quinta-feira, setembro 27, 2007

O Culto de Casamento

A cerimônia religiosa de casamento é nada mais do que um culto que prestamos a Deus, através do qual pedimos que Deus abençôe o novo casal. É um culto com esse objetivo especial.

Só se realiza esse culto, na Igreja Presbiteriana, depois de feito o casamento perante o juiz de paz, no Cartório. A certidão é exigida pelo ministrante, sem a qual não podemos realizar o culto. (''Princípios de Liturgia", artigos 19 e 20).

Na "Constituição da Igreja" e no "Manual do Culto" nada é dito que impeça ou recomende a não-realização do culto quando um dos noivos não é membro da Igreja, ou mesmo quando os dois não o sejam. Mas diz o art. 18 do "Princípios de Liturgia": "Sobre o casamento realizado segundo as leis do país e a Palavra de Deus, o ministro, quando solicitado, invocará as bênçãos do Senhor".

Realizar ou não o culto de casamento nessas condições, tem ficado a critério dos pastores. Uns o fazem, outros não. Eu o faço, sempre.

Tenho realizado muitos cultos de casamento em que um dos noivos não é crente evangélico. Não estou, dessa forma, dando a entender que nada há contra o casamento misto. Nas ocasiões próprias ensino que o casamento misto deve ser evitado, pois isso é bíblico.

Porém, precisamos ponderar que, se a Igreja se negar a realizar o culto de casamento, nem por isso o casal deixará de casar-se; apenas fará o casamento civil e ficará magoado com a Igreja que se negou a pedir a bênção de Deus sobre ele. E isso tem acontecido muitas vezes.

Perguntará alguém: podemos pedir que Deus abençôe um casamento misto? Respondo: Sim, da mesma maneira que as Escrituras nos ensinam que devemos orar "por todos", crentes ou não, e isso fazemos. Deus pode transformar um mal em bem, tal a Sua misericórdia.

Sempre houve casamentos mistos na Igreja - veja 1Co 7.12-13 - inclusive porque de um casal não-crente, um se convertia e não devia abandonar o seu cônjuge não-cristão. E esse casamento, agora misto, podia ser abençoado por Deus com a conversão do "outro" e de seus filhos - 1Co 7.14. O mesmo continua acontecendo nos dias de hoje.

Precisamos alertar irmãos para que não se casem com pessoas não-cristãs, pois geralmente essa prática é um risco, especialmente para a vida espiritual da família; e as diferentes crenças vão ser mais um obstáculo para a harmonia do casal.

Tenho realizado inúmeros cultos de casamento de casais mistos, considerando que: 1. faço antes, com cada casal, um série de oito estudos bíblicos sobre o casamento e a vida familiar. Esses estudos são uma condição para que eu realize o culto; 2. através dos estudos evangelizo o casal ou aquele que não é crente; 3. retiro dos textos bíblicos ensinos preciosos sobre a vida matrimonial; 4. a Igreja está, dessa forma, dando ao casal um apoio espiritual, numa atitude caridosa e simpática; ao mesmo tempo dá ao casal condições de ser bem sucedido no seu casamento; 5. em cada culto de casamento prego o Evangelho a dezenas ou centenas de pessoas, muitas das quais pela primeira vez entram num templo presbiteriano e ouvem a Palavra de Deus.

Nossa missão é pregar e orar pelos homens para que a Palavra de Deus frutifique neles abundantemente. Só Deus sabe dos frutos que tem havido, mas tenho a certeza de não tenho pregado em vão.

Sobre a "bênção matrimonial", os "Principios de Liturgia da I.P.B.” dizem nos artigos 18 e 19: "Sobre o casamento realizado segundo as leis do país e a Palavra de Deus, o ministro, quando solicitado, invocará as bênçãos do Senhor. Para que se realize a cerimônia da impetração da bênção é imprescindível que o ministro celebrante tenha prova de que o casamento foi celebrado de acordo com os trâmites legais".

Os cultos de casamento são importantíssimas oportunidades para pregarmos o Evangelho a pessoas que só vêm à Igreja numa ocasião assim, toda especial. Usemos mais diligentemente essas oportunidades. Para isso a "mensagem" do ministrante não pode ser um "blá-blá-blá" romântico e inconsequente, como alguns que já ouvi, mas realmente mensagem do Evangelho.

"A minha palavra não voltará para Mim vazia" - Is 55.11. É Deus que nos dá essa certeza.


quinta-feira, setembro 20, 2007

Para que serve um pastor jubilado?

Há 55 anos, em Campinas, conheci os primeiros pastores jubilados: o Rev. Eduardo Lane, o Rev. Alberto Zanon. Em São Paulo conheci o reverendo João Paulo de Camargo, posteriormente Miguel Rizzo Jr., Avelino Boamorte, Jacob Silva e Boanerges Ribeiro, com os quais tive o privilégio de conviver algumas dezenas de anos.

Há 50 anos, um pastor jubilado eventualmente substituía o pastor regular em uma celebração de Ceia, de batismo ou de casamento. Com o passar do tempo, melhoraram os recursos médicos e as condições de vida, e subiu bastante a expectativa de vida útil de uma pessoa.

