quinta-feira, dezembro 18, 2008

Oração - 2e


6. IDÉIAS ERRADAS E PRECONCEBIDAS SOBRE A ORAÇÃO

1. “Nós podemos convencer Deus a fazer o que pedimos." É uma idéia absurda. Quem somos nós para isso? Leia-se Tg 1.17; Ml 3.6.
2. “A oração é um poder que nos foi dado.” Citam Mt 17.20 e 21.21, esquecendo-se de que a vontade de Deus é soberana. A oração não é um poder em si mesma. Todo poder é só de Deus.
3. “Há pessoas poderosas na oração.” E há aqueles enganadores que afirmam ter o poder de orar. Poder só pertence a Deus. Só recebemos quando pedimos o que Ele quer. Uma oração não tem mais valor porque tenha sido feita por um pastor ou por determinada pessoa. Deus atende a oração de alguem que confia nEle e pede de acordo com a vontade dEle.
4. “Se pedirmos com fé. Se muitas pessoas pedirem, tudo o que quisermos será feito”. Pessoas que pensam assim não consideram que pedir com fé é pedir com humildade e submissão a Deus. Deus não é influenciado por nós e por "lobby" algum. É uma imensa heresia afirmar que "A oração é a força que move o braço de Deus".
É um grande erro promover "correntes de oração", pois isso dá a entender que o que pedirmos desse modo certamente será feito. Da mesma maneira é errado promover "plantões de oração". Por acaso precisamos manter Deus acordado ou atento, para proteger e atender Seu povo? Devemos estimular as pessoas à oração, mas não incutir expectativas e conceitos falsos. Basta o que diz o Salmo 37.5 e 7:
"Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará. Descansa no Senhor e espera nEle".

terça-feira, dezembro 16, 2008

Edição extra: 58 anos... casados!!!

O casal com Rica, Dani e Taís - três dos quatro netos.

58 anos de vida conjugal – um testemunho e um alerta.


É o que Maria Aparecida e eu completamos hoje, dia 16/12/2008.
“Uma vida inteira!” nos dizem muitos. São poucos o que recebem tal bênção de Deus.
Foi uma vitória tranqüila, sem lutas e lágrimas? Não.
Valeu a pena tanta fidelidade, tanta persistência, tanto altruísmo, tanta renúncia? Sim!
Olhar para o passado e não ter motivo para sentir vergonha, as tentações que foram vencidas com o socorro do Espírito Santo; as deficiências supridas pela providência de Deus; tudo isto acompanhado de santas alegrias e o sentimento de vitórias grandes, consistentes e definitivas, coroam nossas vidas.
Filhos e netos, embora poucos, com famílias bem organizadas em bases cristãs; igrejas e irmãos que juntos – Maria Aparecida e eu – pastoreamos sem fazer concessões de ordem moral e espiritual, vivendo com modéstia e ambos com muito trabalho, esforçando-nos para sermos “imitadores” de Cristo e de Paulo. Tudo isso nos traz consolo e paz, nestes dias de “idade avançada” (78 e 81 anos). Ela, com seqüelas grandes de um AVC (acidente vascular cerebral), há pouco mais de 4 anos; eu, que me tornei “sedentário forçado” para cuidar dela. Dar testemunho de tudo isso, com graças a Deus, é o que tenho procurado fazer nestes “dias maus” (Ef 5.16).


Com tristeza vejo a “Igreja gloriosa” (Ef 5.27) em risco, invadida pelo mundo paganizado. Pregações superficiais, carreirismo mercantilista permeando o ministério – “nuvens sem água, árvores murchas, infrutíferas... (Jd 12 e 13).
Vejo a necessidade de, com urgência, a Igreja cuidar das crianças, dos adolescentes e jovens, alertando os pais quanto à erotização organizada que compromete a família, instituição divina. meninas e jovens tornam-se “prostitutas amadoras” de seus sucessivos namorados; cresce assustadoramente o número de lares desfeitos e de filhos rejeitados desde o ventre materno, à mercê de traficantes e outros malfeitores.
A Igreja precisa com urgência tratar desse assunto com pais e filhos. “Evangelho sem Ética não é Evangelho.”
Essa é a nossa luta, hoje. Que Deus nos sustente e use, conforme a Sua vontade, sábia, santa, perfeita e suprema.


