudo decentemente e com ordem".

quinta-feira, março 05, 2009

O culto que agrada a Deus

"Deus é espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e verdade." (Jo 4.24)

Em Jo 4. 23 e 24 Jesus nos ensina que o culto deve ser espiritual e que "o Pai procura a tais que assim O adorem".

Em Ex 3.5; Ec 5.1-5; Is 6.1-8 e outros textos, encontramos princípios que devem orientar-nos na organização do culto público.

Sem dúvida, a ordem do culto não deve ser improvisada. O culto deve ser planejado de tal forma que suas finalidades sejam atingidas. A principal delas é a adoração a Deus; este é o grande objetivo de todo verdadeiro culto e de cada uma de suas partes.
Outro objetivo é a comunhão entre os adoradores, e o terceiro objetivo, edificação espiritual. Além disso, o culto pode ser de gratidão, exortativo, de evangelização, ou doutrinário, sempre de acordo com a necessidade espiritual do povo e da igreja que se reúne. A ordem, ou sequência das partes do culto, deve ter em vista as razões específicas de cada culto, e as partes do culto devem ter unidade, isto é, devem estar voltadas para esse alvo.
Por exemplo, num culto evangelístico, a escolha dos textos bíblicos a serem lidos, os hinos a serem cantados, as orações e a mensagem devem todos ter em vista esse objetivo específico: a evangelização; e assim também os cultos com outros objetivos específicos.
A ordem do culto mais conveniente é a que podemos chamar temática, porque através desse culto um determinado tema ou assunto será tratado. Isso evita que o culto venha a parecer uma colcha de retalhos, ainda que cada “retalho” seja bonito.
Por que entendemos assim? Pela mesma razão porque a mensagem a ser proferida pelo pregador também não deve ser uma “colcha de retalhos”, bonita e enfeitada, embora sem unidade, sem conexão entre as partes mas, tanto quanto possível, deve ser inteligente, organizado no seu aspecto didático, pois o culto deve ser também “racional”, como ensina Paulo em Rm 12.1. Assim também são os sermões de Cristo e de Paulo, e todos os escritos sagrados. Por que deveria o culto ser diferente, improvisado e desordenado? Para atender ao gosto de pessoas pouco disciplinadas? Não!
Se for bem preparado e se os adoradores adorarem ao Senhor como convém, o culto não será estático nem frio, mas agradável e proveitoso sempre, do começo ao fim. As leituras bíblicas, os hinos escolhidos, a mensagem e as orações, devem estar relacionadas entre si.
Além disso tudo, que o nosso culto seja sincero. Um dia Deus se queixou do culto que o povo Lhe prestava. “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de Mim” Is 29.13.
Busquemos sempre a Casa do Senhor conscientes de que vamos, como povo, apresentar-nos de modo conveniente diante do Soberano Rei do Universo, ansiosos por este maravilhoso encontro, como o autor do Salmo 42: “A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?”.
Assim, cada culto poderá ser uma bênção para cada um de nós.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Compreenda o Culto

O culto público é a adoração do povo reunido a Deus.
Jesus Cristo nos instrui: "Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura tais que assim O adorem. Deus é espirito e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade" - Jo 4.23-24
Nas Escrituras, e não em nossa criatividade, é que encontramos os princípios que devem ser observados na realização do culto: reverência, reconhecimento da soberania de Deus e humildade, espiritualidade, submissão a Deus, e diálogo entre Deus e o adorador. Leia Ex 3.5-6; Ec 5.1-5; Rm 11.36; Is 6.1-8
Obedecendo a esses princípios, ensinos e exemplos bíblicos, a Liturgia Presbiteriana se caracteriza pela seguinte Ordem do Culto:
1- Louvor - constando de hinos, leitura bíblica e oração de louvor (que falam dos atributos de Deus, como poder, sabedoria, santidade, bondade, amor, etc.), que assim exaltam a Deus.
2- Contrição - contemplando a Deus através do louvor, sentimos nossa pequenez e nossos pecados, e então os confessamos: em oração, em leituras bíblicas e hinos.
3- Edificação - reconciliados com Deus e sentindo-se perdoados, os adoradores são fortalecidos e ensinados com a Palavra de Deus. É hora de nova leitura bíblica para a meditação, mensagem ou pregação, na qual Deus nos fala.
4- Consagração - Depois de ouvir a Palavra e o apelo de Deus, sempre contido em Sua palavra, é hora do adorador responder ao Senhor, tomando decisões, oferecendo-se para servir ao Senhor. Nesta parte do culto fazem-se orações, tanto individuais como coletivas. Hinos apropriados ao assunto do culto ou da mensagem, devem ser cantados nesta hora.
5- Encerramento do culto com cânticos, leituras bíblicas e benção apostólica.