Hoje vários pastores jubilados, de que tenho conhecimento, prestam serviços à Igreja, quase em plena atividade – os reverendos Alcides Augusto de Matos, Aníbal Pereira, Joaquim Corrêa de Lacerda, Reinaldo Silva, Tiago Rodrigues Rocha, Osias Mendes Ribeiro e até eu.

Vimos de uma época diferente, somos contemporâneos de alguns dos grandes pastores que tornaram grande e gloriosa a Igreja Presbiteriana do Brasil. Participamos das comemorações do 1o centenário de nossa Igreja. Fomos testemunhas e também protagonistas de anos críticos pelos quais passou a Igreja. Há mais de 50 anos militamos nas lides do Evangelho; lutas grandes!

Não só trabalhamos muito, como também tivemos que batalhar contra movimentos que poderiam deturpar a Igreja e desviá-la de seu ministério. Encanecemos no trabalho árduo. Nenhum de nós viveu com grandes salários, mas nos acostumamos ao “estilo de vida simples”.

Com um certo espanto vemos grande parte da Igreja deixar-se influenciar por alguns modismos; pior do que isso, surpreende-nos o surgimento de conceitos modernos, nada bíblicos, a respeito do que deve ser a Igreja. Ao mesmo tempo que se moderniza, passa a preocupar-se muito com seu aspecto empresarial. Pastores que são mais administradores do que amigos e irmãos mais velhos das suas ovelhas; aos quais falta mais “alma de pastor”.

Então surgem choques nos concílios, que não são apenas choques de gerações, mas de idéias, conceitos e métodos. Nós insistimos em permanecer nos padrões bíblicos; que a Igreja seja antes de tudo Igreja mesmo, comunidade de santos e “família de Jesus Cristo”. Não nos deixamos iludir com uma “política de resultados”; insistimos em amar aos irmãos e ao próximo, pregando e praticando o Evangelho.

Tornamo-nos incômodos, muitas vezes.

Colegas que nunca iniciaram uma Igreja e nunca pastorearam um rebanho pequenino de gente simples, saem dos seminários com os olhos voltados para as igrejas grandes e é para lá que querem ir a todo custo.

Tornamo-nos incômodos, muitas vezes, negamo-nos a aderir a um evangelho diferente.

Mas há igrejas carentes de afetividade, de carinho paterno, necessitadas de Evangelho sem mistura. Algumas dessas querem o pastor idoso, jubilado, “irmão mais velho”.

Tornamo-nos incômodos: por que um pastor jubilado ocupa o lugar de um bem novo, cheio de idéias novas, que não é exigente a não ser do dízimo? Afinal, esse mais novo, instruído sobre administração, levará a Igreja a possuir logo um templo maior, um patrimônio mais sólido!

Nós queremos que a Igreja cresça espiritualmente e que sua prosperidade numérica e material seja fruto de fidelidade e não de conceitos modernos de administração; queremos que as igrejas se multipliquem em vez de se tornarem mega-igrejas; queremos que cada igreja siga o exemplo da Igreja Primitiva – na paixão pela evangelização, na simplicidade, no amor fraternal que não admite que haja necessitados na Igreja, porque ajuda “cada um conforme a necessidade de cada um”.

O pastor jubilado freqüentemente repete o episódio de Elias perante o incrédulo Acab. Este pergunta ao profeta: “És tu o perturbador de Israel?”, e então tem de responder como Elias: “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu...

Os preconceitos são sempre ruins. Não se pode ter preconceito contra o trabalho da mulher, contra o entusiasmo e a expansibilidade do jovem, nem contra o trabalho do idoso. Precisamos é estar firmados nos princípios bíblicos, da ética cristã; podemos ser conservadores sem ser retrógrados, e podemos ser modernos sem ser modernistas e seguidores de modismos.

Que a Igreja Presbiteriana do Brasil valorize o pastor de almas melhor preparado possível, mas nunca o substitua pelo que é apenas bacharel, mestre ou doutor. Que nossos seminários tenham como professores, ministros que antes de tudo sejam pastores provados e bem sucedidos, para poderem realmente formar pastores, pois é de verdadeiros pastores que a Igreja necessita.

