terça-feira, julho 25, 2006

A Lei de Deus: como entender e obedecer

A Lei de Deus se encontra em toda a Bíblia, a Escritura Sagrada.

Os 10 mandamentos (Ex 20.3-17) são os fundamentos e ao mesmo um resumo de todas as leis contidas nos 66 livros da Bíblia. Cada uma delas é a aplicação dos princípios éticos contidos nos mandamentos, aplicação feita às mais variadas circunstâncias da vida humana.

O lº (v 3) - ensina o monoteísmo e o princípio da adoração só ao único Deus.
O 2º (vv 4 e 5) - ensina o princípio da espiritualidade do culto e proíbe a adoração de imagens ou pinturas, ou seu uso para fins de culto.
O 3º (v 7) - ensina o princípio do respeito absoluto a Deus e a tudo o que a Ele se refere, e proíbe o uso indevido de Seu nome.
O 4º (vv 8 a 11) - ensina o princípio do trabalho e do descanso. Manda trabalhar seis dias e reserva o sétimo para descanso e santificação.
O 5º (v 12) - ensina o princípio do respeito aos pais como autoridade, aos quais se deve obediência.
O 6º (v 13) - ensina o princípio do respeito à vida e proíbe toda forma de homicídio.
O 7º (v 14) - ensina o princípio da fidelidade conjugal e da pureza pessoal. Proíbe explicitamente o adultério, e implicitamente proíbe outras práticas semelhantes e tudo o que fira o princípio nele contido.
O 8º (v 15) - ensina o princípio de respeito aos bens alheios e da honestidade nos negócios, e proíbe o furto sob qualquer de suas muitas formas.
O 9º (v 16) - ensina o princípio da honestidade intelectual e da verdade. Proíbe qualquer forma de mentira contra o próximo.
O 10º (v 17) - ensina o princípio da satisfação com o que cada um tem e proíbe toda espécie de ganância e cobiça. À luz do ensino de 1Tm 6.8-10 entendemos melhor este mandamento.

Em toda a Escritura encontramos os desdobramentos e aplicações de cada um dos princípios éticos dos 10 mandamentos. Desse modo, toda e qualquer lei, se a examinarmos bem, verificaremos que está implícita em algum dos mandamentos ou até em mais de um deles. Dando um exemplo só: os textos e leis que condenam a prostituição e o homossexualismo, estão implícitos no 7º mandamento.

Essas leis dizemos chamarem-se leis morais ou Lei Moral. São permanentes, valem para todos os tempos, jamais foram abolidas por Cristo; ao contrário, Ele aprofundou a compreensão delas, tornando-as muito mais extensas do que os fariseus entendiam.

Encontramos nas Escrituras outros tipos de leis que não se chocam com a Lei Moral; ao contrário, a reforçam e confirmam; mas não são permanentes. Os princípios permanecem, mas a letra da lei não. Por exemplo, as leis cerimoniais. A Igreja Cristã, por mais dividida que esteja em denominações e seitas, não realiza mais a circuncisão, sacrifícios pelos pecados; não possue mais sacerdotes, nem realiza o cerimonial prescrito para o culto no tabernáculo e no templo. A exceção é a das Igrejas Romana e Ortodoxa. Nelas o padre é tido, ainda, como sacerdote, e pensam repetir o sacrifício de Cristo a cada missa que realizam.

Também as leis sanitárias e higiênicas, que visavam a preservação da saúde dos israelitas no deserto e na região quente do Oriente Médio, não se aplicam a todos os tempos e regiões. Por exemplo, os habitantes das regiões polares alimentam-se de carnes gordas, como as das focas, pela necessidade de muitas calorias e não podem deixar esse tipo de alimentação. Técnicas e conhecimentos modernos nos ajudam a compreender que certas prescrições da Lei devem ser entendidas pelos princípios nelas contidos, de cuidados higiênicos com o corpo e com a saúde, mas não são prescrições literais para todos os lugares e situações. Esses princípios é que são universais e imutáveis.

As leis civis contidas nos livros de Moisés eram aplicáveis entre o povo de Israel no regime da Teocracia, sob a direção de Deus, que falava não só pelos profetas mas também através de Urim e Tumim. Hoje não é possível, por exemplo, que a Igreja, pretendendo cumprir tais leis, condene alguém à pena de morte por ter desonrado os pais, ou quebrado o 4º mandamento, ou por ter adulterado, ou ter matado alguém. Muito menos poderá a Igreja executar essa sentença, pois não vivemos mais sob a Teocracia dos tempos de Israel. Nossas leis civis hoje não são as dos livros de Moisés. Mas, também destas leis permanecem os princípios éticos permanentes do respeito aos bens alheios, de respeito à vida humana, o de pureza pessoal e fidelidade conjugal e o princípio que não admite a impunidade. Nestes casos prevalece outra lei de Deus, contida em Dt 32.35, Lv 19.17-18, e resumida em Rm 12.19: “minha é a vingança, Eu recompensarei, diz o Senhor”. E há, ainda, a lei do perdão para aquele que, diante de Deus, está mesmo arrependido.

Cuide-se, todo cristão, para não se tornar frouxo no cumprimento pessoal da Lei de Deus. Mesmo que as leis civis e os costumes atuais sejam condescendentes com o pecado, como realmente muitas delas são, como cristãos temos que guiar-nos pela Lei do Senhor, como está nas Escrituras. Ele é misericordioso e perdoador, mas Suas promessas são para “aqueles que O temem”, “guardam o Seu concerto e se lembram dos Seus mandamentos para os cumprirem”- Sl 103.11-18; Sl 51.17, e ainda Sl 32.5 e Mt 5.17-20.