S. J. dos Campos, 13/12/2008
Rubens Pires do Amaral Osorio

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Oração - 2d


5. Os Efeitos da Oração – Tg 5.16

l. Ela é um ato e exercício de obediência a Cristo, que nos mandou e nos ensinou a orar. Mt 6 - "Quando orares..."- v.5 e 6, "vos orareis assim..."- v.9; 1Tm 2.8; Mt 26.42; 2Ts 5.17.

2. É um exercício de fé - Tg 1.5-6: "peça a Deus; peça-a, porém, com fé, não duvidando". Não duvidar de quê? Do poder de Deus para fazer o que Ele quiser, até aquilo que nos parece impossível.

3. É um exercício de humildade, pois oramos reconhecendo nossa dependência e incapacidade para fazer algo por nós mesmos. Jo 15.5 - "...sem Mim nada podeis fazer".

4. É um exercício de submissão à vontade soberana de Deus. Mt 6.10, Mt 26.39 - "seja feita a Tua vontade tanto no Céu como na Terra"; como homem Jesus nos deu o exemplo de submissão ao Pai: "Meu Pai, se e possível, passa de Mim este cálice; todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres".

5. A oração nos tranqüiliza – Sl 37.5 e 7; 1Sm 1.11-19. Este é um efeito que se dá em nós mesmos; é subjetivo, mas real e benéfico.

6. É um exercício de solidariedade orar uns pelos outros. Precisamos cultivar esse nobre sentimento - Tg 5.16, Fp 2.4. Não são os outros que precisam de nossas orações, mas nós é que temos necessidade de orar.

7. É confortador saber que há irmãos solidários orando por nós - Fp 1.4; Jo 15.2; 1Co 1.4; Rm 1.9-10; 1Ts 1.2.

8. A oração respondida fortalece ainda mais a nossa fé, além de encher-nos de alegria.

9. A oração em reunião também serve para fortalecimento mútuo; é um efeito psicológico positivo, salutar.

10. O caráter de quem ora é influenciado por Deus.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Oração - 2c

4. “Tudo quanto pedirdes” - Jo 15.16

São grandes e confortadoras as promessas de Deus a Seus filhos. Lamentavelmente, porém, esquecemo-nos de alguns preceitos bíblicos, com prejuízo de nossa melhor compreensão de outros.
É comum esquecer-nos de textos que condicionam nossas petições, e então ficamos com conceitos errados sobre a oração.
As promessas contidas em Jo 15.16 e Mt 21.21-22 devem ser entendidas à luz de Jo 5.14. Este último não contradiz os dois primeiros; completa-os.
Quando Jesus falou aos judeus, falou a homens que conheciam a doutrina da Soberania de Deus. Quando João escreveu sua primeira carta, escreveu-a ao mundo pagão em geral que não tinha a compreensão de Deus como soberano e absoluto. Por isso era necessário que, falando de oração, ele falasse da vontade soberana de Deus. Aos judeus isso era desnecessário, pois eles já a conheciam e reconheciam.
Então, é certo que tudo o que pedirmos a Deus, crendo, o receberemos, na medida em que pedirmos "segundo a Sua vontade".
A compreensão disto é necessária para que nos esvaziemos da pretensão de podermos "reivindicar direitos", "exigir do Espirito Santo", "ordenar" ou conseguir por nossa insistência ou perseverança, que Deus nos atenda nas mínimas coisas que pedimos. A falta desta compreensão torna alguns cristãos arrogantes e presunçosos e um dia eles se decepcionarão, pois não e verdade que eles possam reivindicar, nem determinar, nem exigir alguma coisa de Deus. Podemos e devemos clamar, sim, mas aceitar com sincera humildade e submissão a resposta de Deus, como fez Paulo a respeito de seu "espinho na came" - 2Co 12.7-10. Deus sabe o que convém a nós e ao Seu reino. Por isso é Ele Quem decide o que fará.
Está errado alguém que use a expressão "oração forte", e é falso quem se diga "poderoso na oração", ou ter tal prestígio diante de Deus que, pedindo, certamente acontecerá. Há pessoas que pretendem ter tal poder, através dos quais os outros devem pedir aquilo que, sozinhos, não conseguem. São falsos sacerdotes, falsos profetas e charlatães. Cuidado com eles!
Deus é soberano. Por isso Ele não está sujeito à nossa vontade, nem é por ela influenciado. O contrário é que acontece. Leia-se Is 40.13-14 e Mt 6.8.
Assim, o resultado ou efeito da oração não pode ser o de ensinar a Deus o que Ele deve fazer, ou convence-Lo a fazer algo.
Afinal, quais são os efeitos da oração? (é o que veremos na próxima semana)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Oração - 2b