quinta-feira, setembro 13, 2007

O Pastor Ideal

Jo 10.2, 4, 11, 14: “...o pastor das ovelhas... depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz.” “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo vem, abandonas as ovelhas e foge. Então o lobo ataca o rebanho e o dispersa. Ele foge porque é assalariado e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor, conheço as Minhas ovelhas e elas Me conhecem”.
1Tm 1.12: “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério”.
2Co 12.15: “Assim, de boa vontade, por amor de vocês, gastarei tudo o que tenho e também me desgastarei pessoalmente”.
1Pe 5.2: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir”.
1Tm 5.1-2; 4.12: “Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza” “...sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”.
Sl 23.1: “O Senhor é o meu pastor, de nada terei falta”.
At 20.17 e 28: “De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da Igreja de Éfeso. ...Quando chegaram ele lhes disse: ...Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a Igreja de Deus...”
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Um dos mais sublimes e preciosos privilégios que Deus nos dá, é o de pastorear as Suas ovelhas, nossos irmãos. Pois quando Ele faz isso, está confiando a nós o cuidado das Suas ovelhas, por quem Ele deu a própria vida.
Por isso mesmo Deus escolhe os que Ele quer para serem os pastores do Seu rebanho. O perfil desses pastores nós podemos encontrar retratado nas Escrituras, e é lá que temos de procurá-lo. Se quisermos traçar um perfil segundo o nosso próprio pensamento, vamos acabar fazendo uma caricatura e não um retrato do Pastor.
O primeiro que nos vem à mente é o Salmo 23: o pastor que está atento a todas as necessidades das ovelhas, sem exceção, para que nada lhes falte. Não só as de natureza espiritual, mas também as de natureza física, material, afetiva e psicológica. Todas as carências das ovelhas são da preocupação do verdadeiro pastor, ainda que este não seja capaz de supri-las todas; mas o pastor precisa ter consciência delas e interceder junto a Deus pedindo os recursos necessários.
O próprio Cristo é o exemplo do pastor verdadeiro. João 10 nos fala de alguns traços desse Pastor:
primeiro, é aquele que “entra pela porta”. Não é um intruso, não se faz de pastor entrando para o pastoreio por um modo ilícito, nem por motivação ilícita; ele é chamado por Deus, como vemos em 1Tm 1.12: Deus chamou Paulo e o pôs no ministério;
segundo, é o pastor que as ovelhas conhecem e reconhecem – Jo 10.3 – porque convive com as ovelhas, identifica-se com elas;
terceiro, “dá a sua vida pelas ovelhas”: ele as ama e as serve conduzindo-as com bondade, paciência e até com sacrifício; carrega em seus ombros aquela que está frágil, debilitada; põe sua vida a serviço das ovelhas, porque são ovelhas do Sumo Pastor, que confiou nele para cuidar delas. Neste texto Cristo faz um contraste entre aquele que é pastor e aquele que não é: o mercenário, ou assalariado (que trabalha pelo salário), que tira proveito das ovelhas em vez de servi-las com desprendimento, serve-se delas;
quarto, é altruísta e não egoista - 2Co 12.15 e 1Pe 5.2 - não o move a ganância pelo salário alto, até extorsivo, nem o domínio que possa ter pelo autoritarismo, pelo personalismo. O verdadeiro pastor respeita suas ovelhas, e a personalidade de cada uma; procura ajudá-las sem violentá-las. Nunca usa o seu cajado de pastor para espancar as ovelhas, mas sim para defendê-las;
quinto – 1Tm 5.l-2 - no trato com os irmãos é delicado, justo, carinhoso. Ora se porta como filho, ora como pai, ora como irmão, mas sempre carinhoso, sem confundir carinho com pieguice;
sexto – 1Tm 4.12 - ele é um praticante do ensino das Escrituras e não um teórico pernóstico, é “exemplo na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
Embora o ensino das Escrituras seja claro, há aqueles que formam seu próprio conceito de “pastor ideal”. Apontam qualidades que um pastor deve ter para cuidar bem do rebanho, como se essas qualidades fossem as essenciais, esquecendo-se daquelas que são ensinadas nas Escrituras, como vimos. Nesse esforço de traçar seu próprio perfil de pastor, falam mais de “líder” do que de servo. Acabam confundindo Igreja e Rebanho com uma empresa religiosa ou clube, uma organização puramente humana.
E então confundem Pastor com administrador. O pastor é, sim, um administrador, e esse é um sentido que tem o termo “bispo” = superintendente. Mas se o bispo não for também, e antes de tudo, um “ancião” dotado de maturidade e capacidade de amar como filho, irmão e pai, acabará sendo um empecilho para o crescimento espiritual e harmônico da Igreja; contribuirá para que ela seja empresa mas não igreja. Como Igreja ela poderá morrer, embora progrida como empresa; não é isso que o Senhor da Igreja quer.
Também destacam que o pastor tem que ser um mestre e doutor. E realmente o pastor deve ser mestre idôneo e competente, douto e não indouto, mas sê-lo para bem servir à Igreja e não para satisfazer seu narcisismo. Paulo, em Fp 3.8, lembrando que ele realmente era um fariseu e doutor, considerou essas coisas “como esterco, para que possa ganhar a Cristo”. O esterco é muito útil, mas a serviço do lavrador e não como um adorno. A vaidade torna estéreis e ridículas as pessoas que se deixam dominar por ela.
Finalmente, o pior que tem acontecido através dos tempos e acontece muito hoje, é deixar de cuidar da Igreja como Rebanho do Bom Pastor, e passar a administrá-la como empresa de onde retira o seu salário.
Quando isso acontece, esse “mestre” fala e ensina como o faziam também os fariseus. Sua ortodoxia é também farisaica, porque esquece que amor é um dos principais elementos da Lei; elemento sem o qual nada podemos fazer de bom.
Em resumo: a Igreja precisa de pastores, com muitas e diferentes qualidades: zelo, paciência, empatia, capacidade para amar a cada uma de suas ovelhas sem exceção, altruísmo, desprendimento, capacidade para administrar, fidelidade a Deus e às Escrituras, e sobretudo “ter alma de pastor” que Deus dá a quem Ele chama para esse ministério.
Vem à minha mente a lembrança de uma exortação feita pelo rev. Floyd Grady em Salvador, Bahia, num congresso nacional da mocidade presbiteriana: “Moço, se Deus o chamou para o ministério, por amor de Deus, venha! Mas se Deus não o chamou, pelo amor de Deus, não venha!
Pastor é aquele que Deus chamou, capacitou e colocou nesse ministério.
Verifique honestamente se você está no ministério para o qual Deus o designou. Se não está, não seja um tropeço. Corrija sua posição enquanto há tempo.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Garcia das Sete Orelhas