terça-feira, julho 11, 2006

A "Batalha Espiritual" e o Maniqueísmo

Maniqueísmo foi uma heresia que surgiu na Igreja Cristã no final do séc. III d.C. Originou-se por influência do Zoroastrianismo, religião dos persas. Alguns cristãos, indo à Pérsia, deixaram-se influenciar pela crença dos persas, de existência de dois deuses, um do Bem e outro do Mal, senhores dos Reinos da Luz e das Trevas, respectivamente.
Mani era um deles, e os maniqueístas levaram para o Cristianismo outras crenças e práticas pagãs como o ascetismo (abstenção de comer carne, de beber vinho, e do próprio casamento). Para dominar a carne recomendavam jejuns e penitências corporais.
O maniqueísmo reduzia os elementos cristãos ao mínimo e elevava ao máximo conceitos pagãos do Zoroastrianismo não-ortodoxo. Trouxe para a Igreja cristã a crença dualista, contrária à fé monoteísta.
Para o Zoroastrianismo, Satanás não é apenas um espírito mau, porém impotente, sob o poder de Deus; é um deus com imensos poderes, capaz de opor-se a Deus (o do bem).
Hoje os adeptos do movimento chamado “Batalha Espiritual” ressuscitam essa crença quando atribuem a Satanás e aos demônios poderes ilimitados opondo-se a Deus e Seu Reino de tal forma que, segundo o seu ensino, nem os próprios cristãos estão livres de serem dominados pelo maligno. Crêem que estes também podem ser endemoninhados e ainda inventaram outro termo: cristãos podem ser “demonizados”. Seus ensinos são anti-bíblicos, retirados do espiritismo e do paganismo.
Dos casos bíblicos de pessoas endemoninhadas e da expulsão dos demônios, retiram a conclusão ilegítima de que sempre haveria possessões demoníacas, mesmo depois de completada a revelação de Deus, com o livro de Apocalipse.
Esquecem-se de que o livro de Atos dos Apóstolos registra que “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pela mão dos apóstolos” e não pelas mãos de qualquer cristão. Inferem ilegitimamente das palavras de Cristo em Mc 16.17-18 que os cristãos em geral “expulsarão demônios”, etc. Como os pentecostais em geral, selecionam esses fatos espetaculares e milagrosos: não falam em “pegar nas serpentes” e “beber alguma coisa mortífera”... Com isso, limitam seus “milagres” a alguns fatos de difícil verificação: se de fato alguém está endemoninhado ou apenas com uma forte perturbação mental; se alguém estava realmente ou apenas aparentemente paralítico, cego, mudo ou surdo sob algum efeito psicológico, como é bastante comum - os casos psicossomáticos. Todos esses casos dão margem à existência de fraudes e encenação, como também acontece muito nas sessões espíritas. Por que não curam, por exemplo, alguma vítima da talidomida, fazendo aparecer no paciente algum membro que faltava? Ou no caso de vítima de paralisia infantil com algum membro atrofiado, por que não operam a completa e imediata restauração desse membro, como foi no caso do paralítico de At 3, que certamente tinha suas pernas (ossos, músculos e tendões) atrofiados e que andou imediatamente após a ordem de Pedro, e logo depois dava saltos de alegria?
Esse terreno é muito propício para charlatães. Se ficarmos com a doutrina bíblica correta estaremos a salvo de tais enganos.
Lembremo-nos de que em Mt 8.28-32, ficou bem claro que os demônios estão sob o poder de Cristo e nada podem fazer sem Sua permissão; de que em Jó 1.12 e 2.6 fica bem claro que Satanás age apenas dentro dos limites permitidos por Deus, inclusive nas tentações: 1Co 10.13. Pv.16.4 é outro texto claro sobre a soberania de Deus: “O Senhor fez todas as coisas para os Seus próprios fins, e até o ímpio para o dia do mal”.
Lembremo-nos de que Satanás já está amarrado desde que Jesus Cristo veio, realizando exatamente aquilo que Satanás temia e tentou impedir: que Cristo realizasse sua missão redentora. Sem dúvida Satanás está ao nosso redor, e cabe a cada um de nós resistir-lhe mas não temos que viver amedrontados como se ele fosse um todo-poderoso adversário. Nós podemos “apagar todos os seus dardos inflamados” (Ef 6.16), sobretudo porque Cristo e o Espírito Santo intercedem por nós (Rm 8.27 e 34); o Espírito Santo habita em nós (Jo 14.17 e 1Co 6.19) e é mais poderoso do que o Adversário. “Maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (Jo 4.4) e “aquele que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1Jo 5.18).
“Em todas estas coisas somos mais do que vencedores” (Rm 8.37). Graças a Deus!

segunda-feira, julho 03, 2006

Evangelização

EVANGELIZAÇÃO

Evangelizar é comunicar o Evangelho no poder do Espírito Santo”.
É ensinar uma pessoa a respeito de sua necessidade de salvar-se por meio da fé em Jesus Cristo. É levar alguém, quanto possível, a crer em Jesus Cristo para ter a salvação, a vida eterna; é levá-la a reconhecer a necessidade de ser salva do pecado e da condenação; a “nascer de novo” para ter a salvação.
Nascida de novo, essa pessoa terá condições de aprender tudo “o que de Deus se pode conhecer” (Rm 1.19). Antes de nascer de novo, essa pessoa não terá condições de apreender outros ensinos; poderá, no máximo, adquirir um conhecimento intelectual da doutrina cristã, mas não a assimilará como o corpo assimila o alimento que recebe.
Em resumo: para evangelizar alguém, temos de transmitir-lhe o “plano de Deus para salvação”. O restante da doutrinação deve vir depois que a pessoa realmente se converteu, mudou de vida, passou a freqüentar a Igreja porque já se sente como parte da “família de Cristo”. Aí, então deve começar outra fase do acompanhamento, que será chamada mais apropriadamente de discipulado.
Para efeito didático, e para obter melhor resultado, é conveniente distinguir essas duas fases: evangelização e discipulado. A primeira tem o objetivo de levar alguém à salvação; a segunda tem o objetivo de instruir melhor na doutrina bíblica, aquele que foi evangelizado e já é um cristão.
Para alguém evangelizar eficientemente é necessário que tenha verdadeiro amor ao próximo e ore confiando no poder de Deus, pois só Ele pode converter alguém.