3. Espontaneidade da oração

"Deus é espirito, e importa que os que o adoram, o adorem em espirito e em verdade"- Jo 4.24
A adoração a Deus deve ser espiritual porque Ele é espirito. Nós, porém, não somos apenas espírito; temos uma alma espiritual que habita um corpo material; por isso nossa alma age através do corpo, comunica-se através do corpo e em grande parte depende do corpo, no mundo material em que vivemos.
E então, para orar usamos o cérebro, usamos palavras ditas mentalmente ou pronunciadas em voz alta. A expressão corporal também é uma realidade. Por isso é válida a indagação sobre como deve estar ou como comportar-se o nosso corpo enquanto oramos. Algumas pessoas se preocupam muito em saber se devemos orar de joelhos no chão, prostrados, em pé ou assentados, e se podemos orar até deitados. Fechar os olhos é boa prática para que nosso pensamento não se volte para as coisas que estejamos vendo, mas não existe uma prescrição bíblica que ensine isso. Da mesma forma, o curvar a cabeça não é prescrição bíblica.
Propositalmente as Escrituras não fazem prescrição nenhuma sobre a posição do corpo quando oramos; mas faz referencia a pessoas prostrarem-se diante de Deus (Sl 95.6; 97.7; 99.5); Jesus faz, em parábola, referência a dois homens orando em pé (Lc 18.11 e 13); no Getsemane, Jesus orou ajoelhado (Lc 22.41) mas nunca disse em que posição devemos orar. A Bíblia faz referência a Ezequias, enfermo, virando seu rosto para a parede (estava, então deitado) e orando. Não há uma posição especialmente recomendada. Atitude de alma, sim.
É certo, porém, que sempre devemos ser respeitosos e solenes para falar com Deus. Então, conforme as circunstâncias e nossa própria disposição de espírito, devemos orar como nos parecer mais próprio. Não nos compete criar regras; há liberdade para agirmos. Na grande experiência de Tomé, reconhecendo Jesus como Deus, não registra o Evangelho se ele se prostrou, ajoelhou ou permaneceu como estava, mas registra que ele apenas exclamou: "Senhor meu, e Deus meu!"
Sem dúvida, orar de joelhos é sinal de humildade e reverência, mas realmente não há nas Escrituras alguma ordem a respeito. Não podemos confundir uma preferência ou opinião nossa com uma ordenação bíblica.
Em qualquer lugar e em qualquer circunstância podemos orar, pois sempre estamos na presença de Deus, todos os minutos de cada dia, seja o que for que estejamos fazendo. Mas quando nos dirigimos a Deus em oração deve ser com respeito todo especial, pois falamos com o Todo Poderoso Rei do Universo.
O texto de Ec 5.1-3 nos ensina preciosos preceitos sobre o culto, inclusive sobre o louvor e a oração, quando diz: "não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a Terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras.” O cuidado é para não dizer coisas impensadas ou sem sentido; falar pouco para errar pouco, pois não é pelo muito falar que seremos ouvidos – Mt 6.7. Nem pensemos que é escolhendo palavras bonitas e difíceis, gemendo ou dando alguma entonação especial na voz que seremos melhor sucedidos e atendidos; Deus se agrada é da verdade e nos atenderá em tudo que estiver de acordo com Sua vontade – Jo 5.14.
Por outro lado, uma criança poderá ser tão bem sucedida em sua oração como um adulto. Quando Cristo nos ensina a dirigir-nos a Deus como "Pai", Ele nos ensina que devemos falar-Lhe com a simplicidade e a sinceridade de uma criança diante do pai, sem esquecer-nos de que falamos com o Senhor de toda a Terra.
(na próxima semana: "Tudo o que pedirdes")

quarta-feira, novembro 19, 2008

Oração - 2a


1. Textos básicos sobre a oração - leia esses textos

Mt 6.5-13: instruções de Cristo, e o "Pai Nosso". Mt 21.21-22: "tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis".
1Jo 5.14: "se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve".
Tg 4.3: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites".
Mt 7.7-11: "Pedi e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á".
Lc 18.1: "...dever de orar sempre, e nunca desfalecer". 2Co 12.7-10: Paulo e o espinho na carne.
Tg 5.13-18: a oração, a união com azeite, os efeitos da oração, o exemplo de Elias.
2. Como deve ser a oração – análise de Mt 6.5-13