Como vemos, não cabem na Ordem do Culto com base bíblica, homenagens a pessoas, avisos, agradecimentos, apresentações, etc. Estas coisas podem e devem ser feitas antes e após o culto, nunca durante.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

A Graça de Deus

A graça de Deus é a oferta gratuita que Ele faz ao ser humano, de salva-lo eternamente, adotando-o como filho dEle. Salva-o da condenação, do poder do pecado e santifica-o para que o ser humano possa habitar no Céu. É gratuita porque o ser humano não merece tudo isto que Deus lhe oferece, nem tem condições, por si mesmo, de conquistar qualquer destas bênçãos.
Textos básicos, iniciais: Gn 3.15; 12.1-3; 15.6; Gl 3.6 e 9; 4.24-28; 3.16 e 29.
Deus fez ou estabeleceu dois pactos: primeiro, o pacto das obras ou da obediência, com Adão e Eva, antes de serem pecadores. O ser humano tinha, então, condições de fazer sua parte, obedecendo; porém, fracassou - Gn 3-6. O concerto da Lei foi feito no Sinai - Gl 3.24. A Lei que instrui o ser humano, mas também condena aquele que a transgride e está fora da aliança da Graça.
Gn 17.7-10 - concerto "perpétuo" com Abraão, tendo a circuncisão como sinal visível do pacto.
O pacto da Graça tem a garantia de sua realização, na pessoa de Cristo - Rm 5.1; Ef 2.8. A fé, que também é dada por Deus, e que capacita o ser humano a gozar dos benefícios da graça.
Je 31.31-34 e Hb 8.8-12.
O ser humano responde a Deus com a fé em Cristo, pessoal, consciente, voluntária. Em Cristo cada pessoa é admitida no pacto da Graça.
O pacto da graça é particular e não universal, como querem os universalistas - Gn 12.7; 17.7; Gl 3.16- "a tua posteridade, que é Cristo". Em Cristo é que somos incluídos no pacto da Graça.
É um erro pensar que a "dispensação da graça" é a partir de Cristo, e que antes dEle o que havia era a "dispensação da Lei". Nenhum texto bíblico diz isso.
A graça foi estabelecida por Deus em Gn 3.15 e tornada explícita e transformada em pacto, com Abraão, em Gn 12.1-3.
É um pacto da Trindade com o hornem: o Pai oferece a graça, por meio do Filho, e o Espirito Santo o aplica a cada pessoa - Ef 1.1-7, 10-14; 1Pe 1.2; 1Co 5.10 ("sou"); Ef 4.7 - "a cada um"; 2Pe 3.18 - "Crescei na graça"; 1Pe 5.12 - "esta é a verdadeira graça".
A doutrina da Graça e teocêntrica e não antropocêntrica. Ele é a causa da Salvação. Lm 3.22; Ef 2.5 e 8-10; Is 47.4; Jó 19.25-27; Sl 49.7-8. Fora de Cristo não há salvação- Jo 14.6; Tt 3.5; Gl 2.16; At 13.39.
A graça tem uma aplicação universal só no sentido de alcançar pessoas de todas as raças, tribos e línguas, e não no sentido de alcançar todas as pessoas, numa salvação universal. Jo 3.16, 18, 36; At 16.31; Mt 28.19; Mc 16.15; Rm 1.16.
A graça nos reeduca com a Lei, o Espirito Santo capacitando-nos a observa-la, ainda que imperfeitamente. É o processo da santificação, com seus 2 aspectos: o positivo e o negativo. Tt 2.12 e 3.3-8.
A graça de Deus cria urna nova humanidade, um novo povo, a Igreja - 1Pe 2.9-10, e um novo homem - 1Co 10-31; Ef 4.1; Fp 4.1.
A graça de Deus nos da esperança (certa e segura)- Tt 2.13.
Devemos entender ''vida eterna" como qualidade de vida que começa imediatamente após a conversão, e não simplesmente corno imortalidade; esta todos possuem.