Passos para a evangelização de alguém

1. Fazê-lo saber que é pecador e está perdido, sem Deus.
2. Comunicar-lhe que Deus o perdoa e lhe dá, de graça, a salvação, mediante a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus o ama.
3. Ensinar-lhe que conversão ou novo nascimento é mais do que saber, mas sim receber intimamente Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.
4. Crescimento espiritual e santificação de vida: “fruto que mostre o arrependimento” (Mt 3.8 e Lc 3.8).

Como começar

É da mesma maneira como Deus nos fala nas Escrituras: partindo do pressuposto de que Deus existe e nós cremos nEle: “No princípio Deus...” Jamais as Escrituras tentam provar-nos a existência de Deus. Depois que cremos nEle é que nos interessamos em saber de Seus atributos.
Assim também na evangelização: começar com lições bem simples, como se ensina o b+a=ba, a uma criança. Mais tarde ela terá condições de aprender muito mais. É melhor ensinar o básico; o restante, só à medida em que o novo crente pede mais. Ensinar que após o novo nascimento ou conversão haverá necessariamente a fase de crescimento espiritual e santificação de vida: “fruto que mostre o arrependimento” – Mt 3.8 e Lc 3.8

1º passo - Ensinar que Deus criou o universo com vistas ao ser humano – Gn 1 e 2.
Deus criou o ser humano à imagem e semelhança dele: ser inteligente, moral e espiritual, o único capaz de ter comunhão com Deus, único a possuir uma alma imortal; o único casal que teve a possibilidade de ser sempre perfeitamente santo e capaz de viver para sempre.

2º passo - O ser humano não passou, não foi aprovado no teste de fidelidade – Gn 3.

3º passo - O progresso do pecado, de Adão até Noé – Gn 6.5.
Conseqüência do pecado: problemas (Gn 3.23), tragédias (Gn 4.8), bigamia (Gn 4.19), corrupção completa (Gn 6.5; Rm 1.21-25), morte espiritual (Rm 6.23).
Não só o homem todo, mas a sociedade toda é pecadora – 1Jo 5.19; 2.15-17.

4º passo - Mas Deus não abandona o ser humano, e quer salvá-lo. “Deus quer que todos se salvem” por meio de Cristo – 1Tm 3.3-4; Rm 6.23.

5º passo - O plano de Deus para salvação. “Você já sabe; agora, receba Cristo como seu Senhor”.

6º passo - Agora, o que compete à pessoa que creu em Cristo e está salva: assumir os privilégios e deveres de cristão - Sl. 37.3, 5 e 7.

7º passo - O crente ainda necessita de arrependimento? Sim, porque continua sendo pecador – 1Jo 1.8-9; Rm 7.22-25 e 8.1.

8º passo- O que é ser discípulo de Cristo: não é ser apenas aluno de Cristo, mas ser um seguidor do ensino, do exemplo e das ordens de Cristo - Mt 11.29; Lc 13.15-17; 1Jo 2.6.

9ª passo- A vida produtiva do discípulo - Jo 15.1-8; Mt 5.16; Tt 3.8 e 14; 2Pe 2.5-8.

10º passo - Soberania é a causa de tudo o que se estudou até aqui. Deus é o criador, o mantenedor e o dirigente do universo.

11º passo - O valor da Bíblia. Se cremos em Céus é porque Ele nos deu a fé para podermos crer. Conhecemos algo a respeito de Deus, e do que Ele quer de nós, porque as Escrituras nos falam. Cremos nelas porque Deus nos deu a fé – Ef 2.8. Antes de tudo, cremos porque Deus nos deu a fé – Hb 11.4 – não foi porque alguém nos provou alguma coisa, mas sim porque Deus nos deu fé para crermos. Agora convém saber mais e cada vez mais sobre a Bíblia, as Escrituras Sagradas.

12º passo - Agora podemos saber mais sobre Deus: a Trindade. Quem somos nós para compreender Deus e a doutrina da Trindade? Porém cremos - Rm 11.33. Pela fé nós cremos e aceitamos o que a Bíblia ensina , mesmo o que está acima de nossa capacidade de compreensão.

13º passo - A vida futura. Vida eterna não significa apenas imortalidade da alma, mas a qualidade da nova vida que começamos a viver quando nos convertemos. Essa qualidade de vida vamos vivê-la plenamente no Céu, com Deus, os anjos e todos os salvos.

14º passo - A Igreja: você e eu.

15º passo - Importância do Batismo e da Profissão de Fé.

segunda-feira, junho 19, 2006

O Pastor e a Visitação

Jeremias 23.1-4 fala da importância da visitação a ser feita pelo pastor, e da tragédia decorrente da falta dessa visitação.
Visando o preparo dos pastores para uma visitação eficiente, o currículo de nossos seminários contém uma matéria importante: Teologia Pastoral, além de elementos de Psicologia.
A Constituição da Igreja também dá aos demais oficiais - diáconos e presbíteros - a incumbência de visitar, participando de alguma forma do pastoreio do rebanho. Veja também Atos 20.28.
Será muito conveniente que o pastor também instrua os oficiais da Igreja para tão importante serviço. Fazerem visitas juntos será, certamente, muito bom no aspecto de resultados práticos e de treinamento dos oficiais.
Mas é fora de dúvida que, muitas vezes, convém que o pastor faça sozinho determinadas visitas, pelo cuidado especial que elas demandam, ou pela gravidade dos assuntos e até o sigilo que convenha haver. Nem todos estão devidamente preparados para tratar com os membros das igrejas nessas ocasiões. Uma colocação menos prudente ou uma palavra menos cuidadosa pode causar um transtorno.
Duas coisas serão testadas nessas situações: a capacidade do pastor no encaminhamento de soluções dos problemas, e a confiança dos oficiais no pastor. Estes estarão colaborando com o pastor, como ensina a Constituição da Igreja, fazendo junto com ele a visita, ou deixando-o só, conforme a conveniência, a juízo do próprio pastor, sem negligenciarem o seu dever de visitarem; orando pelo pastor, por todo o seu trabalho e pelo seu aperfeiçoamento operado pelo Espírito Santo.
Sobretudo, todo trabalho deve ser feito com temor e tremor, orientado pelo Espírito Santo, para que não seja feito “relaxadamente”.
Havendo cooperação mútua, humildade tanto do docente como dos que aprendem com ele; havendo, tanto de uns como de outros, real interesse e amor pelo rebanho, o Reino de Deus ganhará muito na realização do ministério da visitação.
Presbíteros, confiem em seu pastor. Pastor, conquiste a confiança de seus irmãos e ovelhas, e colaboradores também.