(Este não é mais um estudo de meu pai. É uma história que ele ouvia de seu pai, meu avô Euphrosino, e que resolveu escrevê-la, a pedido de seus netos, para que não se perca. Por ser muito interessante, e contada por meu pai, considerei apropriado publica-la aqui)

Januário Garcia, no tempo ainda do sertão paulista, talvez lá pelas bandas da atual Altinópolis (SP), possuía uma fazenda com seu irmão.

Vizinha de sua fazenda, outra fazenda de uma famílía de sete irmãos. Animais dos Garcia passando para as terras vizinhas foi o motivo para a desavença entre as duas famílias.
Um dia os "sete irmãos" prenderam e mataram com maldade um dos Garci
a: amarram-no a uma árvore e tiraram-lhe o couro cabeludo.

Januário, o sobrevivente, jurou vingança. Bom ati­rador, saiu de casa à caça dos sete, que se dispersaram. Um a um, através de anos, foram sendo encontrados e mortos. De cada um, Januário cortava uma orelha e a prendia a uma fieira.

Passaram-se os anos e nem, a família tinha noticias de Januário; foi dado como morto, finalmente. A esposa, considerando-se viúva, casou-se outra vez.

Um dia, à tardinha, Januário andava por uma estrada, quando resolveu pedir pouso em um ranchinho ali existente. O morador era apenas uma velhinho que acolheu de boa vontade o andarilho desconhecido.

A noite começaram a conversar. O hospedeiro contou sua vida, inclusive como ele e seus seis irmãos mataram o vizinho Garcia. Sabia que seus irmãos já haviam sido caça­dos e mortos por Januário.

Quando terminou, Januário lhe perguntou solenemente: "Ó velho imprudente, por que me contaste tua história?
"Por que? - perguntou atônito o hospedeiro.

"Porque eu sou Januário Garcia!"
O velhinho caiu de joelhos e implorou: "Pelo amor de Deus, não me mate!".

Januário se comoveu e estabeleceu um jeito de resolver o problema: "Você foi bom para mim, me deu pouso e comida. Vou lhe dar uma oportunidade: amanhã bem cedo, quando o dia clarear, eu fico na porta, você conta cem passos e sai correndo; eu dou um tiro só. Se não acertar, você estará livre".

Certamente nenhum deles conseguiu dormir nessa noite. Quando o dia clareou os dois se postaram junto à porta. O irmão remanescente saiu contando os cem passos e correu. Garcia deu um tiro, o outro caiu. Garcia cortou a orelha do morto, enfiou-a na fieira.

Iniciou, então a volta para a casa.

Um dia, Januário, enquanto voltava, passou por uma fazenda, faminto. Bateu palmas na casa da fazenda, a dona atendeu mal humorada. "A senhora me dá um prato de comida?" Respondeu ela: “não tenho nada pra lhe dar, não!" "Então, por favor, faça um prato de sopa para mim com isto", e estendeu-lhe a fieira com as sete orelhas. Atônita, ela gritou "Nossa! Espere um pouco!" e entrou correndo. Pouco depois voltou e deu-lhe uma mesa farta.

Finalmente Januário voltou para casa. A noticia de seu retorno chegou primeiro. O novo marido de sua mulher, "deu no pé" e sumiu.


Os Garcia deixaram muitos descendentes; os mais antigos contavam essa história, como eu agora conto também. Meu pai a contava como fato acontecido. Quem pode duvidar?


quinta-feira, agosto 30, 2007

A Igreja e a Liderança

Como todo grupo social, uma Igreja também precisa de liderança. Portanto, de líderes. Ainda que haja na Igreja um que seja "o líder", há necessidade de outros para liderar os sub-grupos, seja a Escola Dominical, a Mocidade, a Junta Diaconal e o Conselho da Igreja, ou ainda o ensino, a ação social, a música, a reunião de oração, etc.
Líder não é sempre necessariamente o presidente, nem mesmo o pastor. Líder é aquele que, até involuntariamcnte, conduz os liderados: ele não precisa lutar pela liderança e impor-se aos demais. Esse é o verdadeiro líder, embora nem sempre seja um bom líder.
Tremenda, porém, é a responsabilidade do líder seja qual for o modo como se tomou líder. Ele pode conduzir o grupo a grandes vitórias, mas se não estiver suficientemente maduro, poderá leva-lo a derrotas. E se ele de algum modo lutou pela liderança, sua responsabilidade é dobrada.
Também acontecem casos de serem rejeitadas pessoas com condições de liderar melhor. Por exemplo, Isaías e Jeremias.
Na Igreja, dizíamos no início, há necessidade de vários líderes. Mas, porque se tratar de Igreja, não pode haver divisão e competição entre eles, mas sim, união e cooperação. O que está em jogo não é a posição de cada líder e o seu conhecimento como tal, mas é o trabalho e o sucesso ou o fracasso de toda a Igreja ou de parte dela.
Em todo grupo social - um país, uma empresa, uma familia ou igreja - é necessário diálogo, franqueza e lealdade entre os líderes, e entre líderes e liderados. Fora disso, há desunião, divisão, tristeza e derrota.
Um bom lema para todo líder é este: "Importa que Ele cresça e que eu diminua" - Jo 3.30.