v. 5 - Quem ora deve ser sincero e autêntico. O prazer daquele que ora é o de estar falando com Deus, seu Senhor, a Quem ama e quer agradar. Não é para exibir aos outros a sua religiosidade. Os que oram para exibir-se já foram "vistos pelos homens", como queriam; nada tem a receber de Deus.
v. 6 - A oração individual e secreta, esteja onde estiver o crente, de preferência um lugar tranqüilo em que nada perturbe sua comunhão com Deus. Aquele que ora espera legitimamente ser recompensado ou atendido por Deus e certamente o será.
v. 7 - A oração deve ser espontânea, feita com naturalidade, sem a pretensão de pressionar ou impressionar a Deus, seja pelo muito falar, seja pelo repetir muitas vezes a petição, ou por qualquer outro artificio. Deus quer que falemos com Ele como um filho amoroso fala com seu pai, sem pretender comove-Lo, sem chantagem emocional. Os incrédulos ou pagãos é que pretendem de algum modo impor a Deus o seu desejo.
v. 8 - Não podemos seguir esse exemplo, pois Deus sabe qual é a necessidade e certamente, naturalmente, vai nos dar o que mais convém, de acordo com a vontade dEle. Tanto e assim, que Deus nos dá a cada dia bênçãos que nem sequer nos ocorreu pedir ou nos esquecemos de fazê-lo. Se Deus nos desse só o que pedimos, como seria pobre a nossa vida!
v. 9 - Jesus nos ensina coma orar e o que falar com Deus na oração. Cristo diz "Vós orareis assim:..."; está nos ensinando a oração coletiva e, portanto, a oração que fala das necessidades e sentimentos coletivos e não particulares de uma pessoa.
"Pai Nosso" porque Deus é o Pai de todos os que crêem, e na oração coletiva ninguém falará "meu Pai". Esta expressão é para a oração individual, particular, de uma só pessoa e não da comunidade, do grupo dos que crêem.
O que se contém nesta primeira parte da oração é a invocação, não de Alguém ausente, mas onipresente a Quem vamos nos dirigir em oração e queremos que Ele nos ouça e manifeste a Sua presença. "...que estas nos céus" é o reconhecimento de que nós ainda estamos na Terra, no mundo material, em uma categoria inferior de vida, enquanto Deus está no Céu, isto é, onipresente. Mas tendo por habitação o próprio Céu, o mundo espiritual. "Santificado seja o Teu nome" é o reconhecimento da santidade de Deus, representado pelo Seu nome.
v. 10 - "Venha o Teu reino" expressa o desejo de que o reino espiritual venha a nós de tal modo que nós também participemos dele e nele vivamos. "Seja feita a Tua vontade..." é a declaração de que desejamos a realização da vontade de Deus acima da nossa vontade, assim como no Céu ela é feita, sem nenhuma desobediência dos anjos de Deus e dos salvos que lá estão. Esta petição tem tanto um sentido escatológico (a volta de Cristo), como um sentido imediato. A volta de Cristo não deve ser para nós preocupação nenhuma; temos que estar sempre preparados para o retorno do Senhor. Por isso mesmo Cristo não nos disse quando Ele virá. Mas temos que estar interessados sempre no estabelecimento do reino de Deus "em nós". Em Lc 17.21 Jesus Cristo nos diz: "o reino de Deus está dentro em vós", como está na “edição atualizada”; assim está no grego do N. T. Por que andarmos preocupados com a volta de Cristo, se o reino de Deus ainda não está em "nós", permeando toda a nossa personalidade e nossa vida?