quarta-feira, junho 07, 2006

Cristãos Nominais

Textos para serem lidos: Tg 1.19-27; Mt 7.21-27; Ez 33.30-33; Gl 5.26-26; Mt 10.6.
Tiago, o irmão de Jesus que, também como seu irmão Judas, se converteu após a ressurreição de Jesus, passou a ter destacada participação na vida e na liderança da Igreja de Jerusalém. Parece ter sido ele o moderador do 1º Concílio, lá reunido (At 15).
Sua visão e compreensão da vida cristã era muito prática. Nota-se isso em toda a sua carta: correção doutrinária e visão prática da fé cristã.
No texto citado acima ele começa a falar da fé cristã como algo que se pratica e não apenas se crê, quando nos v.v. 22 a 25 mostra que o verdadeiro cristão é aquele que aprende com a “palavra” (refere-se às Escrituras) e pratica. Aqueles que a ouvem e não a põem em pratica enganam-se a si mesmos. Compara o “crente” que age dessa forma com a pessoa que se olha no espelho, mas logo se esquece do que viu; porque quando olhamos no espelho vemos o que está errado em nós mesmos: o cabelo desalinhado, a roupa que não está em ordem, etc. As Escrituras são como um espelho, porque ela fala de como temos que ser, e revela-nos o que não temos sido, e portanto precisamos corrigir-nos. Mas se alguém é “ouvinte esquecido”, esquece-se do ensino que o repreende e exorta, e não se corrige. No v. 26 fala de um ponto muito objetivo da vida de alguém: o uso da língua, no falar, completando seu ensino sobre isso no capítulo 2, v.v. 5 e 6. Ser verdadeiro cristão é fazer o que é correto e não simplesmente deixar de fazer o que é errado; o mesmo ensino de Isaías 1.16-17: “cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem”.
No v. 27 Tiago define a fé ou a religião cristã: “... visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. “Visitar”, para ele, não é fazer uma visita de cortesia; é visitar para conhecer a necessidade, e ajudar; é “cuidar” como diz o texto da tradução NVI, muito corretamente. Pureza e ação cristã.
Em Mt 7.21-27, Cristo diz que quem entrará no Reino dos Céus não são os que apenas profetizam (ou ensinam), expulsam demônios e fazem maravilhas, e ao mesmo tempo praticam a iniqüidade (v.v. 21 a 23). É o que já acontecia naquele tempo e continua acontecendo hoje, com grande intensidade: pessoas mercadejando a Palavra de Deus, e atraindo multidões com promessas falsas e a prática aparente de curar e expulsar demônios - igrejas que se multiplicam e enriquecem, pregando “um outro evangelho”, parcial e destituído de Ética.
Nos v.v. 24 a 27 Cristo fala daquele que entrará no Reino dos Céus: “aquele que escuta estas minhas palavras e as pratica”, em contraste com “aquele que ouve e não as cumpre...”. A crença apenas teórica, intelectual, que não se transforma em ato, em modo de viver, não é a fé pregada por Cristo. E deixa bem claro: “entrará no Reino dos Céus... aquele que escuta estas minhas palavras e as pratica”.
Em Ez 33.31-33 Deus fala a Ezequiel, o profeta, a respeito do “povo (que) costuma vir, e se assenta diante de ti como meu povo, e ouve as tuas palavras, mas não as põem por obra”, repete no v. 32: “ouvem as tuas palavras, não as põem em prática”.
Em Gl 5.16-26 é Paulo quem exorta: “Vivei no Espírito (ou pelo Espírito) e não cumprireis a cobiça (ou os desejos) da carne” (que é a tendência pecaminosa do homem). Depois fala das “obras da carne”, uma lista negra, do v. 19 até 21: “prostituição, impureza, lascívia (libertinagem), idolatria, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes”. Há aí pecados que se cometem com o corpo, outros que são pecados da mente e outros que são pecados apenas da alma, como a idolatria, as feitiçarias, as heresias. É o ser humano inteiro que tem essa tendência para o pecado.
Depois Paulo passa a contrastá-las com “o fruto do Espírito Santo”, um conjunto de 9 virtudes em um fruto só, isto é, nenhuma dessas virtudes pode faltar no caráter do cristão. Deus nos dá essas virtudes quando nos dá “o dom do Espírito Santo”. No processo de santificação cabe a nós, sempre ajudados pelo Espírito Santo, desenvolvermos cada uma delas, para que o nosso crescimento seja completo e harmônico; para não parecermos aleijões espirituais. O pensamento de Paulo em todo esse texto é, também, que precisa haver coerência entre a profissão de fé e a vida real de um cristão.
No último texto acima citado, Mt 10.6, Cristo faz uma exortação diferente, quanto à evangelização: “Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Essas ovelhas perdidas eram aqueles israelitas conhecedores das Escrituras, mas não praticantes da verdade, aqueles mesmos referidos nos textos citados de Tiago, Mateus 7, e Ezequiel. É o que podemos entender por “cristãos nominais” - dizem que crêem, dizem que são, mas suas vidas não condizem com o que professam. De modo diferente daquele que nada conhece do Evangelho, precisamos também evangelizar estes e chamá-los, adverti-los para que não estejam no caso dos que (em Mt 7.23) ouvirão de Cristo: “apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniqüidade”.
Cristãos nominais são uma triste realidade no mundo e dentro da Igreja.
O Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne em 1974, define como cristão “nominal” aquele que “intitula-se cristão, mas não tem um relacionamento autêntico com Cristo com base na fé pessoal”. Infelizmente são muitos os cristãos nessas condições, e podemos dizer que em todos os setores da Igreja, inclusive oficiais, entre eles pastores também.
Todos acham “muito bonito o Evangelho”, mas sem nenhum resultado prático. Não basta ouvir e gostar e até ensinar e pregar, é preciso praticar - Mt 7.26, 1Jo 4.20: “Quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como amará a Deus, a Quem não viu?”
No início da vida da Igreja Cristã, ser cristão era um risco - a perseguição era real e feroz. Depois a religião cristã tornou-se a do próprio Imperador Constantino; depois passou a ser a religião oficial da Império; então todos queriam ser cristãos; a Igreja secularizou-se, crenças e práticas pagãs introduziram-se nela, como o uso de imagens dos santos, a oração pelos mortos, uso de velas e outros.
Houve, então, reações diversas: o surgimento de ermitões que se isolavam do mundo e da igreja secularizada - o Monasticismo - com a criação de mosteiros de monges que também se isolavam. Houve também a Reforma do Século XVI, com Martinho Lutero, Melanchton, Zwinglio, João Calvino e outros. Antes de Lutero, dezenas de líderes cristãos pregaram o Evangelho puro, bíblico e rejeitaram as inserções espúrias, de origem pagã. Todos esses líderes, como João Huss, Savonarola, Pedro de Bruis, Pedro Valdo e muitos outros foram perseguidos, morrendo alguns nas fogueiras ou nas prisões da “Santa Inquisição”. Eles se batiam contra a adulteração da fé cristã, contra a fé cristã apenas nominal.
O Congresso de Lausanne aponta alguns tipos de cristãos nominais:
l. o que freqüenta a Igreja, sem relacionamento pessoal com Cristo;
2. o que freqüenta, mas por motivos culturais e não espirituais;
3. o que freqüenta, mas só nas festividades e cerimônias especiais;
4. o que não freqüenta a Igreja nem é membro dela, mas se considera cristão verdadeiro.
Não temos condições de ajuizar sobre nenhuma pessoa que se enquadra nesses grupos, mas podemos ajuizar sobre essas posições assumidas diante de Cristo e de Sua Igreja. Há muito na Igreja que precisa ser corrigido; dentro dela, e não fora, podemos trabalhar para que seus defeitos sejam eliminados e ela seja aperfeiçoada.
Cristãos nominais enganam-se a si mesmos e prejudicam a Igreja, quando passam por cristãos sem o serem realmente. Muitos deles gostam de “igrejas de shows, de mercado, de culto em que há uma descarga emocional”. Outros causam escândalos. Falta-lhes compromisso sério e profundo com Deus, sejam eles simplesmente membros de Igrejas ou até “pastores” da mesma linha.
Entretanto, podemos dizer que os “cristãos nominais” são os que se enquadram no texto de Mt 10.6. Eles também são chamados ao arrependimento e à prática real do Evangelho. Não temos o direito de excomungá-los e desprezá-los, mas sim o dever de ir a eles com amor e firmeza na Palavra de Deus.
Para realizar tão delicada missão a Igreja tem que ser autêntica, como o cristão individualmente:
1. na vida de oração;
2. na firmeza doutrinária;
3. na comunhão efetiva entre os irmãos;
4. na sua relevância na sociedade em que esteja inserida(o), sua atuação tem que ser prática, e não romântica;
5. a Igreja tem que ser Igreja saudável, diferente daquelas que tendem para o desequilíbrio e o fanatismo.
Igreja e cristãos assim é que honram o nome de Jesus Cristo e são Seus cooperadores (1Co 3.9).
Cabe, ainda, uma pergunta: de onde têm surgido tais pessoas, os cristãos nominais? É da própria Igreja que eles têm surgido. Cristãos nominais vão gerando outros cristãos nominais. Você, o que tem feito? Tem gerado cristãos ativos, integrais, ou nominais?