quinta-feira, agosto 23, 2007

A oração individual e a comunitária

Em Mt 6.5 Jesus fala da oração individual. A sós, "tu, quando orares, ora a teu Pai em oculto" (grifo meu). Aí cada um de nós abre seu coração a Deus para confessar suas faltas, falar de suas dúvidas, suas angústias, seus anseios particulares. Aí, também, cada um pede pelos irmãos, pela Igreja no mundo, pelo próximo em geral. Nessa hora cada um de nós diz: "meu Pai", "me perdoe", "me abençoe", etc. A oração particular é imprescindível para o crescimento de cada um de nós.
Em Mt 6.9-13, Cristo fala da oração comunitária, oração pública, feita pela comunidade: "vós orareis assim:" (grifo meu). Agora não dizemos "meu Pai", mas "Pai nosso"; não dizemos mais "eu", mas dizemos "nós"; porque oramos em nome da comunidade. A oração comunitária, oração do povo reunido, é também imprescindível para o crescimento espiritual da Igreja, da comunidade.
Mas quem não ora individualmente também não tem condições nem razão para orar comunitariamente. Então, tratemos do assunto "Reunião de Oração".
No Antigo Testamento havia oração do povo reunido. No Novo Testamento continua a prática. Por exemplo, At 1.14, após a ascensão de Cristo, e antes do batismo com o Espírito Santo: "perseveravam unânimes em oração e súplicas" os apóstolos, outros irmãos e irmãs, entre elas Maria, mãe de Jesus. Em At 4.24-31, estão os cristãos, após o dia de Pentecostes, juntos, clamando: "concede aos Teus servos que falem com ousadia a Tua palavra" - oração coletiva, não individual.
Em reuniões de oração, porém, cometem-se alguns erros que as enfraquecem e as tornam pouco freqüentadas:
1) falta de objetividade nas petições. Assuntos particulares são referidos, e não assuntos específicos, de interesse coletivo. Tornam-se muito teóricas, cansativas e maçantes as reuniões.
2) longas orações, às vezes parecem intermináveis, pois quando pensamos que aquele que ora está terminando a oração, ele acrescenta mais um assunto e muitos rodeios em torno do assunto. Temos que lembrar duas coisas: a) não é por "muito falar que serão ouvidos" e b) não devemos orar a Deus e ensinar doutrina, ao mesmo tempo. Isto deve ser feito aos irmãos que precisam ser doutrinados, em outra hora e não enquanto oramos, na reunião; c) estamos falando a Deus e não temos que doutrinar o Senhor, nem argumentar com Ele, muito menos ensinar ao Senhor e dizer-Lhe por que e como Ele deve fazer. Tudo isso torna a oração imprópria, e cansativa a reunião. Quando alguém tem muito o que f'alar com Deus, será melhor que ore duas ou mais vezes, do que orar demoradamente.
3) Outro fator negativo, é a pessoa que ora falar tão baixo que os irmãos que estão um pouco mais longe não podem ouvir e entender; também não podem dizer "amém'" à oração feita. Aquele irmão orou, mas os outros não puderam orar com ele.
4) Outro equívoco comum em reuniões de oração é cometido pelo dirigente que fala demais. Ele pede que alguém ore por determinado assunto, e instrui sobre tudo o que o outro deve apresentar na oração; quando o dirigente termina a sua fala, podemos dizer apenas "amém", pois o dirigente já orou, quando expressou o desejo dele e da comunidade acerca do assunto anunciado. "Oração é o santo oferecimento de nossos desejos a Deus".
Concluindo: o povo de Deus, reunido, deve orar, precisa orar. Mas é com as Escrituras que temos de aprender como orar. Tem sido criados costumes que não são bíblicos; devemos nos livrar deles, para nosso próprio bem e da coletividade. Temos que orar sabendo que não é a nossa oração que vai fazer com que Deus aja, mas através dela expressamos o nosso desejo, esperando e querendo que seja feita a vontade do Senhor e não a nossa (Mt 6.10; 26.39, 42 e 44), porque "não sabemos o que havemos de pedir como convém", escreveu Paulo (Rm 8.26; Tg 4.3). A oração é exercício da fé, da humildade, e submissão à vontade de Deus; é confissão de nossos pecados e reconhecimento de nossa total dependência de Deus. Por isso Cristo nos ensinou que devemos "orar sempre e nunca desanimar" - Lc 18.1.