v. 11 - "o pão nosso de cada dia nos dá hoje". Aqui pedimos com humildade que Deus nos sustente, pois d'Ele dependemos. Não deve isto, porém, referir-se apenas aos bens materiais, necessários mas temporais, passageiros; esta petição deve incluir os bens espirituais e morais, mais importantes do que os materiais. Não significa que devemos esperar que Deus coloque esses bens milagrosamente dentro de nossas casas, sem que trabalhemos para obtê-los. Deus nos capacita para o trabalho e temos que trabalhar. Também quanto às bênçãos espirituais: cabe-nos usar com diligência os meios de graça através dos quais Ele nos abençoa: oração, leitura e meditação sobre as Escrituras, participação no culto com o povo reunido, participação na Ceia do Senhor, participação nos trabalhos e atividades promovidos ou desenvolvidos pela Igreja, orando especialmente por aqueles que foram incumbidos por Deus para pregar e instruir o povo quanto às Escrituras, quer sejam os pastores ou outros mestres. "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus"; este pão espiritual é mais importante do que os bens materiais.
v. 12 - "E perdoa-nos as nossas dívidas". É o pedido coletivo de perdão pelos pecados da comunidade e de cada um. Nossas dívidas com Deus são pecados mesmo, conforme fica claro no texto de Lc 11.4. Para cobrir essas dívidas, Cristo pagou e nos resgatou com seu próprio sangue - 1Pe 1.18. Isto equivale a pedir a Deus que leve a coletividade e cada pessoa ao reconhecimento das faltas e ao arrependimento pelos pecados, pois ensinam-nos as Escrituras que perdão é dado quando há o arrependimento. Veja-se 2Cr 7.14; Ez 18.21-23, 27, 30-32; Mt 3.2; Mc 1.4-5; Lc 13.5; 17.3-4.
"Assim como perdoamos aos nossos devedores". Aqui está uma afirmação que precisa ser verdadeira e ao mesmo tempo é um compromisso que assumimos com Deus, de perdoar, assim como somos perdoados, sempre mediante o arrependimento, lembrando-nos, também, que Cristo pagou pelos pecados de todos nós.
Do mesmo modo que Deus perdoa o pecador arrependido, como se não mais Se lembrasse de nossos pecados, assim deve ser nosso perdão: passar a tratar o faltoso como se não tivesse cometido a falta. Ver Is 43.25.
v. 13 - "E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal". É o pedido de socorro, feito a Deus, para livrar-nos das tentações. Como Ele permite que sejamos tentados até o ponto que podemos resistir, pedimos-Lhe não permitir que sejamos tentados ao ponto de cairmos mas, ao contrário, que Ele nos impeça de pecar. Apesar disso muitas vezes pecamos porque não resistimos quanto devíamos resistir; pecamos porque deixamos de ter comunhão com Ele e ficamos indefesos. Ele permanece fiel, mas somos infiéis; por isso pecamos. Veja 1Co 10.13; 2Tm 2.13; Tg 4.7; Hb 12.4.
"Porque Teu é o reino, e o poder, e a gloria, para sempre. Amem". A oração termina com este ato de louvor e reconhecimento do Senhor como soberano. "Amem" significa "assim seja"; é a confirmação de que o que dissemos é realmente o que desejamos. Nunca, nas Escrituras, encontramos esta palavra em forma de interrogação, uma pergunta ao povo que nos ouve, esperando resposta positiva; esse uso errado do "amem" é uma das muitas "modas" inventadas que invadem nossas igrejas. Muitos pregadores o usam como artificio para obterem o apoio dos ouvintes ao que estão dizendo. Convém banir das igrejas esse e outros costumes que não tem base bíblica. Esse costume vulgariza o "amem" e por isso é prejudicial.
Desse modo Cristo nos dá ensinos básicos sobre a oração: como orar, como não orar e o que falar na oração: reconhecer a Deus como Senhor do Céu, perfeito e santo; pedir-Lhe a realização de Sua vontade, o domínio de Seu reino sobre nós, o sustento material e espiritual e o perdão, com o compromisso de perdoarmos também; o pedido de socorro diante das tentações para vivermos vida de santidade, e novamente louvar a Deus.
(na próxima semana: a espontaneidade da oração)