terça-feira, maio 30, 2006

O Pecado de não Amar

Leia Mt 22.37-40; Lc 16.13; 1Jo 2.15.
Os textos acima, e outros, nos colocam em um dilema: temos que amar o próximo, seja quem for – Mt 5.44-46 – mas ao mesmo tempo não podemos “amar o mundo”.
Para sairmos do dilema, temos que entender realmente o que é “amar o próximo” e o que é “amar o mundo”.
Amar o próximo é identificar-nos com ele, seja quem for, sem nos igualarmos com ele; é reconhecer que também somos pecadores carentes da graça de Deus. Amar o mundo é aprovar, aceitar e adotar os seus padrões morais e espirituais, é pactuar com o mundo e seus males.
Jesus Cristo se identificou com cada um de nós, mas não se tornou igual a nós, em nossa imperfeições e misérias morais – 2Co 5.14-15. Cristo nos amou tanto que se identificou com “todos”, morreu por “todos”, mas não se igualou a nós, não pactuou conosco.
Notemos que o amor de Cristo não foi jamais um amor “de palavras”; foi um amor real, demonstrado em tudo o que Ele fez. O verbo “fazer” aí é absolutamente necessário e indispensável.
É desse modo que temos de amar: sentir amor e compaixão em nosso íntimo, e expressá-lo em palavras e atos.
Em Mt 25.34-36 lemos: “Então dirá o Rei aos que estiverem à Sua direita: ´Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; pois tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; adoeci e me visitastes, estive na prisão e fostes ver-me”. Isso significa que o que caracteriza o salvo, o cristão, é ação que corresponde ao amor que sente, atendendo as necessidades legítimas do próximo. Certamente não é só no atendimento às suas necessidades físicas e materiais, mas é também atendendo as de ordem moral e espiritual. Cristo não só curou enfermos, mas ofereceu-lhes a salvação (Mc 2.5-11); repreendeu a multidão à qual dera pão em abundância, e exortou-a a aceitar a comida que permanece para sempre! (Jo 6.26-27).
João e Tiago ensinam que o verdadeiro amor não é o amor apenas declarado com palavras, mas o amor expresso em ação (Tg 2.14-17 e 1Jo 3.26-28).
Finalmente, Jo 4.20: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece (não ama) a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”
Você ama, realmente, ou apenas diz que ama?

terça-feira, maio 23, 2006

Amor e Solidariedade

“Quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas...” –Rm14.1.