quinta-feira, agosto 16, 2007

A Igreja e seus Característicos

O que caracteriza uma Igreja é sua doutrina, juntamente com seus costumes. Não é só doutrina, nem são só costumes; aquela poderia ser reunida num só livro; estes refletem o modo de pensar, a filosofia, a prática doutrinária.
As igrejas evangélicas tinham seus característicos bem definidos: doutrina, governo, disciplina e liturgia ou forma de culto. Hoje estão se descaracterizando. Talvez seja em nome de um falso ecumeninsmo evangélico que se começou a permitir a introdução de práticas diferentes daquelas que até então as caracterizavam; falso, porque o verdadeiro ecumenismo cristão não leva crente nenhum e igreja nenhuma à perda de sua identidade. Unidade na diversidade, isso sim. Não somos amorfos, nem devemos ser.
A mídia - rádio, inicialmente, depois a televisão - foi usada levando as "novidades" a todos os grupos evangélicos. Essa aproximação - em si mesma desejável - deu, porém, resultados inesperados e reprováveis. A evangelização começou a ser confundida com proselitismo por grupos tanto mais agressivos quanto menos afeitos a estudo sério das Escrituras; crescimento numérico das igrejas passou a ser a grande preocupação; igrejas evangélicas se deixaram contaminar por essa febre de crescimento por adesão e não por conversão; urna anti-cultura começou a seduzir muitos evangélicos e o beneficiário de tal desapreço foi o néo-pentecostismo, agora dentro das igrejas.
As igrejas néo-pentecostais, por sua vez, foram cada vez mais se dividindo, de cisão em cisão, multiplicando e crescendo, exatamente por faltar, a cada urna delas, um corpo doutrinário que exige estudo, e práticas bem definidas, com base bíblica. A migração entre esses grupos é muito grande, motivada por novidades e modismos que vão surgindo, fruto da criatividade dos líderes. Um verdadeiro exibicionismo de fé caracteriza esses grupos e ao mesmo tempo é um fator de atração de incautos e ingênuos.
Se tudo isso se passasse apenas entre grupos néo­-pentecostais, o prejuizo espiritual para o Reino de Deus não seria grande, mas isso está acontecendo há tempos em igrejas evangélicas, com graves prejuizos para a evangelização séria e verdadeira, que não é superficial, pois objetiva não a adesão, mas a conversão e santificação, com base no Evangelho puro, sem mistura com práticas fetichistas e sem concessões de ordem moral.
A primeira denominação vítima desse fenomeno foi a Igreja Metodista. Com a cisão que deu origem a Igreja Metodista Wesleyana. A Convenção Batista Brasileira perdeu, em um ano, um milhão de membros. Quanto às igrejas presbiterianas, apesar de sua tradição conservadora e grande cuidado na formação teológica, bíblica e cristocêntrica, não tem ficado imunes a tal infiltração e consequente descaracterização.
Há mais de 20 anos, no norte do Paraná, um presbitério inteiro (de Cianorte) foi minado dando origem à Igreja Cristã Presbiteriana. Outras cisões deram origem às Igrejas Presbiterianas Renovadas. Hoje existem Igrejas Luteranas "renovadas" e muitas outras. O néo-pentecostalismo se infiltrou até na Igreja Romana.
Na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil não houve urna cisão; ela passou a viver com 3 grupos internos bem distintos: o primeiro, formado por pastores, crentes e igrejas que se mantem firmes na doutrina presbiteriana; o 2° grupo, de pastores, crentes e igrejas que se tornaram teologicamente liberais, e o 3o grupo, pentecostalizado completamente.
Isso está acontecendo, também em nossa Igreja Presbiteriana do Brasil - Deus tenha piedade de nós. O que acontece e pode causar grandes transtornos é numa ala da Igreja - onde parece prevalecerem pastores bem jovens - está-se criando um hibridismo absurdo: um calvinismo nominal consorciado com pentecostalismo mal-disfarçado. A direção da Igreja "parece" desconhecer o fato.
A estratégia do inimigo, para infiltrar-se na I.P.B. parece consistir em questionar certos valores: 1) por que não fazer uma pequena concessão litúrgica a alegres presbiterianos que gostam de música jovem de inspiração néo-pentecostal? 2) Por que não fazer outra concessão, com a introdução da poluição sonora das palmas, dos instrumentos elétricos mal tocados por jovens que irão embora se não puderem misturar culto e diversão? 3) Por que conservar a ortodoxia presbiteriana calcada na doutrina da soberania de Deus, absolutamente cristocêntrica, quando está visto que as igrejas que deixam isso de lado são as que mais crescem? Tornam-se antropocêntricas, mas são as que mais crescem?
O resultado de tal modo de pensar será uma igreja presbiteriana apenas no nome. Talvez provoque mesmo uma cisão. Até pode ser esse o objetivo de muitos.
Que fazer diante disso? Lembro-me da recomendação de Paulo em Rm 14.1: "Quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas." Rejeitá-lo não é a atitude certa; "recebei-o". É preciso ter paciência, suportá-lo conforme Cl 3.12-16, para ganhá-lo, tal como Priscila e Áquila fízeram com Apolo - At 18.24-26.
É preciso doutrinar quem não foi bem doutrinado. Crentes bons, convertidos e sinceros, mas que nunca foram ensinados como deviam ter sido; evangelizados superficialmente, não estão acostumados a "examinar as Escrituras" como recomenda Cristo, e como fizeram os judeus de Beréia. Seus "iluminados pastores" lhes ensinaram que o Espírito Santo revela tudo e poderá revelar tudo a todos; para quê, então, estudar? Por que preparar cuidadosamente um sermão ou uma aula, se podem apenas orar e deixar o Espírito Santo falar por meio deles?
Para isso é necessário visitar as igrejas e pregar o Evangelho puro e alertá-los sobre os "outros evangelhos". É preciso colocar ao alcance dos crentes literatura bíblica, a começar pelo jornal da igreja e as revistas da Escola Dominical; realizar muitas reuniões de estudo, simpósios, seminários, cursos por correspondência, etc. Muitos crentes sinceros serão recuperados. Simpatia, aliada a uma real piedade cristã e à firmeza doutrinária, poderá levar novamente a Igreja a gozar saúde espiritual. Nem tudo está perdido!