quinta-feira, novembro 13, 2008

A pedidos: ORAÇÃO - 1

Oração, em seu sentido mais amplo, é comunhão com Deus. "Orai sem cessar" (1Ts 5.17). Orar é falar com Deus; agora, num momento especial, em que voltamos respeitosamente nosso pensamento só para Deus, falamos com Ele - para confessar nossos pecados, para expor nossas dúvidas, nossos anseios e necessidades. Esse é o sentido estrito de oração.
Isto porque reconhecemos nossas carências e nossa absoluta dependência de Deus; porque reconhecemos Sua soberania e a superioridade infinita de Sua sabedoria sobre a nossa. Por isso Cristo nos ensina a orar: "Seja feita a Tua vontade" (Mt 6.10) e assim orou o próprio Cristo: "não seja como eu quero, mas como Tu queres" (Mt 26.39).
Nossas orações nunca mudarão a vontade de Deus; elas é que precisam amoldar-se à vontade soberana de Deus. Em Rm 8.26 Paulo afirma e confessa: "não sabemos o que havemos de pedir como convém".
Assim, não é a oração de um que vai curar alguém ou resolver algum problema. A oração intercessora deve ser reflexo e fruto de nossa solidariedade e desejo de que aquele por quem oramos receba de Deus as bênçãos de que necessita. Se é isso que desejamos, peçamos a Deus e submetamos nossa vontade à dEle.
Por isso mesmo não podemos dizer que precisamos das orações de alguém ou que alguém precisa de nossas orações. Precisamos, isto sim, da solidariedade dos irmãos, expressa também em suas orações e os irmãos precisam de nosso socorro e de nossa solidariedade, que se expressa também na oração. 1Jo 3.17-18: "Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, coma estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade".
Oração não é um poder mágico, nem é poderosa por si mesma. Assim, não podemos dizer que a oração de 15 minutos "vale" mais do que a de 1 minuto. A oração do "Pai Nosso” nos a fazemos pausadamente em 30 ou 40 segundos (Mt 6.9-13); a "oração de Elias" foi de 25 a 30 segundos (1Re 18.36-37). Ao contrário, Jesus Cristo disse: "Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de Lho pedirdes.”
Deus responde as nossas orações e por isso Cristo nos ensina a orar e insiste em que oremos (Lc 18.1), e João esclarece em 1Jo 5.14: "Esta é a confiança que temos nEle, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve".
Orar com fé (Tg 1.5-6) é nosso dever, orar é o respirar de nossa alma. Mas não cometamos o erro de pensar em oração em termos pagãos de "poder que move o bravo de Deus", de oração que vale porque é longa, ou porque nos comove a nós mesmos e aos que nos ouvem. Nem pensemos que poderemos comover o Senhor.
"Oração é o santo oferecimento de nossos desejos a Deus"; jamais a Escritura ensina que a oração com fé é reivindicar ou exigir de Deus algo que julgamos ser nosso direito. Isso seria arrogância e não humildade. "Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará" (Tg 4.10).

quinta-feira, novembro 06, 2008

Vida Nova -2

5- Tomar cuidado com seu espírito crítico. Precisamos ter espírito crítico, mas não precisamos fazer críticas desnecessariamente; meça sempre as palavras; tenha a preocupação de não ferir, de não melindrar alguém. “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” (Cl 4.6) “Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para edificação.” (Ef 4.29) Se você estiver precisando “desabafar”, dizer algo que está “entalado” na sua garganta, procure o pastor ou outro irmão de confiança e desabafe, aconselhe-se, mas não corra o risco de ferir outros com palavras escaldantes.

6- Confie no pastor. Se ele desmerecer a sua confiança, então leve o assunto ao Conselho da Igreja. Todo pastor é ser humano, imperfeito, mas sua função é pregar, ensinar, ajudar a curar almas; para isso estudou. Ajude-o a realizar seu trabalho, dando-lhe crédito e oportunidade para isso. Quando convidado, o pastor se sente mais encorajado para realizar um trabalho difícil, que é o de pastorear e ajudar a resolver problemas.

Enfim, envolva-se na vida da igreja; você é parte dela. Aprofunde sua vida espiritual, de comunhão com Deus, de oração e estudo sério das Escrituras. Superficialidade pode ser fatal. Sinta-se responsável pelo que acontece e aja depois de pedir e receber orientação do Espírito Santo.
Realize “cultos domésticos”. Pelo menos, leia a Bíblia e ore com a família unida, reunida não à força, de má vontade, mas por amor. Se possível, faça-o todos os dias; senão, sempre que puder, mas convém que a família busque o Senhor, unida.

Seja uma bênção entre nós, seus irmãos!

quinta-feira, outubro 30, 2008

Vida Nova - 1

As coisa velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). “...esquecendo-me das coisa que atrás ficam,... prossigo para o alvo...” (Fp 3.13-14). Foi o apóstolo Paulo quem escreveu estas palavras.

Quando algo ruim acontece, o mais necessário é saber continuar a vida, de ânimo erguido, confiante, com coragem; não continuar de alguma forma preso ao que passou. Seja uma morte que tenha acontecido, uma grande perda material ou moral, seja o que for, é necessário continuar a vida sem abatimento.