Somos individualmente imperfeitos, todos nós; uns mais, outros menos; mas imperfeitos, sempre necessitados do perdão de Deus e da caridade dos irmãos. A intolerância é um sentimento anti-cristão.
Seja cada um intransigente consigo mesmo, mas tolerante com o próximo, especialmente o irmão.
Em Mt 7.1-5 Jesus nos ensina a humildade como base da tolerância. Tolerância não é conivência nem cumplicidade; é disposição para perdoar o arrependido e ajudar toda pessoa que está fraca moral e espiritualmente.
É assim que Deus nos trata: com paciência, porém mostrando no que estamos fracos e errados, e exortando-nos ao arrependimento.
“Salvai-vos desta geração corrompida e perversa” é a exortação de Pedro em At 2.40. Ele mesmo nos lembra que “o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como o leão, buscando a quem possa tragar”.
Se o diabo puder, ele nos levará a todos aos pecados mais vis e degradantes. “Vigiai e orai para que não entreis em tentação”, disse Cristo – Mt 26.41; “Quem está em pé, olhe, não caia” – 1Co 10.12.
Resistamos à tentação e agradeçamos a Deus porque nos livrou (1Co 10.13).
Nossos jovens e nossas crianças são, normalmente, as vítimas mais fáceis de Satanás. Ainda que não sejam vítimas inocentes, são vítimas. Cabe-nos cuidar deles, evitar tanto quanto possível que venham a cair; livrá-los de más companhias, evangelizá-los, orar por eles, acompanhá-los pessoalmente o quanto possível, porque as conseqüências do pecado são terríveis, até mesmo depois que o pecador se arrepende.
“O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” – Rm 6.23. Creia nisso, arrependa-se, viva em santidade.

quarta-feira, maio 17, 2006

Uma bela história

Naamã, o leproso - 2 Reis 5

A Bíblia, no Antigo Testamento, conta a história de Naamã. Ele era chefe do exército de um país, um lugar chamado Síria. Todos respeitavam muito Naamã e o rei era seu amigo.
Apesar dele ser rico e de ter um trabalho muito importante, Naamã não era feliz. Na sua casa havia muita tristeza. Naamã tinha uma doença chamada lepra. Naquele tempo não havia remédio para curar a lepra. A esposa de Naamã e todos da família dele sentiam tristeza porque sabiam que Naamã estava morrendo e não podia ser curado. Até os empregados da casa tinham pena de Naamã e de sua esposa.
Havia uma menina, nascida num país chamado Israel, e era escrava da família. Ela também tinha muita pena de Naamã e ficava pensando se não devia falar para a esposa dele sobre a tristeza que ela também sentia, falar do verdadeiro Deus, que era adorado na terra dela, e do profeta Eliseu.
Ela tinha certeza de que se Naamã fosse ao lugar onde vivia o profeta Eliseu, este poderia ser curado da lepra.
Assim, certo dia, ela ficou com coragem e contou para a sua patroa sobre o profeta que vivia em Israel e que poderia curar Naamã. A esposa de Naamã nunca tinha ouvida falar de Deus e enquanto ela ficava sentada escutando a menina falar das coisas maravilhosas que Deus podia fazer, ficou com esperança que seu marido fosse curado.
A esposa de Naamã correu para contar ao seu marido as notícias maravilhosas que tinha escutado. Enquanto ela corria para falar com Naamã, ele a observava espantado. O que poderia ter acontecido no seu lar tão triste, que tinha deixado sua esposa tão animada?
Quando Naamã ouviu o que a jovem criada tinha falado, mal podia acreditar. Um Deus que podia curar a lepra? Será que isso existia? A criada nunca tinha mentido e não iria mentir sobre uma coisa assim.
Assim, Naamã concordou que ele tinha de ir procurar o tal profeta. Mas onde devia ir? Onde poderia encontrar o profeta? Talvez o rei soubesse.
O rei da Síria nunca tinha ouvido falar do profeta Eliseu e achou que o rei de Israel poderia saber alguma coisa; então deu uma carta para Naamã levar ao rei de Israel. Nessa carta o rei dizia que Naamã era o chefe do seu exército. Além da carta, o rei mandou arrumar um presente real para a pessoa que curasse Naamã.
O rei fez tudo o que podia para mostrar o quanto gostava de Naamã e como queria que Naamã fosse curado.
A viagem era longa, mas finalmente Naamã chegou ao palácio do rei Jeorão, rei de Israel.
O rei Jeorão chamou logo Naamã. Uma pessoa tão importante como o chefe do exército da Síria não podia ficar esperando muito tempo.
O rei de Israel abriu a carta e começou a ler. A carta dizia assim: “Logo que você ler esta carta, ficará sabendo que mandei meu servo para você curá-lo da lepra.”
Lepra! O rei mal podia crer no que tinha lido. De repente o rei de Israel ficou com muito medo. Ele pensou que o rei da Síria estava escrevendo aquela carta de propósito porque sabia que ele não podia curar a lepra.
Naquele tempo, quando uma pessoa ficava com muita raiva ou muito aborrecida, ela rasgava a roupa. E foi o que o rei de Israel fez: rasgou a sua roupa e disse:
“Por acaso sou Deus para fazer viver uma pessoa ou curá-la da lepra? O rei da Síria está procurando um jeito de brigar comigo!” Ele e os sábios do reino não sabiam o que fazer. Na carta não estava escrito o nome do profeta Eliseu - só dizia que era para o rei curar Naamã.
O que deveriam fazer? Eles sabiam que Naamã precisava ser muito bem tratado, pois era uma pessoa muito importante no reino da Síria. O que é que os ministros do rei de Israel poderiam fazer para ajudar?
O rei estava pensando no problema quando apareceu um moço trazendo uma mensagem sobre Naamã. Eliseu, o profeta, tinha ouvido falar da visita de Naamã e sobre a sua doença e escreveu assim para o rei de Israel: “Por que rasgaste a tua roupa? Manda Naamã para mim e ele saberá que existe profeta de Deus em Israel.”
O rei ficou livre do problema. Naamã devia ir imediatamente até a casa do profeta Eliseu.
Então Naamã foi com seus cavalos e carros para a casa do profeta. Pararam à porta da casa de Eliseu e viram que era um lugar pobre.
Naamã ficou surpreso porque ninguém estava esperando por ele na porta da casa. Ele achava que Eliseu sairia para esperá-lo. Afinal, ele era um homem muito importante e capitão do exército da Síria, um pais também muito importante.
Chegaram na frente da casa de Eliseu, mas o profeta não tinha saído da casa. Dentro da casa, Eliseu estava dizendo para o seu empregado o que deveria ser dito a Naamã. Quando acabou de falar, o empregado saiu para dizer a Naamã que era para ele ir ao Rio Jordão lavar-se sete vezes, e ficaria completamente curado da lepra.
Naamã ficou furioso: “Lavar-me num rio? Na minha terra há rios muito melhores do que este Rio Jordão. Será que eu não poderia lavar-me neles e ficar sarado?” E saiu furioso.
Ordenou que todos fossem embora imediatamente. Mas alguns homens foram conversar com ele e disseram: “Se o profeta lhe tivesse pedido para fazer alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais quando ele diz que o senhor precisa apenas lavar-se para ficar são?”
Naamã sabia que seus homens estavam certos. Para Deus ajudá-lo, era preciso que ele cresse e obedecesse. Assim Naamã e seus homens foram para o Rio Jordão.
Quando ele estava na água, podia estar pensando: “Estou perdendo tempo”. Mas ele estava fazendo pelo menos o que seus homens aconselharam que ele fizesse. Por seis vezes entrou na água, mas o seu corpo continuou do mesmo jeito. Quando Naamã entrou na água pela sétima vez, os homens que estavam com ele chegaram mais perto do rio. Eles deviam estar preocupados, querendo saber se o seu capitão tinha sarado. Será que havia um Deus que podia fazer coisa tão difícil? E quando Naamã saiu da água, sua pele estava sã, como a de uma criança!
Que alegria! Apesar de não ter muita fé, Deus curara o corpo de Naamã!
Ele e os seus homens foram até a casa de Eliseu. Ao chegar diante do profeta, Naamã lhe disse: “Agora sei que não há Deus em nenhum outro lugar a não ser em Israel. Por favor, aceite um presente de teu servo”.
Eliseu, porém, respondeu: “Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei”. Naamã insistiu, mas Eliseu nada aceitou, e disse a Naamã: “Vá em paz”.
A Bíblia conta este milagre que aconteceu. Naamã obedeceu e foi curado. A Bíblia conta também as histórias de outros homens e mulheres que obedeceram a Deus, a história de Jesus e do grande amor de Deus.