quinta-feira, agosto 09, 2007

..."Que os irmãos vivam em união"

Salmo 133

O desejo expresso de Deus é que todos nós, crentes em Cristo – pela graça de Deus e não por mérito nosso – vivamos “em união”. É nosso dever fazer tudo o que nos cabe para que o desejo de Deus se realize, para nosso próprio bem. “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da Redenção” – Ef 4.30.
Por que nem sempre vivemos em união? Porque somos imperfeitos e muitas vezes erramos, magoamos irmãos que na verdade amamos. Por outro lado, os ofendidos também são humanos e falhos como nós; não suportam a mágoa que lhes causamos; quebra-se a união que agradava a Deus. Até então Satanás é que está satisfeito, caímos em sua armadilha – 1Pe 5.8.
Nem importa saber quem tem razão quando isso acontece. Cada um precisa assumir a sua responsabilidade pela situação desagradável.
Mas Jesus Cristo nos enviou o Espírito Santo para habitar em nós e nos guiar “em toda a verdade” – Jo 14.16-17 e 16.13, e na santificação – 1Pe. 1.2.
A quebra da união só traz tristeza e grandes prejuízos. Para o bem de todos e da Igreja é necessário reatar a união e a amizade abalada. Quem ofendeu – involuntariamente ou não – e quem se sentiu ofendido, precisam se reconciliar – leiam Mt 5.23-24 e 18.15, e Prov.15.1.
Procurem logo os irmãos – sejam vocês os ofensores ou não. Se não conseguirem dizer alguma coisa, não se importem, dêem-lhes um abraço sincero; toda mágoa desaparecerá e uma nova alegria, e uma amizade mais forte serão a recompensa de todos e de toda a Igreja.
Cada um ore, peça a Deus que o abençoe e aos demais envolvidos no problema. Não deixe para “depois”; “concilia-te depressa...” – Mt 5.25.
As famílias e a Igreja toda voltarão a viver com a alegria que o Espírito Santo nos dá.
Diga, então, como o apóstolo Paulo: “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” – Rm 8.37.

seu irmão pastor Rubens, em 28/5/07.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A Doutrina da Graça de Deus