Se isso acontece na Igreja, a atitude tem que ser a mesma.

Já temos visto o que acontece em incêndios. Apagado o fogo, vem o rescaldo: evitar que fique algum foco para não reiniciar o fogo, e ver o que sobrou do incêndio e ainda possa se aproveitar – os “salvados do incêndio”.

Quando tenha ocorrido desentendimentos e ficado mágoas, há várias atitudes individuais e familiares recomendáveis. Vejamos algumas.

1- Procurar reconhecer honestamente onde cada um errou. Por que o incêndio não foi evitado? Permitimos, imprudentemente, algum material inflamável escondido? Isso pode ser fatal – não tomamos atitudes preventivas e, por omissão, permitimos o incêndio. Então é preciso aprender a lição, e cada um eliminar os focos de ressentimento.

2- Tomar medidas preventivas agora para não acontecer novamente. Ficar mais atentos, eliminar desde o começo resíduos inflamáveis – um desentendimento que não tenha sido bem tratado, um fato que não ficou bem esclarecido, uma mágoa guardada. “Panos quentes” não resolvem problemas, é preciso um remédio eficaz para um tumor, às vezes, um bisturi para retirar o tumor, antes que cause sofrimento maior.

3- Curar de fato as feridas. Entre pessoas, isso significa “reaproximação”, restabelecimento de amizades estremecidas. As reuniões e momentos de sociabilidade devem ser aproveitadas para esse fim. Conversar com todos, especialmente com quem já tivemos problemas, sem deixar nunca de cumprimentar todos afetuosamente.

Visite aquele com quem é necessário refazer a amizade. É responsabilidade de cada um. Tome a iniciativa; vá devagar; converse sobre o dia-a-dia, assuntos leves, depois sobre os problemas que enfrentam; leia a Bíblia e ore com a pessoa. Convide-o para a sua casa.

4- Levar a sério a vida na igreja, com os irmãos. Precisamos viver unidos, como irmãos, estudar juntos, adorar a Deus unidos, e não apenas reunidos. Não arranje desculpas para não se encontrar com alguém na igreja. O maior prejudicado é você, e também a Igreja, o corpo do qual faz parte.

Quando você se ausenta, deixa de se alimentar com o convívio salutar da igreja; traz preocupação aos irmãos; fá-los pensar que está fraco (e talvez esteja). Isto é ruim para a igreja. Assuma consigo e com Deus o compromisso de ir à igreja . Há quanto tempo não o faz?

quinta-feira, outubro 23, 2008

"Vós que sois espirituais..."

Vós que Sois Espirituais...” (Gl 6.1)


A Igreja Cristã é, por natureza, uma comunidade de amor. “Deus á amor”; “Quem não ama a seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a Quem não vê?” (1Jo 4.20). Igreja sem amor não é Igreja de Cristo.

Não basta dizer ao irmão “eu te amo”. “Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1Jo 3.18).

Amor cristão, amor verdadeiro, expressa-se em mansidão, tolerância (Rm 14.1-6), solidariedade (Rm 13.15; Gl 6.2) e perdão (Cl 3.13). Ao contrário, o amor é negado quando a ira se manifesta e não há compaixão; quando se condena, e a mão se arma para apedrejar; quando não se sente o drama e o sofrimento do outro e não se leva a carga um do outro (Gl 6.2). Negamos amor ao irmão quando nos julgamos melhores e agimos como se o pecado ferisse a nós, e não a Deus primeiramente; quando nos sentimos agredidos e detestamos o agressor.

Constantemente, na Igreja e na família temos oportunidade para provar nosso amor “suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra o outro” (Cl 3.13).

Temos agido assim? Ou nossos melindres são maiores do que nossa capacidade de amar?

O texto citado no título diz: “Irmãos, se alguém chegar a ser surpreendido em alguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão”; e não com irritação e intransigência. Mas encaminhar o tal ao arrependimento e à restauração exige maturidade espiritual; “meninice espiritual” só cria e aumenta os problemas; atitudes são tomadas com “boas intenções”, porém erradas e prejudiciais. Precisamos, todos, crescer espiritualmente e ajudar outros irmãos a alcançarem a maturidade espiritual. Somos responsáveis uns pelos outros.
“Irmãos, não sejais meninos no entendimento... mas adultos...” (1Co 13.20). Então seremos uma comunidade de amor, e Cristo será glorificado.