segunda-feira, maio 08, 2006

A Família

Deuteronômio 6.1-9

Exórdio- Numa entrevista na televisão, Dr. Dráusio Varella falou de um importante trabalho de pesquisa que realizou na antiga “Casa de Detenção” de S. Paulo. Entre os presos, mais ou menos 90% eram jovens provindos de lares desfeitos ou de lares que nunca existiram; faltou a esses jovens a educação dada em famílias bem estruturadas – afeto, princípios éticos, bom exemplo dos pais; resultado: jovens de caráter deformado, entregues aos vícios e ao crime.
Explicação - Isso não aconteceria se o ensino das Escrituras fosse observado com referência à Família. A família é a 1a instituição criada por Deus, antes mesmo da instituição do povo e da Igreja de Deus. Em Gn 1.27-28 está a 1a referência de Deus à família. Vamos meditar sobre o Tema: “Importância da Família na formação do ser humano e da sociedade”

1o) A família é que dá não só origem às pessoas, mas também lhes dá estrutura afetiva, psicológica, moral, social e espiritual.
Família completa é o conjunto de: marido, esposa, e filhos (no plural). Em família assim constituída a pessoa aprende a relacionar-se corretamente com o cônjuge e com os filhos, e estes aprendem a relacionar-se com os pais e com os irmãos – com os pais como superiores, e com os irmãos como seus iguais; aprende a respeitar a autoridade paterna, e o respeito ao irmão; aprende a solidariedade, a ajuda mútua e sobretudo o amor. Sem a base do amor, todo o relacionamento será frágil e artificial. Quem não aprende e não sabe se relacionar com a família, não saberá relacionar-se corretamente na sociedade.

2o) Mas a base de toda a formação moral e espiritual que a família dá, está no ensino bíblico: l- Amar a Deus - respeitamos e obedecemos Seus mandamentos quando amamos a Deus. Escreveu o apóstolo João: “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro”- 1Jo 4.19; se não O amarmos também não nos esforçaremos para obedecer os mandamentos. Jesus disse: “Se guardardes os Meus mandamentos permanecereis no Meu amor” – Jo 15.10. Amor a Deus e obediência aos mandamentos, estão sempre relacionados intimamente. José no Egito pôde resistir à tentação da mulher de Potifar, porque temeu a Deus; recusando-se a pecar, ele disse: “como faria eu este grande mal, e pecaria contra Deus?” Pecar contra Deus era para ele algo horrível, que ele detestava.
Isto significa que é dever nosso, como pais, evangelizar os filhos, diretamente. É um erro os pais transferirem para a Igreja e a Escola Dominical a evangelização dos filhos; a Escola Dominical e a Igreja cooperam com os pais em sua missão de ganhar os filhos para Cristo. Desde antes de saber falar, ensinar a criança a agradecer a Deus “o papá” – Dt 6.6-7 – este texto nos mostra que é importante ensinar, orientar, e não só reprimir, proibir. A permissividade é um grande mal; muitas vezes temos mesmo que proibir para proteger os filhos de andarem com certas companhias, voltar para casa a qualquer hora da noite, etc., mas quando proibimos também precisamos explicar a razão por que proibimos. Pv 22.6; 9.10 nos falam da importância de ensinarmos os filhos. A repressão pura e simples causa revolta e não consegue educar, mas a orientação dada com amor pode atingir seu objetivo de educar.
É o contrário do ditado popular: “O que fazes fala tão alto que não ouço o que dizes”. Em casa, vivamos o ensino bíblico para ter autoridade no ensino. Ensinemos com o próprio exemplo, e não só com palavras.