A graça de Deus é a oferta gratuita que Ele faz ao ser humano, de salvá-lo eternamente, adotando-o como filho. Salva-o da condenação, do poder do pecado e santifica-o para que o ser humano possa habitar no Céu. É gratuita porque o ser humano não merece tudo isto que Deus lhe oferece, nem tem condições, por si mesmo, de conquistar qualquer destas bênçãos. A Aliança assim estabelecida por Deus não depende do homem, mas tão somente da graça de Deus.
Textos básicos, iniciais: Gn 3.15; 12.1-3; 15.6; Gl 3.6 e 9; 4.24-28; 3.16 e 29.
Deus fez ou estabeleceu dois pactos: primeiro, o pacto das obras ou da obediência, com Adão e Eva, antes de serem pecadores. O ser humano tinha, então, condições de fazer sua parte, obedecendo; porém, fracassou - Gn 3.6. O concerto da Lei foi feito no Sinai - Gl 3.24. Nessa ocasião o homem prometeu cumpri-la. A Lei instrui o ser humano, mas também condena aquele que a transgride e está fora da aliança da Graça. A Lei escrita foi dada por Deus após haver estabelecido a Aliança, e não anula nem interrompe a Aliança da Graça. Aquele que, pela graça de Deus, está dentro da Aliança da Graça, não é condenado por sua transgressão da Lei, porque Cristo morreu e pagou sua dívida com Deus - 1Co 8.1 e 1Pe 1.18-19.
Gn 17.7-10 - concerto “perpétuo” com Abraão, tendo a circuncisão como sinal visível do pacto.
O pacto da Graça tem a garantia de sua realização na pessoa de Cristo e não na obediência do homem ou qualquer esforço seu - Rm 5.1; Ef 2.8. A fé, que também é dada por Deus, é que capacita o ser humano a gozar dos benefícios da graça, inclusive a graça de não mais ser escravo do pecado. Je 31.31-34; Hb 8.8-12 e Rm 6.14.
O ser humano responde a Deus com a fé em Cristo, pessoal, consciente, voluntária. Em Cristo, cada pessoa que O recebe é admitida no pacto da Graça.
O pacto da graça é particular e não universal, como querem os universalistas - Gn 12.7; 17.7; Gl 3.16- “à tua posteridade, que é Cristo”. Em Cristo é que somos incluidos no pacto da Graça.
É um erro pensar que a “dispensação da graça” é a partir de Cristo, e que antes dEle o que havia era a “dispensação da Lei”. Nenhum texto bíblico diz isso.
A graça foi estabelecida por Deus em Gn 3.15 e tornada explícita na chamada de Deus a Abraão, em Gn 12.1-3.
É um pacto da Trindade com o homem: o Pai oferece a graça, por meio do Filho, e o Espírito Santo o aplica a cada pessoa - Ef 1.1-7, 10-14; 1Pe 1.2; 1Co 15.10 (“sou”)
Ef 4.7 - “a cada um”; 2Pe 3.18 - “Crescei na graça”; 1Pe 5.10-12 - “esta é a verdadeira graça”.
A doutrina da Graça é teocêntrica e não antropocêntrica; depende só de Deus e não do homem. Deus é a causa da Salvação. Lm 3.22; Ef 2.5 e 8-10; Is 47.4; Jó 19.25-27; Sl 49.7-8. Sem Cristo não há salvação - Jo 14.6; Tt 3.5; Gl 2.16; At 13.39.
A graça tem uma aplicação universal apenas no sentido de alcançar pessoas de todas as raças, tribos e linguas, e não no sentido de alcançar todas as pessoas, numa salvação universal. Jo 3.16, 18, 36; At 16.31; Mt 28.19; Mc 16.15; Rm 1.16.
A graça nos reeduca com a Lei; o Espírito Santo nos capacita a observá-la, mesmo que imperfeitamente. É pelo processo da santificação, com os 2 aspectos: o positivo e o negativo. Tt 2.12 e 3.3-8.
A graça de Deus cria um novo homem, um novo povo, a Igreja - 1Pe 2.9-10; 1Co 10.31; Ef 4.1; Fp 4.1.
A graça de Deus nos dá esperança (certa e segura)- Tt 2.13.
Devemos entender “vida eterna” como qualidade de vida que começa imediatamente após a conversão, e não simplesmente como imortalidade; esta todos possuem. Por isso todos serão ressuscitados, conforme afirmou Jesus Cristo, em Jo 5.29; e todos comparecerão ao juizo final - Mt 25.34, 41 e 46.
Quem crê em Cristo, e O recebeu como Senhor e Salvador, tem a vida eterna. Por isso dê graças a Deus. “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom (dádiva) de Deus” - Ef. 2.8.

quinta-feira, julho 26, 2007

Enfim...



Não estou surpreso, pois pertenço a uma família de muitos longevos: meu avô paterno, 96 anos; meu pai, 94; minha mãe, 76; minha avó materna, 86; o caçula do 1º casamento de meu pai, 83; meu único irmão vivo tem 83, e agora eu com 80 anos!
Há anos comecei a preparar-me psicologicamente para “ficar velho”.
Não é nada ruim, acredite. Boa saúde, apesar das limitações da senilidade - andar bastante, correr pouco se puder, sem forçar; guiar o carro mas com cuidado redobrado; não estranhar nem se aborrecer quando esquecer que dia é do mês ou da semana, e assim muitas outras marcas da idade provecta.
Conforta-me e anima-me saber que um Oscar Niemeyer, com muito mais idade, ainda é um arquiteto notável, em atividade; que pastores evangélicos, na casa dos 80, ainda são úteis à Igreja. E também lembrar-me que Moisés aos 80 anos foi chamado por Deus para iniciar sua grande tarefa; que o apóstolo João, na idade senil, escreveu suas cartas e o Apocalipse.
É importante sabermos de nossas limitações e ter consciência realista do que ainda somos capazes, para não aceitarmos ser inválidos enquanto podemos fazer alguma coisa boa. Também não se aborreça se alguém quiser limitá-lo.
Aí se completam e não se contradizem os Salmos 90 e 92. O Salmo 90 diz “A duração de nossa vida é de 70 anos, mas se alguns pela robustez chegam a 80, o melhor deles é canseira e enfado” - fala do homem em geral. O Salmo 92 diz do servo do Senhor: “O justo florescerá como a palmeira... Os que estão plantados na Casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes, para anunciarem que o Senhor é reto”.
Cabe a Deus, e não a nós marcar, os limites, seja a duração de nossa vida, seja a ocupação que nos dá, até o final.
Como é bom envelhecer assim! Promete Deus, através do Salmo 128.6: “Verás os filhos de teus filhos...” (os netos que tenho) “...e a paz sobre Israel”; por essa paz verdadeira lutamos até o fim.
Esteja preparado para viver muito, se Deus quiser; sempre servindo-O com alegria.

S. José dos Campos, 31 de maio de 2007