3o) O que é uma família bem organizada, bem estruturada: a) é aquela onde há respeito mútuo entre marido e mulher – Ef 5.21, 22 e 25 – não pode haver machismo nem feminismo; não pode haver desrespeito e gritos, como se vê nas novelas em geral, mas amor, muito amor; b) é aquela onde há cooperação mútua entre marido e mulher, cooperação entre pais e filhos, e entre irmãos – na vida física, nas finanças, nos problemas pessoais; onde uns são conselheiros dos outros; c) aquela onde se cultiva o respeito à personalidade de cada um, onde se evitam as inimizades, pela busca do entendimento, pelo diálogo respeitoso e manso; d) aquela onde a instituição do casamento é respeitada. “O mundo posto na maligno” (expressão do apóstolo João) ensina exatamente o oposto – substitui o casamento pelo concubinato, pelo acasalamento; estimula o divórcio em lugar do entendimento. É absolutamente necessário que o casamento monogâmico e indissolúvel seja respeitado e defendido, onde o divórcio seja detestado – Ml 2.16.

Conclusão – O mundo está cada vez mais entregando-se a Satanás, cada vez mais combatendo a fé cristã, e as instituições de Deus. A Família e a Igreja educam, a televisão e toda a mídia deseducam - pregam o materialismo, o amor ao dinheiro, a vaidade e a frivolidade, o amor livre e o completo desregramento no campo do sexo. Os resultados são: a prostituição, o homossexualismo, o amor ao dinheiro, a busca do prazer carnal- que é a filosofia do hedonismo – milhões de crianças, no Brasil e no mundo crescendo sem pais, sem famílias, sem nenhuma formação moral e espiritual; a AIDS fazendo cada vez mais vítimas, agora principalmente entre as mulheres; com isso cresce a pobreza, a disseminação dos vícios, o tráfico de drogas, a violência e o crime. Pense em tudo isso, ponha-se ao lado de Deus e da Igreja do Senhor Jesus. Rompa relações, definitivamente, com o pecado em todas as suas formas. Não tema ser chamado de “careta”.
Saulo de Tarso, tocado pelo Espírito de Deus, tomou essa decisão: “Não fui desobediente à visão celestial”, disse ele. Faça o mesmo. Dê ouvidos à Palavra de Deus, ponha sua vida a serviço de Deus e do Seu Reino. Ore agora mesmo com essa decisão.

terça-feira, maio 02, 2006

Eclesiastes 11

Eclesiastes 11.1-10:

Introdução - Deus fez o ser humano um ser moral, responsável pelos seus atos: livre para tomar decisões. Deus o fez “à Sua imagem e semelhança”: inteligente, livre, e lhe deu uma alma imortal. Tudo Deus fez desejando somente o bem para nós; mas nos dá liberdade para escolher entre o bem e o mal, entre a vida eterna com Ele no Céu, e a eternidade sem Ele em um lugar de tormento.

Explicação - Nosso texto, diz, em Ec 11.6: “Semeia pela manhã a tua semente, e à tarde não repouses a tua mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela, ou se ambas igualmente serão boas”. “Manhã” é a fase da vida que vai da infância até a juventude. Nessa fase semeamos aquilo que mais tarde colheremos, como está em Oséas 8.7: “...semearam ventos e segarão (ou colherão) tormentas (ou tempestades)”.

Moral: “Faça logo cedo uma escolha inteligente”

l. Os pais devem semear na mente e no coração da criança (enquanto é cedo) aquilo que é bom, ensinado e recomendado por Deus - Deuteronômio 6.4-7: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te”. Aos jovens cabe usarem a inteligência desde cedo - Provérbios 1.7: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”; 2.1-6: “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a tua voz, se buscares a sabedoria como a prata, e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria”; 4.1: “Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes o entendimento”; 6.20: “Filho meu, guarda o mandamento de teu pai”.

2. O versículo oito nos avisa que a vida é longa e devemos desfrutá-la toda, e não só a juventude. E o que semearmos na juventude vamos colher na maturidade e na velhice. O exemplo de Jacó com seus filhos mais velhos, que ele havia criado sem o temor de Deus: só lhe deram dores de cabeça na sua velhice. Há jovens que esbanjam a vida e a saúde, para terem mais tarde problemas sérios de saúde. Por exemplo, conheço um homem idoso, na minha igreja: eu pensava que ele fosse mais velho do que eu, tal a sua aparência, mas ele era dez anos mais novo! Ele mesmo confessou que na juventude jogou fora a saúde, vivendo uma vida mundana.

É enorme a tragédia atual da maioria dos adolescentes, especialmente as meninas: fazem mau uso de sua liberdade e de sua saúde, e assim são milhões que vivem se prostituindo, para diversão de seus “amiguinhos” e “namorados”, gerando filhos em idade imprópria para isso, e assim geram filhos para desgraça deles e delas também.

3. No versículo nove Deus recomenda ao jovem ser alegre – brincar de modo sadio, aproveitar a natureza, praticar esporte, divertir-se sem pecar, agir com liberdade e responsabilidade – lembrando-lhe que por tudo terá de responder, um dia, diante de Deus.

Conclusão – Agora, na infância, e na juventude, é o tempo de cada pessoa tomar a decisão de andar nos caminhos do Senhor, obedecendo Seus mandamentos segundo Deuteronômio 10.12-13: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor teu Deus, andes em todos os Seus caminhos, e O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?”

Em Apocalipse 1.3 há mais uma sábia recomendação: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as cousas nela escritas, pois o tempo está próximo”. Por isso mesmo o apóstolo Pedro nos exortou em seu sermão pregado no Dia de Pentecostes - Atos 2.38: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”, e no versículo 40: “Salvai-vos desta geração perversa”.

Seja esta, também, a escolha e a decisão de todo jovem e de todo adulto que já ouviu a Palavra de Deus: andar nos caminhos santos do Senhor.